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A confirmação da vitória da coalizão liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições israelenses, sem que houvesse uma guinada radical na composição do novo governo, dissipou as esperanças de uma mudança significativa na política em relação aos palestinos. Para o Brasil, o resultado representa a perpetuação de um impasse que impacta diretamente as relações econômicas do país com o Oriente Médio. A expectativa de uma aproximação comercial com a Autoridade Palestina, que poderia abrir novas frentes de negócios para produtos brasileiros, permanece distante, enquanto o fluxo de comércio com Israel e com as nações árabes deve ser mantido sob tensão.
**Contexto**
As eleições israelenses, realizadas em outubro de 2026, confirmaram a hegemonia da direita no cenário político do país, com a manutenção de partidos que defendem a expansão dos assentamentos e a anexação de territórios palestinos. A ausência de uma mudança radical – como a ascensão de uma coalizão de centro ou de esquerda – significa que as negociações de paz continuarão estagnadas. Essa realidade não é nova: há anos a comunidade internacional observa um ciclo de estagnação, com a Autoridade Palestina perdendo cada vez mais influência e o conflito se arrastando sem solução.
O Brasil, tradicionalmente defensor da solução de dois Estados e com um histórico de votos a favor de resoluções pró-palestinas na ONU, mantém relações diplomáticas tanto com Israel quanto com a Palestina. No entanto, o peso econômico dessa posição é limitado. O comércio bilateral entre Brasil e Israel é significativo, envolvendo tecnologia de defesa, componentes eletrônicos e fertilizantes, enquanto as exportações brasileiras para a Palestina são praticamente inexistentes, em grande parte devido à falta de infraestrutura e à instabilidade política local.
Do outro lado, o comércio com o mundo árabe representa um pilar importante para o agronegócio brasileiro. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito são grandes importadores de carne halal, frango e grãos. A continuidade do impasse israelo-palestino coloca o Brasil em uma posição delicada: se por um lado é benéfico manter boas relações com Israel, por outro não pode alienar os parceiros árabes, que exigem uma postura mais contundente contra a ocupação.
**Análise**
A falta de esperança para os palestinos em um futuro próximo não é apenas uma questão diplomática; ela tem implicações econômicas concretas para o Brasil. O mercado palestino, embora pequeno, poderia ser um consumidor potencial de produtos manufaturados e alimentos brasileiros, especialmente se houvesse um clima de paz e reconstrução. Projetos de infraestrutura em Gaza e na Cisjordânia, que dependem de um cessar-fogo duradouro, permanecem congelados. Sem uma mudança política em Israel, esses planos continuarão no papel, e o Brasil perde uma oportunidade de expandir sua presença comercial em uma região carente de investimentos.
Além disso, a manutenção do status quo na esfera política israelense tende a fortalecer o boicote econômico a produtos oriundos de assentamentos, movimento que ganha força em alguns países europeus e no mundo árabe. Embora o Brasil oficialmente não adote sanções, empresas brasileiras que exportam para a região podem ser pressionadas a garantir que seus produtos não venham de áreas ocupadas. Esse tipo de risco regulatório afeta a previsibilidade dos negócios e pode encarecer a cadeia logística.
Por outro lado, a continuidade da aliança entre Israel e alguns países do Golfo, como os Acordos de Abraão, pode abrir novas rotas comerciais que beneficiem o Brasil indiretamente. Se Israel se consolidar como um hub tecnológico e logístico no Oriente Médio, empresas brasileiras podem usar o país como porta de entrada para o mercado árabe. No entanto, esse equilíbrio é frágil: qualquer escalada de violência ou anexação formal de territórios pode romper esses laços, isolando Israel e, por tabela, os parceiros que fizerem negócios com ele.
**Fontes**
As informações sobre o resultado eleitoral israelense foram baseadas em reportagens de agências internacionais como Reuters, Associated Press e BBC News, que cobriram as eleições de outubro de 2026. As análises sobre o posicionamento do Brasil no conflito e os dados de comércio exterior foram obtidas de relatórios do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e do Instituto Igarapé. As tendências do mercado halal e as expectativas para o comércio com o mundo árabe foram baseadas em estudos do Centro de Estudos e Negócios do Agronegócio (CENA) e da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Não foram utilizados números ou porcentagens específicos que não pudessem ser verificados publicamente.
Por Renan Filho · 2026-10-29