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Politica

Senado diz a Fux que informar visitas de Vorcaro e esposa de Moraes pode expor parlamentares

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Em ofício enviado ao ministro do STF, a Advocacia do Senado alerta que a divulgação de registros de visitas a parlamentares pode gerar riscos à segurança e à atividade legislativa, em meio a pedido de informações sobre encontros de Roberto Vorcaro e Rosângela Moraes.

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A Advocacia do Senado Federal encaminhou ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma manifestação oficial na qual alerta que atender integralmente ao pedido de informações sobre as visitas recebidas pelo empresário Roberto Vorcaro e pela esposa do ministro Alexandre de Moraes, Rosângela Moraes, poderia expor dados sensíveis de parlamentares e comprometer a segurança do ambiente legislativo. O documento, protocolado no âmbito do inquérito que tramita na Corte, sustenta que a entrega irrestrita dos registros de acesso ao Congresso Nacional pode violar o direito à privacidade e colocar em risco a integridade física de senadores e deputados.

**Contexto**

A manifestação do Senado ocorre em resposta a uma determinação do ministro Luiz Fux, relator de um pedido de esclarecimentos apresentado pela defesa do empresário Roberto Vorcaro, que busca obter informações sobre supostos encontros entre Vorcaro, Rosângela Moraes e parlamentares da oposição. A defesa alega que tais encontros teriam ocorrido nas dependências do Congresso Nacional e que a divulgação dos registros seria essencial para comprovar a tese de perseguição política. O caso ganhou repercussão após Vorcaro ser alvo de buscas e apreensões em investigações que apuram a existência de um suposto esquema de monitoramento ilegal de autoridades.

O Senado, por meio de sua Advocacia, argumenta que os sistemas de controle de acesso ao Congresso são ferramentas internas de segurança, e não documentos públicos de livre consulta. A instituição lembra que a divulgação de tais dados, sem critérios objetivos e sem a devida proteção, poderia permitir a identificação de parlamentares que recebem visitantes em caráter reservado, inclusive para tratar de assuntos pessoais, de saúde ou de segurança. Além disso, o órgão destaca que a exposição dessas informações poderia gerar constrangimentos e até mesmo facilitar ações de grupos hostis contra congressistas.

A controvérsia se insere em um cenário de tensão entre o Parlamento e o Judiciário, especialmente após a divulgação de mensagens atribuídas a assessores de Alexandre de Moraes que sugeriam a produção de relatórios contra políticos. O Senado, por sua vez, tem adotado uma postura de defesa de suas prerrogativas institucionais, mas sem confronto direto com o STF. A Advocacia do Senado, no ofício enviado a Fux, reforça que a Casa está disposta a colaborar com a Justiça, desde que sejam preservados os direitos fundamentais dos parlamentares e a funcionalidade do Legislativo.

**Análise**

A posição do Senado, embora técnica, carrega um forte componente político. Ao alertar Fux sobre os riscos de exposição dos parlamentares, a Advocacia do Senado sinaliza que a Corte deve ter cautela ao decidir sobre a liberação de dados sensíveis do Congresso. A medida pode ser interpretada como uma tentativa de proteger aliados do governo e da oposição que possam ter mantido contatos com Vorcaro ou com Rosângela Moraes, mas também como uma defesa legítima da autonomia do Legislativo. Em um momento em que o STF é alvo de críticas por suposta atuação política, a decisão de Fux sobre esse pedido será observada de perto por todos os atores envolvidos.

Especialistas em direito constitucional apontam que a questão envolve um delicado equilíbrio entre o dever de transparência e a proteção à privacidade. Enquanto a defesa de Vorcaro busca usar os registros para sustentar suas acusações, o Senado argumenta que a entrega indiscriminada de dados poderia criar um precedente perigoso, no qual qualquer cidadão poderia requerer informações sobre quem visita parlamentares, o que inviabilizaria a atividade política. A tendência, segundo analistas, é que Fux determine uma solução intermediária, como a entrega de dados apenas de visitas que tenham relação direta com o objeto da investigação, sem expor a totalidade dos registros.

O desfecho desse caso pode influenciar outras disputas judiciais envolvendo o Congresso e o STF, especialmente em temas como o acesso a informações institucionais e a limites de atuação das comissões parlamentares de inquérito. A decisão de Fux, portanto, vai além do caso concreto e pode definir parâmetros para futuras solicitações de dados ao Legislativo. Enquanto isso, a Advocacia do Senado mantém a posição de que a Casa está aberta ao diálogo, mas não abrirá mão de proteger seus membros e sua estrutura interna.

**Fontes**

As informações contidas nesta matéria foram obtidas a partir de documentos oficiais da Advocacia do Senado Federal, de comunicados do Supremo Tribunal Federal e de reportagens veiculadas por veículos de imprensa de alcance nacional, como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão. Os dados sobre o inquérito e sobre as alegações da defesa de Roberto Vorcaro foram coletados de registros públicos do processo e de declarações oficiais de representantes das partes envolvidas. A matéria não contém opiniões do FORTIS NEWS, limitando-se a relatar os fatos e as posições institucionais apresentadas até o fechamento desta edição.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.