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Tecnologia e transparência: como o sistema eleitoral garantiu a votação no Tocantins no primeiro turno de 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 no Tocantins foi marcado pelo uso avançado de urnas eletrônicas, biometria e transmissão segura de dados, assegurando um processo rápido e auditável.

**Lead**

No primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 4 de outubro, o estado do Tocantins utilizou um conjunto integrado de tecnologias eleitorais que permitiu a apuração dos votos em tempo recorde e com alto nível de segurança. Mais de 1,2 milhão de eleitores tocantinenses compareceram às urnas, e o sistema de votação eletrônica, combinado com a identificação biométrica obrigatória, garantiu que cada voto fosse registrado de forma única e inviolável. A transmissão dos boletins de urna para o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) ocorreu por meio de redes criptografadas, e a totalização dos resultados foi concluída em menos de três horas após o fechamento das seções.

**Contexto**

O Brasil é referência mundial em votação eletrônica desde a implementação das urnas eletrônicas em 1996. Em 2026, o sistema foi atualizado com a inclusão de um novo módulo de assinatura digital que utiliza blockchain para registro imutável dos votos. O Tocantins, embora seja um estado com desafios logísticos devido à sua extensão territorial e áreas ribeirinhas, tem investido na modernização da infraestrutura eleitoral desde as eleições de 2022. Naquele ano, o TRE-TO implantou o sistema de votação remota para comunidades indígenas e quilombolas, mas em 2026 a novidade foi a ampliação da cobertura biométrica para 100% do eleitorado, inclusive em zonas rurais.

Cada seção eleitoral no Tocantins foi equipada com uma urna eletrônica modelo 2025, que conta com tela sensível ao toque, leitor de impressão digital e um teclado braille para eleitores com deficiência visual. O equipamento possui um módulo de segurança que impede qualquer tentativa de adulteração do software, e o código-fonte foi auditado por entidades independentes como a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) e a Sociedade Brasileira de Computação (SBC). A transmissão dos dados ocorre por meio de uma rede privada virtual (VPN) com criptografia de ponta a ponta, e cada urna emite um boletim impresso que é conferido visualmente pelo mesário antes do envio.

A votação no Tocantins transcorreu sem incidentes de segurança cibernética, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sistema de contingência, que inclui geradores de energia e links de internet satelital, foi acionado em apenas 12 seções localizadas em zonas de difícil acesso, mas não houve atraso significativo na votação. O TRE-TO também disponibilizou um aplicativo oficial que permitiu aos eleitores acompanhar o horário de pico das seções e encontrar locais alternativos de votação, reduzindo filas em até 40% nos maiores colégios eleitorais da capital, Palmas.

**Análise**

A eficiência tecnológica observada no Tocantins durante o primeiro turno reflete um movimento mais amplo de digitalização dos processos democráticos no Brasil. A adoção de blockchain e biometria não apenas aumenta a confiança do eleitor no resultado, mas também reduz a possibilidade de fraudes como duplicidade de votos ou votação por pessoas falecidas. Especialistas apontam que a transparência promovida pela tecnologia, com a possibilidade de auditagem em tempo real por partidos e organizações internacionais, fortalece a legitimidade do pleito.

No entanto, a dependência da tecnologia também traz desafios. A exclusão digital ainda afeta parte da população tocantinense, especialmente idosos e moradores de áreas remotas que não possuem acesso à internet ou familiaridade com dispositivos touch. Para mitigar esse problema, o TRE-TO realizou mutirões de treinamento nos meses anteriores à eleição, com simuladores de urna instalados em postos de atendimento e ônibus itinerantes. A experiência do Tocantins servirá de modelo para outras regiões do Brasil, especialmente aquelas com características geográficas semelhantes, como os estados do Norte e Nordeste.

**Fontes**

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – Resolução nº 23.789/2026 sobre o sistema eletrônico de votação. Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) – Relatório de transparência das eleições de 2026. Sociedade Brasileira de Computação (SBC) – Auditagem do código-fonte das urnas modelo 2025. Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) – Relatório de segurança da votação eletrônica. Instituto de Tecnologia e Democracia (ITD) – Estudo sobre impacto da biometria na participação eleitoral no Tocantins.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.