A notícia veiculada pelo Painel, da Folha de S.Paulo, expõe um fato que deveria envergonhar qualquer gestão que se diga comprometida com a impessoalidade e a eficiência do setor público: servidores da Prefeitura de São Paulo foram mobilizados para participar de um ato de campanha de Regina Nunes, esposa do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que disputa a reeleição. A convocação, segundo o Painel, partiu de dentro da própria administração municipal, utilizando canais oficiais e redes internas de comunicação para garantir a presença de funcionários no evento.
O episódio, ocorrido em pleno período eleitoral, não é apenas um deslize ético: é uma violação frontal do princípio constitucional da impessoalidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal. Servidores públicos não são cabos eleitorais. A máquina pública não existe para servir a projetos pessoais ou familiares de quem ocupa o poder. Quando a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, permite ou até incentiva que seus funcionários participem de atos de campanha da primeira-dama, ela transforma o erário e o tempo de trabalho em moeda eleitoral.
O caso ganha contornos ainda mais graves quando se considera o contexto econômico da cidade. São Paulo enfrenta déficits orçamentários recorrentes, cortes em serviços essenciais e uma dívida pública que ultrapassa R$ 130 bilhões. Enquanto isso, a gestão municipal encontra tempo e recursos para organizar eventos de campanha com a participação de servidores, muitos deles em horário de expediente. O cidadão paulistano, que paga uma das cargas tributárias mais altas do país, tem o direito de exigir que cada hora trabalhada pelo funcionalismo seja dedicada à melhoria da cidade, não à promoção eleitoral da família do prefeito.
Do ponto de vista liberal-conservador, a questão não é apenas jurídica, mas também moral e econômica. O Estado mínimo que defendemos não é apenas aquele que gasta pouco; é aquele que respeita a separação entre o público e o privado, entre o interesse coletivo e o interesse pessoal. Quando um gestor usa a estrutura pública para beneficiar sua família, ele corrompe a confiança no mercado político e no próprio capitalismo democrático, que depende de regras claras e de competição justa. A política não pode ser tratada como um negócio de família, onde o patrimônio público é o balcão de atendimento.
A convocação de servidores para atos de campanha também revela uma cultura de patrimonialismo que insiste em sobreviver no Brasil, mesmo após décadas de avanços institucionais. Essa cultura é o oposto do que pregamos: meritocracia, eficiência, transparência e respeito ao contribuinte. O servidor público que é coagido a participar de um ato político pode até não ser demitido por se recusar, mas sabe que sua carreira pode ser prejudicada. Essa é uma forma sutil de assédio moral e de desvio de finalidade que precisa ser investigada com rigor pelo Ministério Público Eleitoral e pela Justiça Eleitoral.
É importante destacar que a notícia não é uma invenção da oposição nem um factóide da imprensa. O Painel é um dos mais respeitados espaços de informação política do país, e a reportagem cita fontes diretas, com nomes e cargos, além de mensagens internas obtidas pela coluna. Não se trata de narrativa, mas de fato. E é sobre fatos que devemos debater.
A campanha de Ricardo Nunes, até aqui, tentou se apresentar como uma gestão de continuidade e de estabilidade. Mas episódios como esse mostram que a estabilidade que interessa ao prefeito é a do próprio poder, não a das contas públicas ou a da qualidade dos serviços. Enquanto a cidade enfrenta problemas crônicos de mobilidade, saúde e habitação, a prioridade da gestão parece ser eleitoral. Isso é um tiro no pé de qualquer discurso de eficiência.
Para o liberal-conservador, a solução não é apenas punir os envolvidos, mas repensar as estruturas que permitem esse tipo de abuso. Precisamos de leis mais duras contra o uso da máquina pública em campanhas, de mecanismos de controle mais eficazes e de uma cultura política que valorize a impessoalidade como valor supremo. O servidor público deve ser protegido contra qualquer tipo de constrangimento político, e o cidadão deve ser protegido contra o uso indevido de seus impostos.
A pergunta que fica é: quantos outros casos como esse já ocorreram silenciosamente? Quantos servidores foram constrangidos a participar de eventos, a distribuir material de campanha, a usar o horário de trabalho para atividades político-partidárias? A transparência é o primeiro passo. O segundo é a punição exemplar. O terceiro é a mudança cultural.
Não podemos aceitar que a política seja tratada como um feudo. A cidade de São Paulo merece mais. O Brasil merece mais. E é por isso que o FORTIS NEWS continuará vigilante, cobrando das autoridades a apuração rigorosa deste caso e de todos os outros que envolvam o uso da máquina pública em benefício privado.
Abaixo, respondemos às principais perguntas sobre o caso, para que o leitor tenha uma visão clara e completa do assunto.
Por Renan Filho · 2026-09-27