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Opiniao

Temer reconhece vitória de Lula e defende reunião entre Poderes para pacificar o país

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-27

Em declaração histórica, o ex-presidente Michel Temer quebrou o silêncio para admitir a derrota de seu campo político e propor um pacto institucional entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

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O ex-presidente Michel Temer (MDB) reconheceu publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2022 e defendeu uma reunião urgente entre os Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – como forma de pacificar o clima político polarizado que tomou conta do Brasil. A declaração, feita em entrevista a veículos de imprensa no final de outubro, representa um gesto de ruptura com a postura de resistência adotada por parte da classe política após o resultado das urnas, que deu a Lula 50,9% dos votos válidos contra 49,1% do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

**Contexto**

Michel Temer, que governou o Brasil entre 2016 e 2018 após o impeachment de Dilma Rousseff, é uma figura central na política brasileira das últimas décadas. Filiado ao MDB, partido que tradicionalmente flutuou entre governos petistas e de centro-direita, Temer foi vice-presidente de Dilma e posteriormente articulou a aprovação do impeachment no Congresso. Sua relação com Lula sempre foi ambígua – ambos foram aliados durante o governo Lula, mas se tornaram adversários após a ruptura de 2016. Nas eleições de 2022, Temer apoiou a candidatura de Simone Tebet (MDB) no primeiro turno e manteve silêncio no segundo, que opôs Lula e Bolsonaro. Agora, ao reconhecer a vitória de Lula, Temer sinaliza uma tentativa de superar as rusgas históricas e contribuir para a estabilidade institucional.

O cenário pós-eleição foi marcado por bloqueios de rodovias por caminhoneiros bolsonaristas, protestos em frente a quartéis e uma retórica de contestação do resultado por parte de aliados do presidente derrotado. Apoiadores de Bolsonaro chegaram a pedir intervenção militar, o que gerou enorme tensão. Nesse contexto, figuras públicas de diferentes espectros começaram a cobrar uma pacificação. Temer, como ex-presidente e jurista, possui capital político para dialogar com os setores mais moderados. Sua defesa de uma reunião entre os chefes dos Poderes – presidente da República, presidentes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal – ecoa propostas de outros líderes, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o ministro do STF Luís Roberto Barroso.

A reunião entre Poderes, que Temer sugere, não é uma novidade na política brasileira. Em momentos de crise, como o impeachment de 2016 e os atos de vandalismo de 8 de janeiro, as instituições recorreram ao diálogo para conter escaladas. A diferença agora é que o país está às vésperas da transição presidencial, com Lula indicando seu gabinete e o governo Bolsonaro ainda em operação. A proposta de Temer visa garantir que a troca de comando ocorra sem sobressaltos e que as instituições funcionem de forma harmônica, respeitando a vontade das urnas.

**Análise**

A declaração de Temer tem peso simbólico e prático. Simbolicamente, ela representa a adesão de um ex-presidente de centro-direita à legitimidade do resultado eleitoral, reforçando a mensagem de que a alternância de poder é saudável à democracia. Temer, que sofreu altas taxas de rejeição durante seu governo, vê na pacificação uma oportunidade de reconstruir sua imagem pública e se projetar como estadista acima das disputas partidárias. Na prática, ao defender uma reunião entre os Poderes, ele pressiona o governo Bolsonaro a colaborar com a transição e sinaliza para o Judiciário que não haverá resistência institucional à posse de Lula.

Do ponto de vista político, a iniciativa de Temer pode abrir espaço para que outros líderes do MDB e partidos aliados sigam o mesmo caminho. O MDB, que fez parte da base de Bolsonaro até o fim, está dividido entre alas que querem manter o alinhamento bolsonarista e aquelas que buscam um novo protagonismo no governo Lula. A fala de Temer, embora não oficial do partido, serve de orientação para a ala moderada. Além disso, a reunião entre os Poderes proposta pelo ex-presidente pode ajudar a destravar a pauta econômica e social, uma vez que Lula terá de negociar com um Congresso conservador. A aproximação de Temer e Lula, se concretizada, pode ser o primeiro passo para a formação de uma base de apoio mais ampla.

O impacto sobre a opinião pública é ambíguo. Entre os eleitores do PT, o gesto de Temer é visto com desconfiança, dado o papel do emedebista no impeachment de Dilma. Para os bolsonaristas, Temer é um traidor que se alia ao inimigo. No entanto, para o eleitor moderado e para o mercado financeiro, a declaração é um sinal de racionalidade e previsibilidade. A sugestão de uma reunião entre os Poderes, por sua vez, é uma medida concreta para evitar que o país mergulhe em uma crise institucional similar à que precedeu o impeachment de 2016. A proposta tem o mérito de colocar a estabilidade acima das rivalidades pessoais.

**Fontes**

As informações sobre a declaração de Michel Temer foram baseadas em reportagens veiculadas por Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão em outubro de 2022, além de notas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o resultado das eleições presidenciais. Os dados sobre a votação de Lula e Bolsonaro são de domínio público, registrados no sistema de divulgação do TSE.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.