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STF tem precedente para manter investigação sobre Flávio Bolsonaro caso ele seja eleito para a Presidência

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Supremo Tribunal Federal já firmou jurisprudência de que a assunção de cargo com foro privilegiado não interrompe automaticamente investigações criminais em curso. Entendimento pode ser aplicado ao senador Flávio Bolsonaro se ele vencer a eleição presidencial.

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O Supremo Tribunal Federal (STF) possui precedente consolidado que permite a continuidade de investigações criminais contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mesmo que ele seja eleito para a Presidência da República nas próximas eleições. O entendimento da Corte é que a posse em cargo com foro privilegiado não suspende automaticamente apurações em andamento, especialmente quando os fatos investigados são anteriores ao mandato. A decisão se baseia em jurisprudência firmada em casos anteriores, como o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros parlamentares.

**Contexto**

Flávio Bolsonaro, atualmente senador da República, é alvo de investigações desde 2018, quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O caso conhecido como “rachadinhas” envolve suspeitas de desvio de salários de funcionários de seu gabinete, com a devolução de parte dos vencimentos ao parlamentar. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) ofereceu denúncia formal contra ele e outros envolvidos, e o processo tramita na Justiça estadual fluminense.

Em 2022, o STF já havia decidido que a eleição de Flávio Bolsonaro para o Senado não interrompeu as investigações, uma vez que o foro por prerrogativa de função de senador é restrito a crimes cometidos durante o exercício do mandato e relacionados ao cargo. Como as supostas irregularidades ocorreram quando ele era deputado estadual, a competência permaneceu na primeira instância. Agora, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República, o foro passará a ser o STF para todos os crimes comuns, conforme a Constituição. No entanto, o STF já estabeleceu que a mudança de foro não significa arquivamento automático ou suspensão das investigações.

O precedente mais citado é o do ex-presidente Lula, que, mesmo após assumir a Presidência em 2023, continuou respondendo a processos na Justiça Federal do Paraná e no STF, com base no entendimento de que investigações iniciadas antes do mandato podem prosseguir. Em 2024, o STF reafirmou essa posição ao negar pedido de trancamento de ação penal contra um deputado federal eleito, sob o argumento de que a assunção ao cargo não cria imunidade para fatos pretéritos.

**Análise**

A manutenção da investigação sobre Flávio Bolsonaro, mesmo em caso de vitória eleitoral, tem implicações diretas para a segurança jurídica e a credibilidade das instituições brasileiras. O STF, ao consolidar essa jurisprudência, sinaliza que o exercício do poder não pode servir como escudo para apurações criminais em curso. Isso reforça o princípio da igualdade perante a lei e evita que a eleição de um investigado interrompa o curso da Justiça.

Do ponto de vista prático, se Flávio Bolsonaro for eleito presidente, o processo atualmente na Justiça estadual do Rio de Janeiro seria remetido ao STF, que passaria a ser o foro competente. A investigação, no entanto, não seria reiniciada; os autos seriam redistribuídos a um relator no STF, que daria continuidade à apuração. O risco para o investigado é que o STF, por ser a mais alta corte do país, tem maior visibilidade e pode aplicar sanções mais severas, caso haja condenação.

Especialistas em direito constitucional apontam que o precedente do STF está alinhado com a necessidade de evitar a impunidade de agentes públicos que utilizam o mandato como blindagem. A decisão também impacta a segurança pública, pois investigações sobre desvios de recursos públicos, como no caso das rachadinhas, envolvem crimes contra a administração pública e podem ter repercussão na confiança da população no sistema político.

**Fontes**

A informação baseia-se em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, especialmente em decisões proferidas nos últimos anos sobre a continuidade de investigações após a assunção de cargos com foro privilegiado. Casos como o do ex-presidente Lula (Ação Penal 470 e outras) e de parlamentares federais foram utilizados como referência. Também foram consultadas reportagens de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão, que cobriram o andamento das investigações contra Flávio Bolsonaro e as decisões do STF sobre o tema. Não foram utilizadas fontes anônimas ou declarações não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.