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O Senado Federal promulgará nesta sexta-feira, em sessão solene no Plenário, a lei que põe fim à escala de trabalho 6x1 no Brasil — regime no qual o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga apenas um. A nova legislação, aprovada pelo Congresso Nacional nas últimas semanas, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e estabelece um limite máximo de cinco dias consecutivos de trabalho, com folga mínima de dois dias por semana. A medida é apresentada como uma conquista para a segurança do trabalhador, já que jornadas extenuantes estão associadas a maiores índices de acidentes de trabalho, doenças cardiovasculares e transtornos mentais.
**Contexto**
A escala 6x1 é uma das mais comuns em setores como comércio varejista, serviços de alimentação, limpeza urbana, segurança privada e indústria de turnos. Estima-se que milhões de brasileiros ainda estejam submetidos a esse regime, que obriga o trabalhador a cumprir 44 horas semanais com apenas um dia de descanso. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que jornadas superiores a 48 horas semanais aumentam em mais de 30% o risco de acidentes fatais no trabalho. No Brasil, dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que os setores com maior incidência de escalas 6x1 também lideram os registros de afastamentos por LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares) e de acidentes típicos.
O projeto de lei que deu origem à nova norma tramitou por mais de dois anos no Congresso. A proposta original, apresentada por parlamentares da base governista, foi amplamente debatida em audiências públicas que reuniram representantes de centrais sindicais, confederações patronais e especialistas em medicina do trabalho. Após negociações, o texto final estabelece um período de transição de 18 meses para que as empresas se adaptem, especialmente as micro e pequenas empresas, que poderão solicitar prazo adicional mediante acordo coletivo. A promulgação pelo Senado é o último passo formal antes da sanção presidencial, que deve ocorrer nos próximos dias.
A escala 6x1 sempre foi alvo de críticas de entidades ligadas à saúde do trabalhador. A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) já havia se manifestado publicamente contra o regime, apontando que a recuperação fisiológica e psicológica em apenas 24 horas é insuficiente para a maioria dos trabalhadores. A nova lei também prevê que os dias de folga devem ser preferencialmente consecutivos, garantindo um descanso mais prolongado. Além disso, a legislação estabelece que o trabalhador não pode ser convocado para horas extras no dia anterior à folga, salvo em situações de força maior.
**Analise**
A extinção da escala 6x1 representa uma mudança estrutural no mercado de trabalho brasileiro, com impactos diretos na segurança ocupacional. Jornadas longas e com pouca folga estão associadas a fadiga crônica, redução da capacidade de atenção e aumento de erros operacionais — fatores que elevam o risco de acidentes em ambientes industriais, no trânsito e em serviços que exigem vigilância constante. Ao garantir dois dias de descanso por semana, a nova lei busca alinhar o Brasil a padrões adotados por países como França, Alemanha e Japão, onde a jornada máxima semanal é de 40 horas e o descanso mínimo é de 48 horas consecutivas.
Do ponto de vista econômico, a transição para o novo regime pode gerar custos de adaptação para as empresas, especialmente nos setores de comércio e serviços, que dependem de escalas contínuas para funcionar nos fins de semana. No entanto, estudos de produtividade indicam que trabalhadores com melhor descanso tendem a ser mais eficientes e a cometer menos erros, o que pode compensar o aumento de contratações ou a reorganização de turnos. A segurança pública também pode ser beneficiada indiretamente: trabalhadores menos exaustos têm menor propensão a acidentes de trânsito no trajeto casa-trabalho e a conflitos interpessoais decorrentes do estresse laboral.
A promulgação desta sexta-feira ocorre em um momento em que o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganha força globalmente. A pandemia de COVID-19 acelerou discussões sobre qualidade de vida e saúde mental no trabalho, e diversos países experimentam modelos de semana de quatro dias. No Brasil, a nova lei é vista como um primeiro passo para uma revisão mais ampla da CLT, que ainda permite jornadas de até 44 horas semanais. Especialistas em segurança do trabalho alertam, porém, que a eficácia da medida dependerá da fiscalização e da capacidade do Ministério do Trabalho de garantir o cumprimento dos novos limites.
**Fontes**
- Senado Federal – Sessão de promulgação da lei que extingue a escala 6x1. - Ministério do Trabalho e Emprego – Dados sobre acidentes de trabalho e afastamentos por setor. - Organização Internacional do Trabalho (OIT) – Estudos sobre jornada de trabalho e segurança ocupacional. - Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) – Posicionamento sobre escalas extenuantes.
Por Renan Filho · 2026-10-15