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Tarcísio e Prado conversam sobre Alesp; aliados veem manutenção do PL na presidência como trunfo para 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-14

Encontro entre o governador de São Paulo e o presidente da Assembleia Legislativa sinaliza articulação para manter o comando da Casa sob o PL, fortalecendo a base bolsonarista no estado e projetando influência nacional.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), deputado André do Prado (PL), se reuniram nesta semana em encontro que aliados descrevem como estratégico para a sucessão no comando da Casa. A conversa, ocorrida em meio às articulações para o biênio 2027-2028, teve como pano de fundo a manutenção do PL na presidência da Alesp, movimento visto por parlamentares da base como essencial para consolidar a força do partido no estado e projetar influência nas eleições presidenciais de 2026.

**Contexto**

A Alesp é considerada a principal arena política do estado, com orçamento bilionário e poder de pauta que impacta diretamente a gestão estadual. Atualmente, o PL ocupa a presidência da Casa com André do Prado, eleito em 2023 com amplo apoio da base governista. A proximidade entre Tarcísio e o PL não é novidade: o governador, embora filiado ao Republicanos, mantém relação estreita com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com o núcleo bolsonarista, que enxerga em São Paulo um reduto estratégico para as próximas disputas.

A reunião entre Tarcísio e Prado ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para o ciclo eleitoral. O PL, maior partido do país em número de filiados, busca ampliar sua capilaridade nos estados e, em São Paulo, aposta na manutenção do comando da Alesp como vitrine de gestão e articulação. Nos bastidores, aliados avaliam que a permanência de um nome do partido na presidência da Assembleia garantiria agilidade na tramitação de projetos de interesse do Executivo estadual, além de consolidar a base de apoio a uma eventual candidatura presidencial bolsonarista ou de um nome alinhado ao campo conservador.

A movimentação também é lida como um recado ao cenário nacional. Com o governo Lula enfrentando desafios de articulação no Congresso, a oposição busca fortalecer seus palanques estaduais. São Paulo, por ser o maior colégio eleitoral do país, torna-se peça-chave. A manutenção do PL na presidência da Alesp, portanto, não é apenas uma questão local: é um símbolo de força do bolsonarismo em um dos principais palcos políticos do Brasil.

**Análise**

A conversa entre Tarcísio e Prado sinaliza uma estratégia de longo prazo. Para o governador, ter um aliado na presidência da Alesp é fundamental para aprovar reformas administrativas e projetos de modernização do estado sem atritos. Para o PL, a manutenção do comando da Casa representa a continuidade de um projeto de poder que transcende as fronteiras paulistas. Aliados ouvidos pela reportagem destacam que a união entre o Republicanos e o PL em São Paulo é um dos pilares da chamada "terceira via conservadora", que busca apresentar uma alternativa ao PT e ao PSDB.

Especialistas em ciência política apontam que a movimentação antecipa o tabuleiro eleitoral de 2026. Com a inelegibilidade de Bolsonaro, o PL precisa de nomes fortes para disputar a Presidência, e Tarcísio surge como um dos cotados. Nesse cenário, a manutenção de André do Prado na presidência da Alesp seria uma garantia de que o estado não criará obstáculos a uma eventual candidatura do governador ou de um aliado. Além disso, a articulação fortalece a imagem de Tarcísio como líder capaz de dialogar com diferentes espectros, inclusive com o centrão, sem perder o vínculo com a base bolsonarista.

Por outro lado, a movimentação também acende alertas no campo governista. O PT e partidos de esquerda veem com preocupação a consolidação de um bloco conservador em São Paulo, que pode se tornar um polo de resistência às pautas do governo federal. A disputa pela presidência da Alesp, portanto, deve se intensificar nos próximos meses, com a oposição tentando articular uma candidatura alternativa. A reunião entre Tarcísio e Prado, nesse contexto, é um movimento preventivo para blindar a base antes que o tabuleiro eleitoral se desenhe por completo.

**Fontes**

As informações sobre a reunião foram obtidas com parlamentares da base governista e assessores da Alesp, que preferiram não se identificar para tratar de articulações internas. A assessoria do governador Tarcísio de Freitas não confirmou oficialmente o teor da conversa, mas não negou a realização do encontro. O presidente da Alesp, André do Prado, também não se manifestou publicamente até o fechamento desta matéria. A reportagem segue acompanhando os desdobramentos da articulação para a sucessão na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.