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A discussão sobre uma eventual reformulação da Série A do Campeonato Brasileiro voltou a colocar Goiânia, Caxias do Sul e Novo Horizonte como potenciais praças da elite do futebol nacional. Embora não haja definição oficial sobre mudanças no regulamento para as próximas temporadas, a simples possibilidade de essas cidades receberem jogos da primeira divisão levanta questões práticas que vão muito além das quatro linhas: logística de viagens, segurança pública, infraestrutura hoteleira, deslocamento de torcidas e impacto econômico local.
**Contexto**
Goiânia não é uma novata no cenário nacional. A capital de Goiás já foi palco de jogos da Série A em diversas temporadas, com clubes como Goiás Esporte Clube, Atlético Clube Goianiense e Vila Nova Futebol Clube alternando presenças na primeira divisão. A cidade tem dois grandes estádios — o Estádio Serra Dourada e o Estádio Antônio Accioly — e uma torcida historicamente apaixonada. Em uma futura Série A com mais clubes ou com viagens regionais otimizadas, Goiânia se beneficiaria por sua posição central no país, reduzindo distâncias médias para vários estados. No entanto, a mobilidade urbana e a dependência do transporte rodoviário para acesso aos estádios seguem como pontos de atenção.
Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, vive situação diferente. A cidade é sede do Esporte Clube Juventude, clube que já disputou a elite nacional e chegou a conquistar destaque com a Copa do Brasil. A proximidade com Porto Alegre e a tradição de torcidas organizadas dão à cidade uma identidade forte no futebol da Região Sul. Em um eventual cenário de Série A com mais participantes, Caxias precisaria lidar com a logística de delegações que viajam de outras regiões. A malha rodoviária local é razoável, mas não há aeroporto com voos comerciais regulares de grande porte; a alternativa mais próxima seria o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, ou o aeroporto de Caxias, que atende apenas voos regionais e executivos. Isso significaria custos maiores para clubes e imprensa, além de deslocamentos terrestres mais longos.
Novo Horizonte é o caso mais simbólico. A cidade do interior paulista tem uma população estimada em torno de 40 mil habitantes e uma história recente de ascensão no futebol nacional, impulsionada pelo Grêmio Novorizontino, que chegou a disputar a Série B e a Série C com boas campanhas. O Estádio Jorge Ismael de Biasi passou por reformas e tem capacidade para um público relativamente pequeno. Uma eventual Série A com Novo Horizonte representaria um desafio enorme em termos de infraestrutura urbana: a cidade não está preparada para receber grandes fluxos de torcedores, jornalistas e delegações. A rede hoteleira é limitada, e a cidade depende de centros próximos como São José do Rio Preto para hospedagem e serviços mais complexos.
**Análise**
A inclusão de praças menores em uma liga nacional de elite teria um efeito econômico relevante, mas desigual. Por um lado, uma partida de Série A pode injetar renda temporária em comércio, bares, restaurantes e transporte local. Por outro, a ausência de infraestrutura consolidada pode elevar os custos operacionais dos clubes visitantes e reduzir o conforto de torcedores que viajam de outras regiões. Em Goiânia, a estrutura existente já absorve bem o fluxo de grandes jogos; em Caxias do Sul, a experiência com a Série A no passado reduziu parte dos atritos, mas a distância das capitais ainda pesa. Em Novo Horizonte, o impacto seria desproporcional: a cidade precisaria de investimentos urgentes em mobilidade, segurança e hospedagem para sediar partidas com padrão exigido pela televisão e pela CBF.
Outro ponto é a questão logística no calendário. Uma Série A com times de Goiânia, Caxias e Novo Horizonte aumentaria as distâncias médias percorridas pelas delegações, especialmente em meio a partidas no meio de semana. Isso afeta diretamente o desempenho físico dos atletas e a programação das equipes, que precisariam de mais tempo de deslocamento e descanso. Para o torcedor visitante, a falta de voos diretos para cidades como Caxias e Novo Horizonte pode desestimular o comparecimento, reduzindo a atmosfera dos estádios e a receita de bilheteria. Em contrapartida, a transmissão televisiva e o apelo de histórias regionais podem ampliar a audiência em nichos específicos, como ocorre em ligas nacionais de países de grande extensão territorial.
**Fontes**
As informações sobre a estrutura das cidades e clubes mencionados têm como base dados públicos de prefeituras, federações estaduais e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A capacidade dos estádios e o histórico de participação em competições nacionais são registros oficiais amplamente divulgados. A análise sobre logística e impacto econômico utiliza referências de estudos de mobilidade urbana e planejamento esportivo, sem citar números específicos não verificados.
Por Renan Filho · 2026-10-15