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O Senado do Paraguai negou, nesta quinta-feira (5), o pedido de prorrogação do prazo para conclusão do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A decisão, tomada por maioria dos senadores presentes, encerra de forma definitiva a tentativa de afastamento do chefe de Estado, que vinha sendo articulada por setores da oposição desde outubro. O desfecho é recebido com alívio por agentes econômicos dos dois lados da fronteira, especialmente no Brasil, maior parceiro comercial e investidor no Paraguai.
**Contexto**
O pedido de impeachment contra Peña foi apresentado em outubro de 2026, sob a acusação de supostas irregularidades na renegociação do Tratado de Itaipu e na gestão de recursos do Fundo para o Desenvolvimento Nacional. A oposição argumentava que o presidente teria violado a Lei de Responsabilidade Fiscal ao autorizar gastos sem autorização legislativa. A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo, encaminhando-o ao Senado, que funciona como tribunal de julgamento.
O regimento interno do Senado prevê um prazo de 90 dias para a conclusão do julgamento, contados a partir da instalação da comissão processante. Esse prazo expiraria no início de novembro. A oposição solicitou uma prorrogação de mais 60 dias, alegando necessidade de ouvir testemunhas e peritos. No entanto, a base governista, que conta com maioria folgada na Casa, articulou a rejeição do pedido. Com a negativa, o processo é arquivado e Peña permanece no cargo sem qualquer restrição.
A decisão ocorre em um momento de tensão política na região. O Paraguai enfrenta pressões internas por reformas tributárias e ajustes fiscais, enquanto o governo brasileiro, sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva, busca consolidar acordos de infraestrutura e energia com o país vizinho. A estabilidade política paraguaia é considerada essencial para a continuidade de projetos como a modernização da usina hidrelétrica de Itaipu Binacional e a pavimentação da rota bioceânica, que liga o Atlântico ao Pacífico.
**Análise**
A rejeição da prorrogação do impeachment elimina, ao menos no curto prazo, o risco de uma crise institucional que poderia paralisar decisões econômicas estratégicas. Para o Brasil, a notícia é particularmente relevante. O Paraguai é o quarto maior destino das exportações brasileiras de manufaturados na América do Sul, e empresas brasileiras como a construtora Odebrecht (atual Novonor), a mineradora Vale e a siderúrgica Gerdal mantêm operações significativas no país. A incerteza política costuma adiar investimentos e dificultar a aprovação de marcos regulatórios.
No campo energético, a usina de Itaipu responde por cerca de 10% da energia consumida no Brasil e por mais de 80% da eletricidade do Paraguai. A renegociação do Anexo C do tratado, que define as condições de comercialização do excedente energético, estava paralisada enquanto o impeachment tramitava. Com o arquivamento, as negociações devem ser retomadas, abrindo caminho para um novo acordo que pode elevar a receita do Paraguai e garantir preços mais estáveis para o Brasil.
Do ponto de vista fiscal, a permanência de Peña no cargo permite a continuidade do programa de ajuste fiscal iniciado em 2025, que incluiu a redução de subsídios e a reforma da previdência social. O Fundo Monetário Internacional (FMI) havia sinalizado que a instabilidade política poderia comprometer a terceira revisão do acordo stand-by firmado com o Paraguai. A decisão do Senado afasta esse risco e mantém o país na rota de acesso a linhas de crédito internacionais.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de comunicados oficiais do Senado do Paraguai, transmitidos pela agência de notícias estatal IP Paraguay, e de relatos da imprensa local, como os jornais ABC Color e Última Hora. Dados sobre comércio bilateral e investimentos foram extraídos de relatórios do Ministério da Economia do Brasil e do Banco Central do Paraguai. A análise de impacto fiscal baseia-se em notas técnicas do FMI divulgadas em outubro de 2026.
Por Renan Filho · 2026-11-06