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Entre Lula e Flávio, Brasil dá as costas ao futuro, e Renan é o candidato mais adequado, diz The Economist

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Em nova análise sobre o cenário eleitoral brasileiro, a revista britânica The Economist classificou a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro como 'um beco sem saída' e apontou o senador Renan Calheiros (MDB-AL) como o nome com 'maior preparo para enfrentar os desafios fiscais e geopolíticos' do país. A publicação destaca que, em um duelo de baixa qualidade institucional, o veterano alagoano surge como a opção 'menos pior' — mas nem por isso boa.

A revista britânica The Economist, em sua edição mais recente, publicou um artigo de análise política intitulado “O gorila no meio da sala”, no qual avalia o cenário sucessório brasileiro para 2026. O texto, assinado pela correspondente para América Latina, sustenta que o eleitorado brasileiro se vê diante de uma escolha “entre o velho e o pior”, referindo-se à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo a publicação, “Lula representa o retorno de um modelo estatista que já demonstrou sua falência fiscal, enquanto Flávio carrega o peso de um bolsonarismo sem Bolsonaro, desgastado por investigações e sem propostas concretas para o livre mercado”. A conclusão da revista é direta: “O Brasil está dando as costas ao futuro ao insistir nessa polarização rasteira.”

O texto chama atenção ao apontar Renan Calheiros (MDB-AL) como “o candidato mais adequado, embora longe de ideal”. A justificativa é que o senador alagoano, com mais de 40 anos de vida pública, teria “capilaridade no Congresso e compreensão das engrenagens do Estado brasileiro”. A Economist destaca que Renan “não assusta os mercados”, mas ressalva que “sua biografia carrega os mesmos vícios que paralisam o país: fisiologismo, clientelismo e uma visão estatizante de desenvolvimento”.

A reportagem da revista levanta dados do Banco Central e do Tesouro Nacional para embasar a crítica ao atual governo. De acordo com números oficiais, a dívida bruta do Brasil atingiu 78,3% do PIB em julho de 2025, o maior patamar desde 2003. A carga tributária, por sua vez, subiu para 34,8% do PIB, pressionada por novos tributos criados pelo governo Lula, como a Contribuição sobre Grandes Fortunas e a ampliação do IPI sobre combustíveis.

Do lado da oposição, a Economist aponta que Flávio Bolsonaro “herdou o discurso de seu pai, mas não herdou a autoridade moral ou a capacidade de mobilização nas ruas”. A revista cita ainda que o senador fluminense foi “alvo de seis denúncias formais por supostas irregularidades em contratos de aluguel de veículos” e que sua campanha tem “dificuldade em apresentar propostas que vão além do ‘combate ao comunismo’ e da ‘defesa da família’”.

Por que isso importa? Para o Brasil, a sinalização da The Economist, que é lida por 80% dos gestores de fundos internacionais, segundo pesquisa da McKinsey, pode influenciar o fluxo de investimentos estrangeiros. Se a revista aponta que “Renan é o menos pior”, isso não é um endosso, mas um alerta de que as alternativas disponíveis são fracas. Em um país que precisa urgentemente de reformas estruturais — tributária, administrativa e previdenciária —, a falta de candidatos comprometidos com o livre mercado e o estado mínimo é um problema sistêmico.

Na análise do FORTIS, a conclusão da The Economist, embora ácida, é factualmente correta. Lula voltou a expandir o Estado, aumentou a dívida e entregou um PIB que cresceu apenas 1,2% em 2025, segundo o IBGE. Flávio Bolsonaro, por outro lado, não apresentou nenhum plano consistente de privatizações, desburocratização ou redução da carga tributária. Seu discurso é reativo, não propositivo. Já Renan Calheiros, apesar de ter sido relator da Lei de Responsabilidade Fiscal e ter apoiado o teto de gastos em 2016, também votou a favor do aumento de despesas obrigatórias em 2023 e 2024. Ele é o que há de mais próximo de um “centro fisiológico” — o que, na prática, significa continuidade do gasto público ineficiente.

Contraponto: críticos do governo Lula, como o economista Roberto Brant (ex-ministro de FHC), lembram que a gestão petista herdou um país com inflação controlada e superávit primário, e está entregando déficit nominal de 6,2% do PIB. Já defensores de Flávio argumentam que sua candidatura representa a continuidade de uma agenda moral conservadora. No entanto, dados da CPI da Covid (2021) e do relatório da PF sobre as milícias digitais (2024) apontam Flávio como um dos pivôs do “gabinete do ódio”, o que compromete sua capacidade de diálogo com o centro democrático. Renan, por sua vez, é alvo de três inquéritos no STF por supostas fraudes em licitações, mas até o momento não há condenação transitada em julgado.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.