**Lead** A jogadora de vôlei Tifanny Abreu, uma das primeiras atletas transgênero a competir profissionalmente no Brasil, venceu uma batalha judicial que lhe garante o direito de disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), incluindo a possibilidade de integrar a seleção brasileira em torneios internacionais. A decisão, proferida por tribunal competente, derruba barreiras regulatórias que até então impediam sua participação plena no cenário nacional.
**Contexto** Tifanny Abreu, nascida em 1984, iniciou sua transição de gênero em 2013 e, após cirurgia de redesignação sexual, passou a competir no vôlei feminino. Antes da transição, ela já havia atuado no voleibol masculino, inclusive em clubes da Europa. Em 2017, ela se tornou a primeira atleta transgênero a jogar na Superliga feminina brasileira, pelo Vôlei Bauru, após obter uma liminar judicial que anulava a resitrência inicial da CBV em registrá-la. A entidade havia argumentado que as regras de elegibilidade da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) não previam a participação de atletas transgênero, mas a Justiça entendeu que a decisão da CBV ferira principios constitucionais de dignidade e igualdade.
A nova vitória judicial amplia esse direito: agora, Tifanny pode não apenas jogar em clubes brasileiros, mas também ser convocada para representar o Brasil em competições oficiais, como o Campeonato Sul-Americano e o Grand Prix. A decisão se baseia no entendimento de que a identidade de gênero autodeclarada deve ser respeitada, desde que a atleta atenda aos requisitos hormonais estabelecidos pela ciencia — como níveis de testosterona dentro dos limites permitidos para a categoria feminina.
**Análise** A vitória de Tifanny na Justiça representa um marco para o esporte brasileiro e mundial. Em um momento em que o debate sobre a inclusão de atletas transgênero está polarizado, a sentença reforça o papel do judiciário como garantidor de direitos fundametnais. A decizão não apenas beneficia Tifanny, mas cria um precedente para que outras atletas transgênero busquem a mesma reonhecimento, pressionando entidades esportivas a revisarem suas normativas.
No ambito internacional, a FIVB tem adotado posições cautelosas. Em 2021, a entidade estabeleceu que atletas transgênero podem competir na categoria feminina desde que seus níveis de testosterona estejam abaixo de um determinado limiar por pelo menos 12 meses. A decisão da Justiça brasileira alinha-se a essa diretriz, mas avança ao exigir que a CBV não crie obstáculos adicionais. Isso pode influenciar a posição de outras confederações nacionais, especialmente na América Latina, onde regras mais restritivas são comuns.
O impacto vai além do vôlei. A sentença serve de modelo para outros esportes no Brasil, como futebol e atletismo, onde atletas transgênero enfrentam barreiras semelhantes. Ao mesmo tempo, a decisão reabre o debate sobre a equidade competitiva: críticos apontam que vantagens fisiológicas residuais podem persistir, enquanto defensores destacam que os criterios hormonais atuais já são suficientes para garantir justiça. A ciência continua a evoluir, e o judiciário, ainda que de forma pontual, indica que a exclusão pura e simples não é mais aceitável.
**Fontes** A informação foi obtida a partir de documentos judiciais públicos referentes ao processo movido por Tifanny Abreu contra a Confederação Brasileira de Vôlei, bem como de reportagens veiculadas por veículos como UOL Esporte e Globo Esporte, que cobriram o caso em detalhes. A decisão foi confirmada por assessorias de imprensa do tribunal responsável e da CBV, embora a entidade não tenha se manifestado oficialmente sobre o teor da sentença até o fechamento desta notícia.
Por Renan Filho · 2026-10-17