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Cultura

Dora Kramer critica STF por atuação partidária e acende debate sobre judicialização da política

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, a jornalista Dora Kramer afirma que o Supremo Tribunal Federal abandonou a imparcialidade para agir como mais um partido, gerando reações no meio jurídico e político.

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A jornalista e colunista Dora Kramer publicou, na edição desta quinta-feira da Folha de S.Paulo, um artigo de opinião intitulado “Supremo tira a toga e veste a camisa de partidos”. No texto, ela sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) vem atuando de forma cada vez mais alinhada a agendas partidárias, rompendo com a tradição de neutralidade que deveria pautar a mais alta corte do país. A análise reacende o debate sobre os limites da atuação judicial e o fenômeno da judicialização da política no Brasil.

**Contexto**

A crítica de Dora Kramer não surge em um vácuo. Nos últimos anos, o STF tomou decisões que extrapolaram o campo estritamente jurídico e passaram a influenciar diretamente o cenário político nacional. Casos como a suspensão de nomeações de ministros, a anulação de atos do Executivo e a definição de regras eleitorais geraram desconforto entre parlamentares e membros do governo. A jornalista aponta que, ao agir como “partido”, o tribunal perde a credibilidade como árbitro imparcial e se expõe a críticas de parcialidade.

O artigo de Kramer se insere em uma longa tradição de debates sobre o papel do Judiciário em democracias contemporâneas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a nomeação de juízes conservadores e progressistas para a Suprema Corte sempre gerou controvérsias, mas a instituição mantém um certo distanciamento das disputas partidárias cotidianas. No Brasil, a Constituição de 1988 deu ao STF amplos poderes de controle de constitucionalidade, mas a fronteira entre interpretação da lei e ativismo político tem sido cada vez mais tênue.

Dora Kramer é uma das vozes mais respeitadas do jornalismo político brasileiro, com décadas de experiência na cobertura dos bastidores do poder. Seus artigos costumam provocar reações tanto de aliados quanto de críticos, e este não é diferente. A coluna foi amplamente compartilhada nas redes sociais e gerou discussões entre juristas, políticos e acadêmicos sobre os limites da atuação do STF.

**Análise**

A opinião de Dora Kramer toca em um ponto sensível da cultura política brasileira: a confiança nas instituições. Quando a mais alta corte do país é percebida como mais um ator partidário, a separação dos poderes — pilar da democracia moderna — fica ameaçada. A autora sugere que o STF, ao se envolver em questões que deveriam ser resolvidas pelo Legislativo ou pelo Executivo, acaba por enfraquecer a própria legitimidade do sistema de freios e contrapesos.

Do ponto de vista cultural, essa percepção reflete um fenômeno mais amplo: a judicialização da vida social. Cada vez mais, questões que antes eram debatidas em praças públicas ou nos parlamentos são levadas aos tribunais. Isso pode ser visto como um sintoma de descrença nos canais tradicionais de representação política. A crítica de Kramer, portanto, não é apenas jurídica, mas também cultural: ela aponta para uma mudança no modo como a sociedade brasileira lida com conflitos e decisões coletivas.

Por outro lado, defensores do ativismo judicial argumentam que, em momentos de crise política ou de paralisia do Legislativo, o STF tem o dever de agir para garantir direitos fundamentais e a estabilidade democrática. A própria Constituição confere ao tribunal a função de guardião da ordem constitucional, o que, em tese, justificaria intervenções pontuais. O debate, portanto, não é simples, e a coluna de Dora Kramer contribui ao trazer à tona os riscos de uma atuação excessivamente partidarizada.

**Fontes**

- Artigo de opinião de Dora Kramer publicado na Folha de S.Paulo em 1º de outubro de 2026. - Debates públicos e acadêmicos sobre judicialização da política no Brasil, incluindo obras de autores como Luís Roberto Barroso e Oscar Vilhena Vieira. - Reportagens anteriores do FORTIS NEWS sobre decisões do STF e seus impactos políticos (não citadas diretamente, conforme regras).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.