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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o projeto de lei que põe fim à escala de trabalho 6x1 — seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um de descanso. A medida, uma das bandeiras mais emblemáticas do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, foi aprovada por ampla maioria e segue agora para sanção presidencial. A votação ocorre em meio ao aquecimento da campanha eleitoral para 2026, na qual Lula busca a reeleição. A aprovação é vista por analistas como um trunfo político capaz de consolidar o apoio de sindicatos e movimentos sociais, base histórica do petista.
**Contexto**
A escala 6x1 é um regime de jornada que exige do trabalhador seis dias de trabalho por um de folga, comum em setores como comércio, serviços e indústria. Críticos apontam que o modelo compromete a qualidade de vida, a saúde mental e o convívio familiar. O projeto aprovado no Senado estabelece um prazo de transição de dois anos para que empresas se adaptem a novas regras, que preveem jornadas máximas de 44 horas semanais distribuídas em até cinco dias, com dois dias de descanso consecutivos.
A tramitação foi acelerada após o governo Lula classificar a proposta como prioritária. Na Câmara dos Deputados, o texto foi aprovado em setembro com apoio de partidos da base aliada e de setores do centro. No Senado, a discussão foi marcada por embates entre a oposição, que argumentava aumento de custos para empregadores, e a base governista, que defendia a modernização das relações trabalhistas. Relatores do projeto destacaram estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que indicam potencial de geração de novos postos de trabalho com a redução da jornada.
A aprovação ocorre em um momento em que a popularidade de Lula oscila, segundo pesquisas de opinião. Embora os números exatos não sejam divulgados, institutos apontam tendência de recuperação da aprovação do governo entre trabalhadores de baixa renda, justamente o público mais impactado pela escala 6x1. A medida também dialoga com promessas de campanha de Lula em 2022, quando ele defendeu a redução da jornada sem redução salarial.
**Análise**
A aprovação do fim da escala 6x1 representa mais do que uma vitória legislativa para o governo Lula. Ela reforça a narrativa de que o presidente está comprometido com pautas trabalhistas históricas, em contraste com a gestão anterior, que promoveu a reforma trabalhista de 2017. Para a campanha de reeleição, o projeto funciona como um catalisador de engajamento entre sindicatos, centrais sindicais e movimentos sociais — atores fundamentais na mobilização de base eleitoral.
Do ponto de vista econômico, a transição de dois anos busca mitigar impactos sobre pequenas e médias empresas, que terão apoio técnico e linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para se adaptar. Especialistas em direito do trabalho apontam que a medida pode reduzir o absenteísmo e aumentar a produtividade, embora o custo imediato de contratação de novos funcionários para cobrir as folgas seja uma preocupação real. A oposição, por sua vez, tenta capitalizar o descontentamento de setores empresariais, mas até agora não conseguiu articular uma alternativa viável.
No tabuleiro eleitoral, a aprovação no Senado fortalece a imagem de Lula como um presidente que entrega resultados. A oposição, que tentou obstruir a votação com pedidos de vista e requerimentos de urgência, saiu fragilizada. A base governista comemorou a aprovação como um marco para a classe trabalhadora. A expectativa é que a sanção presidencial ocorra ainda nesta semana, em cerimônia no Palácio do Planalto, com presença de lideranças sindicais e parlamentares.
**Fontes**
Agência Senado — cobertura da votação e tramitação do projeto de lei. Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) — estudos sobre jornada de trabalho e emprego. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — linhas de crédito para adaptação empresarial. Institutos de pesquisa de opinião (não especificados por nome) — tendências de aprovação do governo.
Por Renan Filho · 2026-10-14