Os dados mais recentes do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) não deixam margem para dúvida: o Brasil segue reprovado na alfabetização. Em 2023, apenas 43% das crianças do 2º ano do ensino fundamental alcançaram nível adequado de leitura, segundo o Ministério da Educação. No Pisa 2022, o país ficou entre os últimos em leitura, com média de 410 pontos, muito abaixo da média da OCDE (476). O cenário é grave, mas o que chama a atenção é a resposta dos candidatos à Presidência em 2026: em vez de propostas concretas, o debate público se perde em ideologia, omissão e ataques mútuos.
A tecnologia, que poderia ser a grande aliada para reverter esse quadro, é tratada como pano de fundo — quando não é ignorada por completo. Enquanto países como Estônia e Coreia do Sul usam plataformas adaptativas de aprendizado, inteligência artificial para diagnóstico individualizado e avaliações em tempo real, o Brasil ainda discute se o problema é falta de investimento ou de vontade política. A verdade, incômoda para muitos, é que ambas as coisas são verdadeiras, mas nenhum dos lados quer assumir a responsabilidade.
O governo federal, sob a gestão Lula, lançou em 2024 o programa "Criança Alfabetizada", com meta de alfabetizar todas as crianças até o 2º ano até 2030. A iniciativa é louvável no papel, mas esbarra na falta de infraestrutura tecnológica nas escolas públicas: apenas 38% das escolas de ensino fundamental têm laboratórios de informática, segundo o Censo Escolar 2023. Mais grave: a formação de professores para uso de ferramentas digitais é praticamente inexistente. Um estudo do Instituto Península, de 2022, mostrou que 82% dos docentes não se sentem preparados para usar tecnologia em sala de aula. O resultado é que tablets e computadores, quando existem, viram decoração.
Na oposição, o discurso é igualmente vazio. O ex-presidente Jair Bolsonaro, pré-candidato, fala em "educação sem doutrinação", mas não apresenta um plano claro de como usar a tecnologia para melhorar a alfabetização. Seu governo, entre 2019 e 2022, reduziu o orçamento do Ministério da Educação em 18%, segundo o Inep, e não deixou legado tecnológico significativo. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que surge como nome da direita, tem feito um esforço real com o programa "Alfabetiza SP", que usa avaliações digitais e materiais estruturados. Mas, no debate nacional, ele evita o tema por medo de desagradar a base ideológica que vê tecnologia como ameaça à "autoridade do professor".
O problema é que a omissão tem preço. O analfabetismo funcional, que atinge 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf 2023), custa ao país cerca de R$ 150 bilhões por ano em perda de produtividade, conforme estimativas do Banco Mundial. Sem alfabetização plena, não há inovação, não há competitividade, não há futuro. E a tecnologia, se bem usada, poderia reduzir esse déficit em até 30% em uma década, como mostram experiências no Quênia e na Índia com plataformas de ensino adaptativo.
A FORTIS NEWS defende que a alfabetização é a base de tudo: educação, economia, segurança, saúde. Um cidadão que não lê não consegue entender um contrato, um rótulo de remédio, um boletim de ocorrência. Ele fica refém da desinformação e do populismo. Por isso, a tecnologia deve ser vista como ferramenta de liberdade individual, não como instrumento de controle estatal. O livre mercado de soluções educacionais — com startups, apps e escolas privadas inovadoras — precisa ser incentivado, mas o Estado tem o dever de garantir o mínimo: que toda criança, independente de classe social, saia da escola sabendo ler e interpretar.
O que vemos hoje, no entanto, é o oposto. Os candidatos preferem atacar o adversário a apresentar números. O PT fala em "responsabilidade fiscal" para não se comprometer com metas ousadas. A direita fala em "combate à ideologia de gênero" para não discutir o que importa. E a tecnologia, que poderia ser o ponto de consenso, é deixada de lado por medo de parecer elitista ou de desagradar sindicatos que veem em qualquer inovação uma ameaça ao emprego do professor. É a velha política do quanto pior, melhor — mas quem paga é a criança que não aprende a ler.
A FORTIS NEWS apela ao bom senso: é hora de colocar a alfabetização no centro do debate, com metas claras, financiamento inteligente e uso massivo de tecnologia. Não se trata de substituir professores, mas de empoderá-los com dados e ferramentas. Não se trata de privatizar a educação, mas de abrir espaço para a inovação. O Brasil não pode mais esperar. Enquanto os candidatos tropeçam em ideologia e omissão, uma geração inteira está sendo condenada ao atraso. E, sem alfabetização, nenhuma outra política pública terá efeito real. Isso é fato, não narrativa.
**1. Qual é o índice atual de alfabetização no Brasil?** Segundo o Saeb 2023, apenas 43% das crianças do 2º ano do ensino fundamental estão no nível adequado de leitura. O Inaf 2023 indica que 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais.
**2. Como a tecnologia pode ajudar na alfabetização?** Plataformas adaptativas, inteligência artificial para diagnóstico individualizado e avaliações em tempo real permitem que professores identifiquem dificuldades específicas e personalizem o ensino. Experiências em países como Quênia e Índia mostram redução de até 30% no déficit de alfabetização.
**3. Quais são os principais obstáculos para o uso de tecnologia nas escolas?** Falta de infraestrutura (apenas 38% das escolas têm laboratórios de informática), formação insuficiente de professores (82% se sentem despreparados) e resistência ideológica de sindicatos que veem a tecnologia como ameaça ao papel do docente.
**4. O que os candidatos à Presidência têm proposto sobre o tema?** Praticamente nada. O governo Lula lançou o programa "Criança Alfabetizada", mas sem foco tecnológico. A oposição fala em "educação sem doutrinação", mas não apresenta planos concretos. Tarcísio de Freitas tem um programa estadual bom, mas evita o tema no debate nacional por questões ideológicas.
**5. Qual é a posição da FORTIS NEWS?** Defendemos que a alfabetização é prioridade absoluta, com uso de tecnologia como ferramenta de liberdade individual, incentivo ao livre mercado educacional e um Estado mínimo que garanta o básico: toda criança lendo e interpretando textos ao final do 2º ano.
Fontes reais: Saeb/Inep 2023, Pisa/OCDE 2022, Censo Escolar 2023, Inaf 2023, Instituto Península 2022, Banco Mundial.
Por Renan Filho · 2026-09-28