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Tecnologia

Tecnologia eleitoral e logística: campanha de Lula recorre ao STF por prorrogação da votação até 19h

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-25

Ação da campanha do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal pede extensão do horário de votação para todo o Brasil, citando possível impacto de sistemas eletrônicos e filas. Medida levanta debate sobre infraestrutura tecnológica das urnas.

**Lead**

Em meio ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde deste domingo para solicitar a prorrogação do horário de votação em todo o país até as 19h, horário de Brasília. O pedido, fundamentado em relatos de lentidão e filas em diversas seções eleitorais, coloca em evidência o papel da tecnologia no processo democrático brasileiro, desde o funcionamento das urnas eletrônicas até os sistemas de identificação biométrica.

**Contexto**

O Brasil adota o voto eletrônico desde 1996, com as urnas passando por atualizações periódicas. No pleito de 2026, a Justiça Eleitoral implementou novos sistemas de verificação de identidade, incluindo leitores biométricos em todas as zonas. Apesar dos testes, relatos de eleitores apontam que, em algumas localidades, o tempo de espera ultrapassou duas horas, especialmente em regiões metropolitanas. A campanha de Lula argumenta que a demora pode estar associada a falhas de hardware — telas sensíveis ao toque com calibragem deficiente, impressoras de voto (em alguns estados que testaram a impressão do voto) e problemas de conexão com os servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para transmissão dos dados.

O STF, responsável por decidir questões constitucionais urgentes, já havia sido acionado em ocasiões anteriores para definir limites de horário de votação. Em 2022, a Corte determinou que eleitores que estivessem na fila até as 17h poderiam votar, independentemente do fechamento oficial das seções. Agora, a nova solicitação busca uniformizar o horário de encerramento para todo o território nacional às 19h, alegando que a infraestrutura tecnológica não garantiu a rapidez esperada.

Especialistas em tecnologia eleitoral apontam que o Brasil possui um dos sistemas de votação mais informatizados do mundo, com urnas que funcionam sem conexão com a internet durante a votação, o que reduz riscos de ataques cibernéticos. Contudo, a logística de distribuição das urnas, a manutenção das baterias e a calibragem dos leitores biométricos são desafios constantes, especialmente em regiões de difícil acesso ou com grande volume de eleitores.

**Análise**

A ação da campanha de Lula não é apenas um movimento político; ela expõe vulnerabilidades tecnológicas que podem afetar a confiabilidade do processo eleitoral. Se a prorrogação for concedida, o TSE terá que reprogramar o sistema central de apuração, que está configurado para começar a totalização dos votos a partir das 17h, com janela de transmissão dos dados pelas urnas. Uma extensão do horário exige que as urnas permaneçam operacionais por mais tempo, demandando baterias extras e, em alguns casos, geradores para seções sem energia elétrica constante.

Além disso, o debate reacende a discussão sobre a adoção de tecnologias complementares, como o voto pela internet ou sistemas híbridos. Países como a Estônia já utilizam votação online com sucesso, mas especialistas alertam que a segurança cibernética e a exclusão digital seriam obstáculos no Brasil. A infraestrutura de redes, a capacitação de mesários e a manutenção de equipamentos são pontos críticos que precisam ser endereçados para garantir que o direito ao voto não seja comprometido por falhas tecnológicas.

A decisão do STF, prevista para as próximas horas, terá impacto direto na logística eleitoral e na percepção da população sobre a eficiência do sistema eletrônico. Independentemente do resultado, o episódio mostra que a tecnologia não é neutra: ela precisa ser gerida com planejamento, transparência e investimento contínuo.

**Fontes**

As informações sobre a ação no STF foram obtidas por meio de canais oficiais da campanha e do tribunal, além de reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, que cobrem o processo eleitoral em tempo real. Dados técnicos sobre o funcionamento das urnas eletrônicas são baseados em publicações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em análises de especialistas em ciência da computação e segurança eleitoral.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.