**Lead**
O Senado Federal comunicou oficialmente ao ministro Luiz Fux, relator de um processo no Supremo Tribunal Federal (STF), que a eventual divulgação das listas de visitas de Roberto Vorcaro e da esposa do ministro Alexandre de Moraes pode expor a identidade de parlamentares que tenham mantido contato com essas pessoas, colocando em risco sua segurança e criando um ambiente de intimidação política no país. O alerta foi feito em resposta a um pedido de informações da Corte, no âmbito de uma ação que discute a publicidade dos registros de entrada e saída de pessoas nos gabinetes dos ministros.
**Contexto**
A controvérsia sobre a transparência das visitas no STF ganhou amplitude nos últimos meses, quando organizações de controle social e veículos de imprensa passaram a requerer acesso detalhado aos nomes de quem frequenta os gabinetes dos magistrados. O caso específico que motiva o ofício envolve Roberto Vorcaro, ex-assessor da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, e a esposa do ministro Alexandre de Moraes. Vorcaro tem histórico de atuação em cargos ligados à segurança pública e é apontado como interlocutor de setores políticos e policiais. A esposa de Moraes, cujo nome não consta no documento, também já foi mencionada em matérias jornalísticas como protagonista de encontros com autoridades fora do ambiente oficial.
O pedido de divulgação das listas foi iniciado por uma ONG que sustenta o caráter público desses registros, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). O ministro Fux solicitou a manifestação do Senado porque alguns parlamentares poderiam estar envolvidos, direta ou indiretamente, nas visitas. Na resposta, a Mesa Diretora do Senado argumenta que a liberação irrestrita dos dados pode expor não apenas os ministros do STF, mas também congressistas em pleno exercício do mandato. Esses encontros, muitas vezes de natureza reservada, podem envolver tratativas sobre matérias sensíveis — desde a segurança nacional até a negociação de pautas legislativas — e sua revelação pode ser utilizada de forma distorcida por grupos políticos ou criminosos.
**Analise**
A postura do Senado coloca em evidência o delicado equilíbrio entre os princípios de transparência pública e a necessidade de proteger a segurança e a privacidade de agentes políticos. Por um lado, o acesso amplo aos registros de visitas é um mecanismo legítimo de controle social, capaz de coibir influências indevidas no Poder Judiciário. Nos últimos anos, o STF adotou medidas para ampliar a publicidade de seus atos, mas a divulgação de nomes individuais de visitantes é um território ainda pouco regulamentado. Por outro lado, a exposição de parlamentares que procuram um ministro para tratar de assuntos institucionais pode alimentar narrativas de suspeição e até colocar em risco a integridade física dessas pessoas.
Especialistas em direito público apontam que, sem critérios claros de ponderação, a divulgação irrestrita pode gerar um efeito intimidador, chamado de chilling effect. Autoridades e políticos passariam a evitar contatos legítimos com os ministros com receio de serem publicamente associados a temas controversos. No caso específico de Alexandre de Moraes, relator de inquéritos sobre milícias digitais e notícias fraudulentas, o risco é ainda maior, pois há um histórico de ameaças e tentativas de descredibilizar sua atuação. A preocupação do Senado, portanto, não é meramente corporativa, mas se baseia na constatação de que a exposição prévia de encontros pode inviabilizar a comunicação entre os Poderes, prejudicando a governabilidade e a segurança jurídica. Ao pedir que Fux avalie esses riscos, o Senado não se opõe à transparência em geral, mas defende a adoção de salvaguardas, como a omissão de nomes em situações que envolvam segurança nacional ou a necessidade de prévia autorização judicial para acesso a informações que possam expor indivíduos.
**Fontes**
As informações desta notícia têm como base o ofício da Mesa Diretora do Senado Federal encaminhado ao STF, além do acompanhamento de procedimentos públicos em trâmite no Supremo Tribunal Federal. Nenhuma fonte anônima foi utilizada.
Por Renan Filho · 2026-10-08