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Economia

Série A no Brasil: como a elite do futebol pode transformar Goiânia, Caxias e Novo Horizonte em polos econômicos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

A presença de clubes como Atlético-GO, Juventude e a possível estreia de um time de Novo Horizonte na Série A promete movimentar bilhões em receitas, empregos e infraestrutura urbana, com efeitos diretos no comércio, turismo e mercado imobiliário das três cidades.

**Lead**

A disputa pela Série A do Campeonato Brasileiro deixou de ser apenas uma questão esportiva para se tornar um vetor de desenvolvimento econômico em cidades médias e grandes do país. Em Goiânia, Caxias do Sul e Novo Horizonte, a presença ou a chegada de clubes na elite nacional projeta um impacto direto sobre a arrecadação municipal, o comércio local, o mercado de trabalho e até o setor imobiliário. O que antes era visto como gasto público com estádios e segurança agora é tratado por gestores e especialistas como investimento com retorno mensurável, especialmente em um cenário de profissionalização das SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) e de novas regras de distribuição de receitas de TV.

**Contexto**

Goiânia, capital de Goiás, já vive essa realidade com o Atlético-GO e o Vila Nova, mas é o primeiro que desponta como principal motor econômico. O clube, que recentemente consolidou sua posição na elite, tem utilizado o estádio Antônio Accioly como palco de partidas que atraem torcedores de todo o estado. A cada rodada, a cidade recebe um fluxo extra de visitantes que movimentam hotéis, bares, restaurantes e o transporte por aplicativo. Segundo dados públicos da prefeitura, eventos esportivos de grande porte geram um aumento médio de 15% no faturamento do setor de alimentação fora do lar nos dias de jogos, um número que tende a crescer com a permanência na Série A.

Em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, o Juventude é o protagonista. O clube, que alterna entre a elite e a Série B, sabe que cada temporada na primeira divisão representa um acréscimo significativo na receita. Além da cota de TV, que é a maior fonte de renda dos clubes, a permanência na Série A atrai patrocinadores nacionais e internacionais, aumenta a venda de produtos licenciados e fortalece a marca da cidade como destino de turismo esportivo. A prefeitura local já estuda melhorias na mobilidade urbana ao redor do Estádio Alfredo Jaconi, incluindo a ampliação de linhas de ônibus e a criação de estacionamentos rotativos, medidas que beneficiam diretamente o comércio de bairros vizinhos.

Já Novo Horizonte, município do interior de São Paulo com pouco mais de 40 mil habitantes, vive uma expectativa inédita. O Novo Horizontino, clube que vem crescendo nas divisões de acesso, sonha com uma vaga na Série A pela primeira vez em sua história. Caso o acesso se confirme, a cidade precisará se adaptar a uma realidade completamente nova: receber delegações, imprensa e torcedores de todo o Brasil. A infraestrutura hoteleira, hoje limitada, teria que ser ampliada, e o estádio municipal, que hoje comporta poucos milhares de pessoas, precisaria passar por reformas para atender aos padrões da CBF. Esse cenário, embora desafiador, é visto por economistas locais como uma oportunidade única de colocar o município no mapa nacional e atrair investimentos privados.

**Análise**

O impacto econômico da Série A vai muito além das bilheterias. Estudos recentes sobre o futebol brasileiro indicam que cada clube na elite gera, em média, centenas de empregos diretos e indiretos, entre seguranças, vendedores ambulantes, equipes de manutenção e profissionais de marketing. Em cidades como Goiânia, que já possui uma economia diversificada, o futebol funciona como um catalisador para setores como o de serviços e o de tecnologia, já que os clubes investem cada vez mais em análise de dados e transmissão digital. Em Caxias, a tradição industrial da cidade se mistura ao esporte, criando um ecossistema de patrocínios cruzados entre empresas locais e o clube, o que fortalece a identidade regional e gera um ciclo virtuoso de consumo.

Para Novo Horizonte, o salto seria ainda mais significativo. A entrada na Série A representaria um aumento exponencial na visibilidade da cidade, que passaria a ser citada na mídia nacional durante todo o ano. Isso atrai não apenas torcedores, mas também investidores interessados em projetos imobiliários e comerciais. A valorização de terrenos próximos ao estádio e a possibilidade de criação de um centro de treinamento moderno são ativos que podem transformar a economia local. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de planejamento de longo prazo: sem uma gestão financeira responsável, o sonho do acesso pode virar um pesadelo de dívidas, como já ocorreu com diversos clubes no passado.

A tendência é que a Série A se torne cada vez mais um produto econômico, com a venda de direitos de transmissão para plataformas de streaming e a internacionalização da marca. Nesse contexto, cidades que souberem aproveitar o momento podem colher benefícios por décadas. Goiânia, Caxias e Novo Horizonte representam três realidades distintas, mas todas com potencial de crescimento. A diferença está na capacidade de gestão pública e privada de transformar o futebol em política de desenvolvimento sustentável.

**Fontes**

As informações foram baseadas em dados públicos de prefeituras municipais, relatórios de impacto econômico de eventos esportivos divulgados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e análises de mercado publicadas por veículos especializados em economia do esporte. Não foram utilizadas fontes confidenciais ou não verificáveis.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.