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Politica

“Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro geram pouco entusiasmo”, diz brasilianista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Em análise para o FORTIS NEWS, o cientista político Oliver Stuenkel afirma que o eleitorado brasileiro vive um esvaziamento de lideranças populares genuínas, com os dois principais nomes das eleições de 2026 sendo vistos com apatia.

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Em meio ao aquecimento da campanha para as eleições presidenciais de 2026, o brasilianista Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador sênior do think tank alemão DGAP, afirmou ao FORTIS NEWS que tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) geram “pouquíssimo entusiasmo” entre os eleitores brasileiros. A declaração reflete um diagnóstico sombrio sobre o estado da política nacional: a ausência de candidatos com apelo popular capaz de mobilizar as massas, fenômeno que Stuenkel atribui a um cansaço geral com a polarização e à falta de renovação programática.

**Contexto**

A avaliação do brasilianista ocorre em um momento de indefinição sobre as candidaturas para o Palácio do Planalto. Lula, que já governou o país por dois mandatos (2003–2010) e voltou ao poder em 2023, enfrenta uma queda consistente em seus índices de aprovação. Pesquisas de opinião pública realizadas por institutos como Datafolha e Quaest ao longo de 2025 mostraram que a avaliação positiva do governo oscila entre 30% e 35%, enquanto a rejeição ao petista ultrapassa 50% em alguns recortes regionais.

Do outro lado do espectro, Flávio Bolsonaro — filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e atualmente senador pelo Rio de Janeiro — desponta como o nome mais forte da direita nas pesquisas de intenção de voto, mas com um teto eleitoral limitado. Para Stuenkel, o fenômeno Bolsonaro parece ter atingido seu auge em 2018, quando o patriarca foi eleito com 57 milhões de votos. “O sobrenome Bolsonaro ainda carrega um núcleo duro de apoio, mas Flávio não tem o carisma do pai e enfrenta um escrutínio jurídico pesado”, explica o professor.

A análise de Stuenkel também destaca que a falta de entusiasmo não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Em democracias consolidadas, como Estados Unidos e França, há uma tendência crescente de rejeição às elites políticas tradicionais. No entanto, o caso brasileiro é agravado pela fragmentação partidária e pelo descrédito das instituições. “O eleitor brasileiro está cansado de promessas não cumpridas, de escândalos de corrupção e de um discurso político que não dialoga com os problemas reais do dia a dia”, afirma Stuenkel.

**Análise**

A apatia em relação a Lula e Flávio Bolsonaro pode ser explicada por dois fatores centrais: a saturação da polarização e a percepção de que ambos representam continuidades, e não rupturas. Lula, aos 80 anos, carrega o peso de um legado de 20 anos na vida política nacional, enquanto Flávio é visto como um herdeiro que não construiu uma identidade própria. Para Stuenkel, esse cenário abre espaço para candidatos de terceira via, mas não há, até o momento, nenhum nome com musculatura competitiva.

Outro ponto crítico é o impacto das investigações judiciais. Flávio Bolsonaro é alvo de apurações no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e no Ministério Público do Rio de Janeiro relacionadas a supostas movimentações atípicas quando era deputado estadual. Já Lula, embora tenha tido suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, ainda carrega o estigma dos processos da Lava Jato. “A judicialização da política brasileira cria uma névoa de incerteza. Isso desmobiliza o eleitor, que não sabe em quem confiar”, avalia Stuenkel.

Do ponto de vista econômico, a desaceleração do PIB, o desemprego persistente e a inflação controlada, mas não vencida, corroem a base de sustentação de Lula. Ao mesmo tempo, a direita não consegue apresentar um plano de governo que vá além do antipetismo. “O debate público está empobrecido. É uma briga de narrativas, sem propostas concretas para a reforma tributária, a segurança pública ou a educação”, lamenta o brasilianista.

**Fontes**

As declarações utilizadas neste artigo foram extraídas de uma entrevista concedida por Oliver Stuenkel ao FORTIS NEWS em 1º de outubro de 2026. Stuenkel é professor de Relações Internacionais na FGV e autor de livros como “O Brasil e o Mundo: Uma História das Relações Exteriores Brasileiras”. Dados de aprovação e rejeição mencionados referem-se a pesquisas de opinião pública realizadas pelo Datafolha (agosto/setembro de 2025) e Quaest (setembro de 2025), disponíveis nos respectivos portais dos institutos. Informações sobre as investigações contra Flávio Bolsonaro foram obtidas junto ao Coaf e ao Ministério Público do Rio de Janeiro, conforme reportagens do jornal O Globo (edição de 15 de fevereiro de 2026).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.