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Internacional

Painel: Senadores poderão destinar até R$ 1,3 bilhão em emendas ao longo do mandato, diz levantamento

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Levantamento inédito do Congresso em Foco revela que cada senador terá direito a um montante recorde de recursos para emendas individuais e de bancada nos próximos oito anos, ampliando o poder de barganha no Planalto.

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Um novo levantamento do portal Congresso em Foco, divulgado nesta quinta-feira (3), aponta que cada senador brasileiro poderá administrar até R$ 1,3 bilhão em emendas parlamentares ao longo de seu mandato de oito anos. O valor, que representa um recorde histórico, inclui tanto as emendas individuais impositivas quanto as de bancada estadual e as de comissão, todas com execução obrigatória pelo Executivo. O estudo revela que, somadas, as 81 cadeiras do Senado poderão movimentar cerca de R$ 105 bilhões durante a legislatura 2023-2030, um montante que supera o orçamento de diversos ministérios.

**Contexto**

As emendas parlamentares são instrumentos por meio dos quais deputados e senadores indicam a destinação de recursos do Orçamento da União para obras, projetos e programas em suas bases eleitorais. Desde a promulgação da Emenda Constitucional 86/2015, as emendas individuais tornaram-se impositivas, ou seja, o governo federal é obrigado a executá-las, salvo contingenciamento por meta fiscal. No caso dos senadores, cada um tem direito a uma cota anual que, em 2024, alcançou aproximadamente R$ 38 milhões por senador, valor que, corrigido pela inflação e somado ao longo de oito anos, atinge a casa de R$ 1,3 bilhão.

O levantamento considera também as emendas de bancada — aquelas destinadas a projetos de interesse de cada estado — e as emendas de comissão, que passaram a ganhar relevância após o fortalecimento do chamado “orçamento secreto”, posteriormente restringido por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2023, o STF declarou inconstitucionais as emendas de relator (RP 9) e impôs maior transparência às demais modalidades. Ainda assim, a fatia dos senadores manteve-se robusta, com previsão de crescimento real impulsionado pelo aumento do teto de gastos e pela vinculação das despesas ao Produto Interno Bruto (PIB).

**Análise**

O poder de fogo orçamentário dos senadores tem impacto direto na dinâmica política do país. Cada parlamentar, ao controlar uma quantidade expressiva de recursos, torna-se um ator central na relação com prefeitos, governadores e setores produtivos locais. Esse fenômeno, conhecido como “presidencialismo de coalizão”, é alimentado pela capacidade de distribuição de emendas como moeda de troca para aprovação de pautas do governo no Congresso. Segundo analistas ouvidos pela imprensa nacional, o montante recorde pode intensificar a competição entre os senadores por cargos na Mesa Diretora e nas comissões, além de aumentar a pressão sobre o Executivo para liberar os recursos dentro do cronograma eleitoral.

A concentração de R$ 1,3 bilhão por senador também levanta questões sobre a transparência e o controle social. Embora o Portal da Transparência e os sistemas do Senado Federal permitam rastrear cada emenda, a complexidade dos códigos orçamentários e a multiplicidade de autores dificultam o monitoramento por parte da sociedade civil. Organizações como a Transparência Brasil e a Contas Abertas têm alertado para o risco de clientelismo e de desvio de finalidade, especialmente em ano pré-eleitoral. A discussão sobre o tamanho do orçamento impositivo deve pautar o debate da reforma política no próximo biênio.

**Fontes**

Levantamento do portal Congresso em Foco, com base nos dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP) e nas planilhas de execução orçamentária do Congresso Nacional, publicadas em outubro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.