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Um tornado de proporções severas atingiu a região metropolitana de Florianópolis, em Santa Catarina, na tarde desta quinta-feira (6), deixando duas pessoas mortas, dezenas de feridos e provocando o fechamento total do Aeroporto Internacional Hercílio Luz. A Defesa Civil do estado confirmou que os ventos ultrapassaram os 120 km/h em alguns pontos, arrancando telhados, derrubando postes e árvores, e interrompendo o fornecimento de energia elétrica para milhares de residências. O aeroporto, um dos mais movimentados do Sul do Brasil, suspendeu pousos e decolagens por tempo indeterminado após danos estruturais na pista principal e no terminal de cargas.
**Contexto**
O fenômeno ocorreu por volta das 15h30, horário local, quando uma massa de ar quente e úmido encontrou uma frente fria vinda do sul, criando condições propícias para a formação de supercélulas. Imagens de radar do Centro de Gerenciamento de Desastres Naturais (CENAD) indicaram a rotação característica de um tornado sobre a região do bairro Itacorubi e parte do continente, próximo à ponte Pedro Ivo Campos. A Defesa Civil de Santa Catarina informou que as duas vítimas fatais foram encontradas em uma área de ocupação irregular no Morro do Horácio, onde uma construção de madeira desabou com a força do vento. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) trabalham no resgate de feridos, com pelo menos 12 pessoas encaminhadas a hospitais da região, a maioria com ferimentos leves causados por estilhaços e quedas.
O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, que opera voos domésticos e internacionais, foi fechado por volta das 16h. A concessionária Floripa Airport confirmou que a torre de controle registrou rajadas de vento superiores a 130 km/h, o que danificou parte do sistema de iluminação da pista e provocou o deslocamento de objetos soltos na área de manobras. Todos os voos programados para o período foram cancelados ou desviados para aeroportos alternativos, como Navegantes e Joinville. Passageiros que estavam no terminal foram orientados a permanecer em áreas seguras até a liberação das vias de acesso, que também foram bloqueadas por quedas de árvores e fios elétricos.
A região metropolitana de Florianópolis já havia enfrentado tempestades severas nos últimos meses, mas este é o primeiro registro de um tornado confirmado na capital catarinense desde 2015, quando um fenômeno semelhante atingiu a região do Campeche. Especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) destacam que o aquecimento das águas do Atlântico Sul tem aumentado a frequência de eventos extremos no litoral brasileiro, embora a relação direta com as mudanças climáticas ainda seja objeto de estudo.
**Análise**
O impacto imediato do tornado vai além das duas mortes e do fechamento do aeroporto. A interrupção das operações aéreas em Florianópolis, um hub regional para turismo e negócios, deve gerar efeitos em cadeia na economia local. Hotéis e pousadas já registram cancelamentos de reservas para o fim de semana, e companhias aéreas preveem atrasos e remanejamentos que podem se estender por dias. O setor de logística também foi afetado: o terminal de cargas do aeroporto, que movimenta produtos perecíveis e eletrônicos, teve sua operação suspensa, o que pode pressionar os preços de itens importados na região.
Do ponto de vista da segurança pública, o episódio expõe a vulnerabilidade de áreas de ocupação irregular, onde as construções não seguem normas técnicas de resistência a ventos fortes. A Defesa Civil já havia emitido alertas de tempestade na manhã de quinta-feira, mas a velocidade de formação do tornado surpreendeu as autoridades. O governador de Santa Catarina, em declaração à imprensa local (sem citação direta), afirmou que equipes de engenharia serão enviadas para avaliar os danos e que um plano de assistência às famílias desabrigadas será implementado nos próximos dias. A prefeitura de Florianópolis decretou estado de emergência, facilitando a liberação de recursos federais para reconstrução.
A longo prazo, o evento reforça a necessidade de investimentos em sistemas de alerta precoce e em infraestrutura resiliente. O Brasil ainda carece de uma rede de radares meteorológicos de alta resolução capaz de detectar a formação de tornados com antecedência suficiente para evacuações seguras. Enquanto isso, a população catarinense convive com a incerteza de que fenômenos antes raros podem se tornar mais frequentes.
**Fontes**
- Defesa Civil de Santa Catarina - Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina - Centro de Gerenciamento de Desastres Naturais (CENAD) - Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) - Floripa Airport (concessionária do Aeroporto Internacional Hercílio Luz) - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) - Prefeitura Municipal de Florianópolis
Por Renan Filho · 2026-11-06