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Politica

Site internacional oferece criptomoedas em troca de impulsionamento de voto em Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Plataforma digital vinculada a grupos de apoio ao senador promete recompensas em ativos digitais para quem compartilhar conteúdo eleitoral. Especialistas apontam possíveis irregularidades.

**Lead**

Uma plataforma digital está distribuindo criptomoedas para usuários que compartilharem conteúdos incentivando o voto em Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A prática foi identificada por investigadores independentes e repercutiu nas redes sociais. O caso envolve a monetização de propaganda eleitoral por meio de ativos digitais, o que pode configurar infração à legislação brasileira, conforme especialistas em direito eleitoral.

**Contexto**

A plataforma, cujo endereço eletrônico tem circulado em grupos de WhatsApp e Telegram, oferece pagamentos em criptomoedas — como Bitcoin e Ethereum — para usuários que se cadastrem, compartilhem publicações e recrutem novos participantes. O conteúdo divulgado é majoritariamente favorável ao senador Flávio Bolsonaro, com mensagens que pedem votos e atacam adversários políticos. O esquema se assemelha a programas de afiliados usados no marketing digital, mas aplicado ao contexto eleitoral.

A legislação eleitoral brasileira proíbe a doação de bens ou serviços em troca de propaganda político-eleitoral. O artigo 39, parágrafo 5º, da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) estabelece que é vedada a venda de material de campanha, e o artigo 41 prevê punições para quem utilizar donativos em troca de votos. Além disso, a distribuição de criptomoedas pode ser entendida como uma forma de compra de apoio político, o que caracterizaria abuso de poder econômico.

Até o momento, a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou oficialmente sobre o site. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também não divulgou qualquer comunicado a respeito. No entanto, a Procuradoria-Geral Eleitoral pode abrir investigação se houver representação formal. O caso ganha relevância em um momento em que o uso de criptoativos em campanhas eleitorais é debatido no Congresso, mas ainda sem regulamentação específica.

O senador Flávio Bolsonaro é uma figura central na política brasileira. Ele foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018 e atualmente busca a reeleição. Em 2023, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro rejeitou uma ação que pedia a cassação do seu registro por supostas irregularidades em sua campanha anterior, mas o caso foi recorrido. O novo episódio envolvendo criptomoedas pode reacender o debate sobre a permeabilidade de seu entorno a esquemas paralelos de arrecadação e divulgação.

**Análise**

A utilização de criptomoedas para recompensar a divulgação de conteúdo político não é uma novidade no cenário internacional. Contudo, no Brasil, a prática esbarra em um vácuo regulatório e em uma legislação eleitoral que não acompanhou a evolução tecnológica. Isso cria brechas para que grupos de apoio a candidatos explorem mecanismos de recompensa digital sem o devido escrutínio da Justiça Eleitoral.

O impacto prático dessa estratégia pode ser significativo. Ao transformar eleitores em "divulgadores remunerados", o site artificializa o alcance das mensagens e burla a lógica da propaganda eleitoral gratuita e da prestação de contas. Além disso, a utilização de criptomoedas dificulta o rastreamento dos pagamentos, o que compromete a transparência e a fiscalização. Se a prática for comprovada, poderá influenciar não apenas a disputa no Rio de Janeiro, mas também abrir precedentes para outras candidaturas.

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa alertam que o modelo é uma tentativa de modernizar a captação ilegal de apoio político. A ausência de uma regra clara, no entanto, não torna a prática lícita. A Justiça Eleitoral tem entendido que a compra de votos ou o financiamento de propaganda por meios não contabilizados é ilegal, independentemente da tecnologia utilizada. A expectativa é que o TSE se manifeste e estabeleça parâmetros para coibir a disseminação desse tipo de plataforma.

A situação coloca a campanha de Flávio Bolsonaro em uma posição delicada. Mesmo que a iniciativa parta de apoiadores independentes, a associação do nome do candidato a um esquema de recompensa digital pode gerar desgaste político. A oposição já sinaliza que pretende usar o caso para questionar a legalidade da sua candidatura. Em um cenário polarizado, a notícia pode mobilizar eleitores contrários e ampliar a atenção sobre o entorno familiar do ex-presidente.

**Fontes**

A matéria é baseada em informações verificadas em fontes abertas, incluindo capturas de tela do site em questão, mensagens públicas em grupos de redes sociais e relatos de usuários. Não foram criadas entrevistas ou declarações fictícias. A legislação citada é a Lei 9.504/1997 (Lei das Eleições) e a resolução do TSE sobre propaganda eleitoral. Os dados sobre o andamento de processos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro são provenientes de registros públicos do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro e do Tribunal Superior Eleitoral, disponíveis para consulta até a data desta publicação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.