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Tecnologia

Senador eleito mais jovem da história defende voto impresso e reacende debate sobre segurança eleitoral

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-10

O político, ex-aliado do bolsonarismo, tornou-se o mais jovem a ocupar uma cadeira no Senado e já sinalizou que pretende pautar a volta do voto impresso no Brasil, medida que opõe especialistas em tecnologia e autoridades eleitorais.

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O senador eleito mais jovem da história do Brasil, ex-integrante da base bolsonarista, declarou publicamente seu apoio à implementação do voto impresso nas eleições brasileiras. A posição, manifestada logo após a confirmação de sua vitória nas urnas, reacende o debate sobre a segurança e a transparência do sistema eletrônico de votação adotado no país desde 1996. A proposta, que já foi derrotada no Congresso em anos anteriores, ganha novo fôlego com a chegada de um parlamentar de perfil técnico e forte apelo popular.

**Contexto**

O sistema eletrônico de votação brasileiro é referência internacional por sua agilidade e confiabilidade. Desde a implementação das urnas eletrônicas, o país não registra fraudes comprovadas em larga escala, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) defende o modelo como seguro e auditável. No entanto, críticos apontam a falta de um comprovante físico que permita a recontagem manual dos votos como uma vulnerabilidade. O voto impresso, que já foi testado em algumas eleições municipais no início dos anos 2000, foi abandonado por gerar altos custos e problemas logísticos, além de aumentar o risco de violação dos lacres.

O novo senador, que aos 35 anos — idade mínima constitucional para o cargo — se torna o mais jovem a tomar posse no Senado Federal, construiu sua carreira política alinhado ao discurso de desconfiança em relação às urnas eletrônicas. Durante a campanha, ele defendeu a adoção de um sistema híbrido, no qual o eleitor registraria o voto eletronicamente, mas receberia um comprovante impresso para conferência e posterior auditoria. A proposta, embora popular entre parte do eleitorado, enfrenta resistência técnica e política.

Especialistas em segurança da informação apontam que o voto impresso não elimina riscos de fraude, podendo inclusive introduzir novos problemas, como a violação de cédulas e a dificuldade de armazenamento. Estudos realizados por universidades brasileiras indicam que o sistema eletrônico atual possui camadas de auditoria — como o Registro Digital do Voto (RDV) e a assinatura digital — que permitem a verificação sem a necessidade de papel. O TSE também argumenta que a impressão do voto quebra o sigilo do sufrágio, uma vez que o eleitor poderia ser coagido a mostrar o comprovante.

**Análise**

A defesa do voto impresso pelo senador eleito mais jovem da história insere-se em um movimento global de questionamento dos sistemas eletrônicos de votação. Países como os Estados Unidos e a Alemanha já debateram a segurança de suas urnas, e alguns adotaram sistemas com comprovante físico. No Brasil, a polarização política transformou a discussão técnica em um campo de batalha ideológico. A proposta, que antes era restrita a círculos de especialistas, ganhou força entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que questionaram a lisura do pleito de 2022 sem apresentar provas.

Do ponto de vista tecnológico, a implementação do voto impresso exigiria uma revisão profunda do parque de urnas eletrônicas, que hoje somam mais de 500 mil equipamentos. O custo estimado para adaptação ou substituição seria bilionário, e o prazo de implantação, de pelo menos dois anos. Além disso, a logística de distribuição, coleta e armazenamento de milhões de cédulas impressas representaria um desafio operacional para a Justiça Eleitoral, especialmente em regiões remotas da Amazônia.

A chegada do novo senador ao Congresso pode reabrir a tramitação de projetos de lei que tratam do tema. Em 2021, a Câmara dos Deputados aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que obrigava a impressão do voto, mas o texto foi rejeitado pelo Senado. Agora, com um defensor declarado na Casa, a pressão por uma nova votação deve aumentar. Analistas políticos avaliam que, mesmo que a proposta avance, o presidente da República e o TSE devem resistir, citando a segurança do sistema atual e o risco de retrocesso democrático.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reportagens de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, e análises de especialistas em segurança cibernética e sistemas eleitorais, como o professor Diego Aranha, da Universidade de Campinas (Unicamp), que estuda vulnerabilidades em urnas eletrônicas. Não foram utilizados números ou porcentagens que não pudessem ser verificados em fontes abertas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.