O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou nesta quinta-feira, 19 de setembro, a criação do Batalhão de Motociclistas Táticos (BMT), uma unidade da Polícia Militar equipada com 300 motos BMW 1250 GS e fuzis de assalto IWI Arad. O lançamento ocorre exatamente 13 dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais e estaduais. Em nota oficial, o governo paulista afirma que o objetivo é “reforçar o combate ao crime organizado em regiões de fronteira e grandes centros urbanos”.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, em entrevista coletiva, o BMT terá atuação prioritária na Grande São Paulo e no interior do estado, com capacidade de resposta rápida a roubos a bancos, cargas e ataques a propriedades rurais. Cada motociclista passou por 120 horas de treinamento específico em pilotagem ofensiva e tiro embarcado. O custo total do projeto, incluindo veículos, armamento e logística, é de R$ 87 milhões, conforme dados divulgados pela Secretaria da Fazenda.
A proximidade com o pleito eleitoral não passou despercebida. Críticos apontam que a iniciativa pode ser uma tentativa de capitalizar politicamente o tema da segurança pública — um dos principais pilares da campanha de Tarcísio. Em agosto, pesquisa Datafolha mostrou que 42% dos paulistas consideram a violência o maior problema do estado. O governador, que busca a reeleição, tem usado o discurso de “mão firme” contra o crime como carro-chefe de sua propaganda.
Por que isso importa? O BMT representa a maior aposta do governo paulista em policiamento motorizado desde a extinção da ROTA a cavalo, nos anos 1990. A ideia não é nova: países como Israel e Colômbia já utilizam unidades similares com resultados mistos. Em São Paulo, a média de roubos de carga cresceu 18% em 2025, segundo o Instituto Sou da Paz. A promessa é que as motos permitam perseguições em áreas de difícil acesso, como vielas e estradas vicinais.
Análise FORTIS: Do ponto de vista liberal, a medida pode ser lida sob duas lentes. A primeira, positiva, é a busca por eficiência operacional: motos são mais ágeis que viaturas e consomem menos combustível, gerando economia de longo prazo. A segunda, preocupante, é o risco de militarização excessiva e de uso eleitoreiro do orçamento. O custo de R$ 87 milhões equivale a cerca de 1.500 bolsas do programa Pé-de-Meia, do governo federal. Em um estado com déficit primário de R$ 12 bilhões, qualquer gasto precisa ser justificado com métricas claras de redução de criminalidade.
Contraponto: Especialistas em segurança pública ouvidos pela imprensa questionam a eficácia do fuzil em motos. “O poder de fogo elevado pode gerar confrontos desproporcionais em áreas urbanas densas, aumentando o risco de mortes colaterais”, afirmou um pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em condição de anonimato. Além disso, a manutenção de motos de alta cilindrada é cara e exige reposição frequente de pneus e peças, o que pode comprometer a continuidade do projeto se não houver previsão orçamentária plurianual.
A oposição já anunciou que vai questionar o lançamento na Justiça Eleitoral, alegando propaganda institucional fora do período permitido. A legislação proíbe a realização de inaugurações de obras ou anúncios de novos programas nos três meses anteriores ao pleito, exceto em casos de emergência. O governo, por sua vez, sustenta que a segurança pública é atividade permanente e que o BMT estava em planejamento desde janeiro de 2025, conforme ata de reunião do Conselho Estadual de Segurança.
Se o BMT trará resultados concretos ou será apenas um palanque motorizado, só o tempo e as urnas dirão. O fato é que, a 13 dias da eleição, Tarcísio aposta todas as fichas em uma imagem de governante enérgico. Para o contribuinte paulista, resta torcer para que o barulho dos motores não abafe o ronco do caixa.
Por Renan Filho · 2026-09-22