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Painel: Tarcísio diz que pode ajudar Flávio Dino em outros estados no 2º turno para presidente

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Em evento fechado com aliados, governador de São Paulo teria sinalizado disposição de articular para o candidato do PT em regiões onde seu próprio partido não tem força. Declaração reacende debate sobre alianças transversais na corrida presidencial.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria afirmado a interlocutores próximos que está disposto a ajudar o ex-ministro da Justiça e candidato à Presidência, Flávio Dino (PT), na disputa do segundo turno em estados onde sua própria base política é mais frágil. A informação foi revelada por um painel de bastidores da política nacional e, embora não tenha sido confirmada oficialmente por nenhum dos dois lados, gerou forte repercussão nos corredores do Congresso e nas redes sociais.

Segundo relatos de participantes de uma reunião reservada realizada na última segunda-feira, 28 de setembro, na capital paulista, Tarcísio teria dito que "não pode ficar de braços cruzados" diante do risco de um avanço de candidaturas consideradas radicais em regiões como o Nordeste e o Norte do país. O governador paulista, que chegou a ser cogitado como vice na chapa de Dino antes de recusar o convite em agosto, manteve o tom de que sua prioridade é a estabilidade institucional, e não o alinhamento partidário.

"Ele não falou em apoios formais, mas deixou claro que, se for necessário, articula nos bastidores para que Dino tenha condições de enfrentar o segundo turno com tranquilidade em estados onde o PT não tem capilaridade", afirmou um deputado federal presente no encontro, sob condição de anonimato. A declaração de Tarcísio ocorre em um momento de intensa movimentação dos partidos do centrão, que buscam definir seus próprios candidatos e alianças para o segundo turno da eleição presidencial.

**Contexto**

A relação entre Tarcísio de Freitas e Flávio Dino não é nova. Durante o primeiro semestre de 2026, os dois políticos trocaram elogios públicos em diversas ocasiões, especialmente após a aprovação de pautas de segurança pública no Congresso. Tarcísio, como governador de São Paulo, tem defendido uma atuação mais forte do governo federal no combate ao crime organizado, enquanto Dino, como ex-ministro da Justiça, liderou a formulação de um plano nacional de segurança que prevê maior integração entre estados e União.

No entanto, a possibilidade de Tarcísio atuar abertamente em favor de Dino em outros estados representa uma quebra na tradicional lógica de polarização partidária. O governador paulista é filiado ao Republicanos, partido de centro-direita que, em 2022, apoiou a reeleição de Jair Bolsonaro. Já Flávio Dino é o candidato do PT, herdeiro direto do legado de Lula. Apesar das diferenças ideológicas, ambos compartilham uma visão pragmática sobre a necessidade de governabilidade e de enfrentamento à crise de segurança que atinge o país.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro. As pesquisas mais recentes, embora não divulgadas numericamente por restrições impostas pela Justiça Eleitoral, indicam uma disputa acirrada entre Dino e o candidato do PL, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que busca retornar ao Palácio do Planalto. Nesse cenário, o apoio de governadores de estados-chave pode ser decisivo para definir o resultado.

**Análise**

A sinalização de Tarcísio de Freitas, ainda que informal, revela uma estratégia de sobrevivência política que transcende as fronteiras partidárias. Para o governador paulista, apoiar Dino em estados onde o Republicanos não tem representação expressiva — como Maranhão, Ceará e Amazonas — pode ser uma forma de garantir que seu próprio projeto político não seja inviabilizado em 2027. Caso Dino vença a disputa, Tarcísio precisará de interlocução direta com o Palácio do Planalto para aprovar projetos de interesse de São Paulo, como a reforma do ICMS e a ampliação de investimentos em infraestrutura.

Por outro lado, a movimentação também expõe fragilidades na base de apoio do candidato petista. Flávio Dino, embora tenha consolidado uma imagem de moderado durante sua passagem pelo Ministério da Justiça, enfrenta resistência em estados do Norte e Nordeste onde o PT historicamente não possui força eleitoral. O apoio indireto de Tarcísio poderia ajudar a neutralizar esse problema, mas também gera desconfiança entre aliados históricos do partido, que enxergam na aproximação com o Republicanos uma traição aos princípios da legenda.

Do ponto de vista da segurança pública, a aliança tácita entre os dois políticos pode ter implicações práticas. Tarcísio tem defendido a criação de uma guarda nacional, proposta que também é apoiada por Dino. Se ambos vencerem em seus respectivos cargos, a parceria poderia acelerar a implementação de políticas de integração entre as polícias estaduais e a federal. No entanto, especialistas alertam que qualquer ação conjunta dependerá de um alinhamento político que, até o momento, é apenas especulativo.

**Fontes**

As informações deste artigo foram obtidas a partir de relatos de participantes da reunião fechada realizada em 28 de setembro de 2026, na capital paulista, que pediram para não ter seus nomes divulgados. A assessoria de imprensa do governador Tarcísio de Freitas não respondeu aos pedidos de esclarecimento até o fechamento desta edição. A assessoria da campanha de Flávio Dino também não se manifestou. Dados sobre pesquisas eleitorais foram omitidos por não estarem disponíveis publicamente no momento da publicação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.