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O estado do Amazonas enfrenta, em outubro de 2026, uma das piores temporadas de incêndios florestais dos últimos anos. Dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam uma elevação significativa no número de focos de calor em relação à média histórica para o período. As queimadas concentram-se principalmente no sul do estado, nas regiões de entorno da BR-319 e em áreas de tensão fundiária. A fumaça já atinge Manaus e outras cidades, provocando alertas de saúde pública e interdições temporárias em aeroportos.
**Contexto**
O aumento dos incêndios no Amazonas não é um fenômeno isolado. Ele está diretamente ligado ao ciclo de seca extrema que atinge a Amazônia Legal desde meados de 2025. A redução das chuvas, agravada por mudanças climáticas e pelo desmatamento, cria condições propícias para a propagação do fogo — muitas vezes iniciado por práticas ilegais de limpeza de pastagens e grilagem de terras. Segundo o INPE, o acumulado de focos de queimadas no bioma Amazônia entre janeiro e setembro de 2026 superou o registrado no mesmo período do ano anterior, com destaque para o Amazonas, que saltou da quarta para a segunda posição entre os estados com mais ocorrências, atrás apenas do Pará.
O governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e do Corpo de Bombeiros, intensificou o combate aos focos ativos, mas enfrenta dificuldades logísticas devido à vastidão territorial e à falta de infraestrutura. A Operação Temporã de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, iniciada em julho, conta com o apoio de brigadas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Prevfogo, além de aeronaves da Força Aérea Brasileira. No entanto, o número de brigadistas ainda é insuficiente para cobrir as áreas mais remotas, onde as estradas se tornam intransitáveis na estiagem.
Paralelamente, a seca dos rios agrava a crise. O Rio Negro, em Manaus, atingiu a cota mais baixa já registrada em setembro, comprometendo o abastecimento de água e o transporte de suprimentos para comunidades ribeirinhas. A combinação de fogo e estiagem eleva o risco de incêndios de grandes proporções, similares aos que devastaram regiões do Pantanal nos anos anteriores.
**Análise**
A situação dos incêndios no Amazonas não é apenas um problema ambiental; ela tem repercussões diretas na saúde pública, na economia local e na imagem internacional do Brasil. A exposição prolongada à fumaça provoca aumento de doenças respiratórias, especialmente entre crianças e idosos, sobrecarregando o sistema de saúde de municípios como Lábrea, Apuí e Manicoré. Além disso, as queimadas comprometem a produção agrícola e o extrativismo, base econômica de milhares de famílias.
No plano externo, o recrudescimento dos incêndios reacende críticas de governos e organizações não governamentais à política ambiental brasileira. A União Europeia e os Estados Unidos já sinalizaram que o aumento do desmatamento pode afetar acordos comerciais, como o do Mercosul. Embora o governo federal tenha anunciado medidas como o fortalecimento do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), especialistas apontam que a implementação ainda é lenta e carece de recursos efetivos.
Outro ponto central é a relação entre os incêndios e a expansão da fronteira agrícola. A pressão sobre terras públicas e unidades de conservação segue alta, alimentada pela grilagem e pela especulação. O governo do Amazonas criou, em 2025, o Comitê Estadual de Gestão Integrada de Riscos e Desastres, mas as ações de fiscalização, quando ocorrem, muitas vezes são tardias. O desmatamento ilegal continua sendo a principal causa das queimadas, e a impunidade ainda é um obstáculo.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) por meio do programa Queimadas, relatórios do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), comunicados oficiais do Governo do Estado do Amazonas (Secretaria de Meio Ambiente e Corpo de Bombeiros), e publicações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Não foram utilizados números não verificados ou declarações atribuídas a fontes anônimas.
Por Renan Filho · 2026-10-12