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Politica

Tarcísio usa brecha legal e transforma 'visitas técnicas' em palco eleitoral para 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Em plena quarentena eleitoral, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, intensifica a agenda pública em obras do estado, escorado em um dispositivo legal que permite a presença em eventos oficiais. A estratégia, porém, levanta questionamentos sobre o uso da máquina pública em um momento que antecede uma provável candidatura presidencial.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), encontrou uma fórmula jurídica para manter o nome em evidência nacional sem violar formalmente a legislação eleitoral. Em plena quarentena imposta pela Justiça Eleitoral, que proíbe a prática de atos de campanha antes do prazo legal, o chefe do Executivo paulista tem realizado uma série de 'visitas técnicas' a obras financiadas pelo estado, transformando cada entrega em um palco de discurso político.

A estratégia, embora legal, escancara a zona cinzenta que separa a gestão pública da promoção pessoal. Ao assumir o papel de 'entregador de obras', Tarcísio capitaliza politicamente com a imagem de gestor eficiente, enquanto adversários acusam a utilização da máquina pública para impulsionar uma pré-candidatura ao Palácio do Planalto. A lei permite que agentes públicos participem de inaugurações e vistorias, desde que não haja pedido explícito de votos, mas a linha entre o 'ato oficial' e o 'ato de campanha' é tênue, e o governador sabe explorá-la com maestria.

O contexto é ainda mais sensível porque Tarcísio desponta nas pesquisas de intenção de voto para 2026, consolidando-se como o principal nome da direita liberal no país. Sua gestão à frente do estado mais rico da federação, com entregas em infraestrutura, segurança e educação, é o principal ativo eleitoral. No entanto, a oposição enxerga nas visitas uma tentativa de antecipar o calendário eleitoral, criando uma vantagem indevida sobre os demais postulantes, que ainda não dispõem do mesmo palanque institucional.

Por que isso importa? Porque a eleição presidencial de 2026 começa a ser decidida agora, e o uso do cargo público para fins eleitorais é um dos principais pontos de tensão no debate democrático. A postura de Tarcísio, embora legal, sinaliza um comportamento que pode ser replicado por outros candidatos, minando a isonomia do pleito. Para o eleitor, o risco é que a linha entre o interesse público e o projeto pessoal se dissolva no discurso oficial, como já ocorreu em outros momentos da história recente.

A análise da FORTIS é clara: o liberalismo defende a redução do Estado e, acima de tudo, a transparência no uso de recursos públicos. A atuação de Tarcísio, nesse sentido, é um caso de 'liberalismo de palco' — ele entrega obras e eficiência, mas não abre mão de transformar cada entrega em capital político. Em um ambiente de livre mercado, a competição deve ser justa, e isso inclui o jogo eleitoral. Ao explorar uma brecha legal, o governador não viola a lei, mas testa os limites da ética pública, o que pode gerar um desgaste futuro, mesmo entre seus apoiadores mais puristas.

É preciso considerar, no entanto, o contraponto. Se a legislação permite a participação de agentes públicos em eventos oficiais, por que Tarcísio deveria se privar de mostrar o seu trabalho? Em uma democracia, o eleitor tem o direito de conhecer as realizações de um potencial candidato, e as visitas técnicas são uma forma de prestação de contas. A ineficiência de outros governos, que usam a máquina pública para se autopromover sem entregar resultados, não pode ser o parâmetro para criminalizar a conduta de quem, de fato, tem obras para apresentar.

A polêmica, contudo, está longe de ser encerrada. Enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não endurece as regras para coibir o 'abuso de poder político', a estratégia de Tarcísio deve se repetir nos próximos meses, com o governador alternando agendas oficiais e discursos de campanha. A diferença é que, desta vez, o palco é o Brasil, e as obras de São Paulo servem como vitrine para um projeto de poder que pode mudar os rumos do país.

**1. O que é a 'quarentena eleitoral' e por que Tarcísio pode fazer visitas técnicas?** A quarentena é o período de 3 meses antes das eleições em que é proibida a prática de condutas que possam caracterizar abuso de poder político, como a distribuição de benefícios e a realização de inaugurações. No entanto, a lei permite a participação em eventos oficiais, desde que não haja pedido de votos. Tarcísio usa essa exceção para vistoriar obras, o que é tecnicamente legal, mas politicamente questionável.

**2. Quais são os riscos dessa estratégia para a candidatura de Tarcísio em 2026?** O principal risco é o desgaste reputacional. A oposição pode acionar o TSE com base em abuso de poder político, o que poderia levar à inelegibilidade. Além disso, a opinião pública pode interpretar a atitude como uma tentativa de se aproveitar da máquina pública, o que contraria o discurso de 'nova política' e de transparência que o governador tenta projetar. A tolerância do eleitorado com manobras jurídicas, mesmo que legais, tende a ser baixa em um cenário de descrença na política.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.