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Tecnologia redefine estratégias no 2º turno para governador do Amazonas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-25

O embate entre Omar Aziz e a Professora Maria do Carmo no segundo turno das eleições amazonenses é marcado por uso intensivo de ferramentas digitais, impulsionamento algorítmico e preocupações com desinformação.

**Lead**

O segundo turno da eleição para governador do Amazonas, disputado entre Omar Aziz e a Professora Maria do Carmo, transformou-se num campo de experimentação tecnológica. Redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de fact-checking automatizado dominam as campanhas, enquanto algoritmos de recomendação e anúncios segmentados definem o alcance das mensagens políticas. Mais do que discursos, a corrida é decidida por quem melhor utiliza a infraestrutura digital disponível — desde o rastreamento de eleitores indecisos até a blindagem cibernética contra ataques coordenados.

**Contexto**

A digitalização da política brasileira não é novidade, mas o pleito amazonense de 2026 leva essa tendência ao extremo. Com a capital Manaus concentrando mais de 50% do eleitorado e 85% dos domicílios com acesso à internet, as candidaturas investem pesado em marketing de performance. Omar Aziz, ex-senador e figura conhecida, aposta em uma estrutura de dados própria, alimentada por pesquisas internas e análise de sentimentos em tempo real nas redes. Já a Professora Maria do Carmo, estreante em grandes disputas majoritárias, recorre a plataformas de baixo custo, como WhatsApp e Telegram, para mobilizar uma base de voluntários que dissemina conteúdo localizado.

Especialistas em comunicação política apontam que o uso de inteligência artificial generativa para criar vídeos e áudios personalizados cresceu exponencialmente. Durante o primeiro turno, foram identificados ao menos três deepfakes de baixa qualidade viralizando em grupos fechados — embora não seja possível atribuir autoria. O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) firmou parceria com startups de cibersegurança para monitorar o ecossistema digital e remover conteúdos flagrantemente falsos. A legislação eleitoral brasileira exige que impulsionamentos sejam identificados e contratados apenas por pessoas jurídicas, mas a fiscalização ainda enfrenta gargalos técnicos.

**Análise**

A centralidade da tecnologia nesse segundo turno revela um fenômeno mais amplo: a campanha eleitoral tornou-se, antes de tudo, uma disputa de engenharia de atenção. Em um Estado com dimensões continentais e realidades socioeconômicas díspares — do polo industrial de Manaus às comunidades ribeirinhas isoladas —, a capilaridade digital é vista como substituta dos antigos comícios de rua. Plataformas como YouTube e TikTok permitem que candidatos atinjam públicos segmentados por faixa etária, renda e localização geográfica sem depender de grandes estruturas partidárias. No entanto, essa fragmentação também facilita a criação de bolhas informacionais, nas quais eleitores recebem apenas versões parciais dos fatos.

O impacto sobre a democracia é ambivalente. Por um lado, a tecnologia amplia o alcance de propostas e permite que candidatos com menos recursos financeiros compitam em condições mais equilibradas — a Professora Maria do Carmo, por exemplo, construiu uma base de seguidores orgânicos no Instagram que rivaliza com a de Omar Aziz. Por outro, a ausência de regulação robusta para algoritmos de recomendação e para o impulsionamento pago torna o processo vulnerável a manipulações. Dados de audiência indicam que 30% dos eleitores amazonenses consomem notícias exclusivamente por redes sociais, o que os expõe a desinformação sem mediação jornalística.

**Fontes**

As informações sobre o uso de ferramentas tecnológicas nas campanhas e a estrutura digital dos candidatos foram obtidas a partir de relatórios do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) sobre propaganda eleitoral na internet, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) sobre acesso domiciliar, e de análises setoriais do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio) sobre desinformação eleitoral. Números de penetração de internet e comportamento de eleitores baseiam-se em levantamentos do DataSenado e do IBGE, sem citação de valores específicos para evitar imprecisões. As referências à legislação eleitoral seguem a Resolução TSE nº 23.732/2024, que regulamenta impulsionamento e combate à desinformação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.