O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), gravou um vídeo ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e declarou, em tom de campanha antecipada, que deseja ver o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) subir a rampa do Palácio do Planalto com o filho para governar o Brasil. A declaração foi publicada nas redes sociais do senador na tarde desta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, e rapidamente viralizou entre apoiadores do ex-presidente.
No vídeo, Tarcísio afirma: “Meu sonho é ver Bolsonaro subindo aquela rampa de novo, mas agora com o filho do lado, pronto para governar o Brasil com a força que a gente precisa.” A frase, aparentemente espontânea, foi interpretada por analistas políticos como um aceno direto à base bolsonarista e uma sinalização de que o governador paulista não pretende disputar a Presidência em 2026, ao menos não contra o ex-presidente.
A gravação ocorre em um momento de intensa articulação no campo conservador. Jair Bolsonaro, inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030, tem buscado formas de contornar a inelegibilidade, seja por meio de recursos judiciais, seja pela via legislativa. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é apontado como um dos possíveis herdeiros políticos do clã, mas enfrenta resistência dentro do próprio partido, que vê em Tarcísio um nome mais palatável ao eleitorado moderado.
**Por que isso importa**
A declaração de Tarcísio tem peso estratégico. Ao gravar com Flávio e declarar apoio explícito a Bolsonaro, o governador de São Paulo sinaliza que não romperá com o ex-presidente, mesmo diante das pressões do Centrão e de setores do mercado financeiro que pedem uma candidatura própria. Para o eleitor conservador, a mensagem é clara: a unidade do campo bolsonarista está mantida, e Tarcísio não será o nome a desafiá-la.
Do ponto de vista factual, o vídeo confirma que Tarcísio segue alinhado à estratégia de Flávio Bolsonaro de manter o nome do pai como referência máxima, ainda que juridicamente inviável. Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que Bolsonaro segue com 78% de rejeição entre os eleitores que votaram em Lula em 2022, mas mantém 62% de aprovação entre os que votaram nele. Ou seja: a base bolsonarista segue fiel, mas o eleitorado geral está dividido.
**Análise FORTIS**
Sob a ótica liberal-conservadora, a declaração de Tarcísio é um acerto tático, mas levanta questões sobre a viabilidade eleitoral. O Brasil precisa de um projeto de poder que una livre mercado, segurança jurídica e costumes conservadores. Bolsonaro, mesmo inelegível, continua sendo o maior cabo eleitoral da direita. No entanto, insistir em um nome vetado pela Justiça Eleitoral pode ser um erro estratégico.
A verdade factual é que o TSE manteve a inelegibilidade de Bolsonaro com base em abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, em julgamento concluído em junho de 2023. Desde então, nenhum recurso foi acolhido. Portanto, a declaração de Tarcísio e Flávio pode ser interpretada como um gesto político, mas não como um plano juridicamente viável.
Além disso, o vídeo foi gravado em um contexto de queda na aprovação do governo Lula (PT), que registrou 38% de ótimo/bom na última pesquisa Datafolha de agosto de 2026, contra 45% de ruim/péssimo. Esse cenário abre espaço para uma candidatura conservadora competitiva, mas exige realismo jurídico. Flávio Bolsonaro, como senador, tem 4% das intenções de voto em pesquisas espontâneas, enquanto Tarcísio aparece com 12% em cenários sem Lula.
**Contraponto**
É preciso reconhecer que a estratégia de manter Bolsonaro como figura central pode afastar o eleitorado de centro e de centro-direita, que deseja um nome novo e sem o desgaste dos processos judiciais. Dados do Instituto Locomotiva, de julho de 2026, mostram que 53% dos eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022 preferem um candidato “diferente” para 2026. Ignorar esse dado pode custar caro.
Por outro lado, a esquerda já se articula para explorar a inelegibilidade de Bolsonaro como prova de que a direita não tem projeto. O PT, em nota oficial, classificou o vídeo como “teatro político” e afirmou que “a direita não tem candidato viável e aposta em um fantasma”. A declaração, embora partidária, tem um fundo de verdade: sem um nome juridicamente habilitado, o campo conservador corre o risco de fragmentação.
**1. Tarcísio de Freitas é candidato à Presidência em 2026?** Não oficialmente. O governador de São Paulo tem dito que seu foco é a reeleição, mas o vídeo com Flávio Bolsonaro reforça a tese de que ele pode ser o nome de consenso do bolsonarismo, caso a inelegibilidade de Jair Bolsonaro seja mantida. A declaração, no entanto, não configura candidatura formal.
**2. Jair Bolsonaro pode ser candidato mesmo inelegível?** Juridicamente, não. A inelegibilidade imposta pelo TSE em 2023 vale até 2030. Para ser candidato, Bolsonaro precisaria de uma decisão judicial favorável ou de uma mudança na lei, o que é improvável no curto prazo. A declaração de Tarcísio e Flávio é um gesto político, não um plano jurídico viável.
Por Renan Filho · 2026-09-23