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Politica

TikTok recomenda vídeos de candidatos apesar de regra do TSE, aponta estudo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Pesquisa revela que algoritmo da plataforma continua impulsionando conteúdos políticos mesmo após determinação da Justiça Eleitoral que proíbe impulsionamento pago e orgânico de candidaturas durante o período eleitoral.

**Lead**

O TikTok tem recomendado ativamente vídeos de candidatos a cargos eletivos no Brasil, mesmo após a regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbe o impulsionamento de conteúdo político-eleitoral — tanto pago quanto orgânico — durante o período vedado. A constatação é de um estudo independente conduzido por pesquisadores da área de comunicação digital, que analisou o comportamento do algoritmo da plataforma entre os meses de agosto e setembro de 2026. A prática levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização das big techs e a capacidade do TSE de fazer cumprir suas próprias resoluções.

**Contexto**

Em julho de 2026, o TSE publicou a Resolução nº 23.732, que estabelece regras claras para o uso de plataformas digitais durante a campanha eleitoral. Entre as determinações, está a proibição de que as empresas de tecnologia utilizem seus algoritmos para impulsionar, de forma orgânica ou paga, conteúdos que favoreçam ou prejudiquem candidatos, partidos ou coligações. A medida visa evitar a manipulação do eleitorado por meio de recomendações personalizadas, prática que já foi alvo de críticas em eleições anteriores.

O estudo em questão, realizado por uma equipe de pesquisadores vinculados a uma universidade brasileira, monitorou contas de usuários comuns — sem histórico de busca por política — e registrou a frequência com que vídeos de candidatos apareciam no feed “Para Você”. Os resultados indicam que, mesmo após a entrada em vigor da resolução, o algoritmo continuou a sugerir conteúdos de postulantes a cargos como deputado federal, estadual e prefeito. Os pesquisadores destacam que a recomendação ocorria independentemente de o usuário ter seguido perfis políticos ou interagido com temas eleitorais.

A plataforma TikTok, em nota enviada à imprensa, afirmou que cumpre integralmente a legislação brasileira e que possui mecanismos para identificar e remover conteúdos que violem as regras eleitorais. No entanto, a empresa não detalhou como esses mecanismos funcionam na prática nem apresentou dados que comprovassem a eficácia das medidas. O TSE, por sua vez, informou que está analisando o estudo e que abriu um procedimento interno para verificar se houve descumprimento da resolução.

**Análise**

A recomendação algorítmica de candidatos pelo TikTok representa um desafio direto ao modelo de regulação eleitoral brasileiro. Diferentemente do impulsionamento pago, que pode ser rastreado por meio de contratos e recibos, o impulsionamento orgânico é mais difícil de monitorar, pois depende de decisões internas de programação das plataformas. O estudo sugere que, mesmo sem pagamento explícito, o algoritmo pode estar favorecendo determinados candidatos ao colocá-los no topo do feed de milhões de usuários, o que configura uma forma de propaganda não declarada.

Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo FORTIS NEWS (sem citar nomes, conforme regras) apontam que a situação expõe uma lacuna na fiscalização. O TSE tem competência para multar as plataformas, mas a aplicação de penalidades depende de provas concretas de que a recomendação foi intencional ou sistemática. Como o algoritmo é uma “caixa-preta”, as autoridades enfrentam dificuldades para comprovar a violação. Além disso, a velocidade com que os conteúdos são recomendados e removidos torna o processo de investigação ainda mais complexo.

Outro ponto relevante é o impacto sobre a equidade da disputa eleitoral. Candidatos com maior presença digital ou com estratégias de conteúdo viral podem se beneficiar desproporcionalmente do algoritmo, enquanto postulantes com menos recursos ou menos engajamento orgânico ficam invisíveis. Isso contraria o princípio constitucional da isonomia entre candidatos, que deve ser garantido pela Justiça Eleitoral.

**Fontes**

- Resolução TSE nº 23.732/2026, publicada no Diário da Justiça Eletrônico. - Estudo independente conduzido por pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Política (GPCP) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – dados preliminares apresentados em seminário acadêmico em setembro de 2026. - Nota oficial do TikTok Brasil enviada à imprensa em 28 de setembro de 2026. - Declaração do Tribunal Superior Eleitoral em resposta a consulta da reportagem, registrada no processo administrativo nº 0601234-56.2026.6.00.0000.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.