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A ausência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas sessões deliberativas do Senado Federal nas últimas semanas gerou apreensão entre parlamentares da oposição. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro temem que a falta do senador, um dos principais articuladores da bancada conservadora, reduza a capacidade de obstrução e de barganha política para impedir ou condicionar as futuras indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF). A preocupação se intensifica em um momento em que o governo Lula sinaliza a iminência de novas nomeações para a Corte, com a expectativa de aposentadoria de ao menos um ministro nos próximos meses.
**Contexto**
O Senado Federal exerce papel central no processo de nomeação de ministros do STF. Após a escolha do presidente da República, o nome indicado precisa ser sabatinado e aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, pelo plenário da Casa, onde é exigido o voto favorável da maioria absoluta dos senadores (41 votos). Historicamente, a oposição utiliza esse rito para negociar contrapartidas políticas, atrasar a tramitação ou, em casos extremos, tentar rejeitar a indicação.
O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, consolidou-se como uma das vozes mais ativas da oposição no Senado. Sua atuação na CCJ e no plenário é considerada crucial para coordenar a estratégia de resistência às pautas do governo Lula, especialmente no que tange ao Judiciário. A ausência do parlamentar, motivada por compromissos pessoais e agendas no estado do Rio de Janeiro, segundo sua assessoria, ocorre em um período crítico.
Nos bastidores, aliados do ex-presidente avaliam que a falta de Flávio compromete a coesão da bancada. Sem sua liderança direta, a oposição teria mais dificuldade para manter a disciplina de votação e para articular com senadores de partidos do centrão, que muitas vezes oscilam entre apoiar o governo e a oposição dependendo das negociações em curso. A ausência também fragiliza a comunicação com a base bolsonarista, que vê no senador um canal direto com o ex-presidente.
**Análise**
A perda de força no Senado para barrar indicações ao STF não é apenas uma questão numérica, mas estratégica. A oposição, que atualmente conta com cerca de 30 senadores declaradamente alinhados ao bolsonarismo, precisa de pelo menos 41 votos para rejeitar uma indicação. Sem uma liderança forte e presente para negociar com os partidos independentes, como o União Brasil, o MDB e o PSD, a tarefa se torna quase impossível. A ausência de Flávio Bolsonaro, portanto, não reduz o número de votos da oposição, mas diminui a capacidade de articulação para ampliar essa base em votações específicas.
Além disso, o governo Lula tem demonstrado habilidade em acelerar a tramitação de indicações quando percebe fragilidade na oposição. A ausência de um líder oposicionista experiente pode ser interpretada pelo Palácio do Planalto como um sinal de desmobilização, incentivando o governo a pautar as sabatinas com mais rapidez. Isso reduz o tempo de articulação da oposição e aumenta a pressão sobre senadores indecisos.
Outro ponto relevante é o impacto na imagem pública da oposição. A base eleitoral bolsonarista, que acompanha de perto a atuação dos parlamentares, pode interpretar a ausência de Flávio como desinteresse ou desorganização. Em um ano pré-eleitoral, a percepção de fraqueza pode desmobilizar apoiadores e enfraquecer a narrativa de que a oposição é uma barreira eficaz contra o que chama de “ativismo judicial” e de “aparelhamento” do STF pelo governo Lula.
**Fontes**
A análise baseia-se em informações públicas disponíveis nos registros de presença e votação do Senado Federal, em declarações oficiais de parlamentares da oposição veiculadas pela imprensa nacional, e em reportagens de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão, que acompanham a articulação política em Brasília. Dados sobre o processo de indicação ao STF seguem o regimento interno do Senado e a Constituição Federal.
Por Renan Filho · 2026-10-28