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Economia

Tarcísio articula expansão da votação de Flávio Bolsonaro em São Paulo para fortalecer projeto nacional

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

Governador paulista usa estrutura estadual e capital político para alavancar o senador em 2026, em movimento observado por aliados como ponte para 2028.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, intensificou nos últimos meses uma articulação política para ampliar a votação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado, transformando a capilaridade da máquina paulista em base para o projeto nacional da direita. A movimentação, que envolve prefeitos aliados, secretários estaduais e o diretório do PL em São Paulo, ocorre em um momento de disputa interna no partido e de preparação para as eleições de 2026. Embora nenhum número oficial de pesquisas tenha sido divulgado, aliados do governador afirmam que a meta é fazer de São Paulo o principal celeiro de votos do senador fora do Rio de Janeiro.

**Contexto**

A relação entre Tarcísio e a família Bolsonaro é pública e consolidada desde a campanha presidencial de 2022. Ex-ministro da Infraestrutura no governo de Jair Bolsonaro, Tarcísio venceu o primeiro turno em São Paulo com uma coligação que uniu o Republicanos ao PL, partido do ex-presidente. Flávio Bolsonaro, por sua vez, construiu sua carreira política no Rio de Janeiro, onde foi deputado estadual por 16 anos antes de se eleger senador em 2018. Apesar da base eleitoral fluminense, o senador tem participado de eventos em São Paulo ao lado de Tarcísio, especialmente em cidades do interior e da região metropolitana, onde o governador mantém altos índices de aprovação.

Nos bastidores, a leitura de integrantes do PL é que a votação de Flávio em São Paulo pode ser decisiva para consolidar o nome dele como herdeiro político do bolsonarismo em nível nacional. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, já declarou publicamente que a legenda precisa se organizar para as eleições municipais de 2024 e, depois, para a sucessão presidencial de 2026. Nesse cenário, ter um senador com grande votação em um dos maiores colégios eleitorais do país fortalece a posição do grupo nas negociações internas.

Tarcísio, no entanto, não atua apenas por alinhamento ideológico. O governador tem usado sua agenda de entregas — como obras de infraestrutura, programas de habitação e parcerias com prefeituras — para ampliar a influência do seu palanque. Ao associar a imagem de Flávio Bolsonaro a essas realizações, ele cria um mecanismo de transferência de capital político: o senador passa a ser apresentado como um parceiro de São Paulo, e não apenas como um político do Rio. Prefeitos de cidades médias, muitos deles filiados ao PL ou a partidos do centrão, têm sido convidados para eventos conjuntos, o que na prática transforma a estrutura estadual em uma vitrine eleitoral.

**Análise**

A estratégia de Tarcísio tem impacto direto na economia política do Brasil. Ao ampliar a votação de um aliado em São Paulo, o governador fortalece sua própria posição de fiador do bolsonarismo sem precisar disputar formalmente a presidência agora. Para o mercado, a leitura é que um núcleo político mais coeso reduz incertezas sobre o futuro fiscal do país, especialmente se o grupo conseguir eleger parlamentares alinhados a uma agenda de reformas e contenção de gastos. A presença de Flávio Bolsonaro em São Paulo também sinaliza que a direita busca enraizamento territorial, em vez de depender exclusivamente da polarização nacional, o que pode alterar o equilíbrio de forças no Congresso a partir de 2027.

Especialistas em ciência política apontam que a movimentação tem paralelo com outras campanhas recentes em que governadores usaram a máquina estadual para eleger senadores aliados. O caso mais citado é o de Ratinho Júnior no Paraná, que elegeu Sergio Moro para o Senado em 2022 com uma vantagem expressiva no estado. A diferença é que São Paulo concentra cerca de 22% do eleitorado nacional — na prática, qualquer oscilação relevante na votação paulista tem peso proporcional maior na soma nacional. Por isso, a meta de Tarcísio não é apenas garantir um mandato para Flávio, mas criar um efeito demonstração para outros estados, mostrando que o bolsonarismo consegue eleger quadros mesmo fora do seu reduto original.

Por outro lado, a estratégia não está imune a riscos. O senador Flávio Bolsonaro carrega um histórico de controvérsias jurídicas que pode gerar ruído em setores do eleitorado paulista, especialmente na capital, onde o bolsonarismo enfrenta rejeição maior do que no interior. Tarcísio, que busca se posicionar como um gestor pragmático, precisa equilibrar o apoio ao aliado com a manutenção da sua imagem de governante focado em obras e eficiência. Aliados próximos afirmam que o governador tem consciência desse dilema e, por isso, os eventos conjuntos são planejados com cuidado, priorizando cidades onde a aprovação do governador é alta e a presença do senador tenha potencial de soma.

**Fontes**

A notícia baseia-se em declarações públicas de Tarcísio de Freitas, Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro, no histórico de coligações eleitorais de 2022 e em reportagens anteriores da imprensa brasileira sobre a articulação política no PL. Os posicionamentos citados foram veiculados em canais oficiais e coberturas jornalísticas amplamente conhecidas, sem uso de informações confidenciais ou dados não verificados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.