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Uma análise do Datafolha divulgada nesta reta final de campanha eleitoral aponta que a segurança pública, em suas múltiplas dimensões, tornou-se um dos principais eixos de disputa entre os candidatos. O levantamento, realizado nos últimos dias, indica que o uso da máquina do governo, a intensificação de discursos que evocam uma 'guerra santa' e a memória dos atos de 8 de janeiro de 2022 estão reconfigurando as intenções de voto e a percepção dos eleitores sobre o futuro do país. O instituto ouviu eleitores em todas as regiões e constatou que, embora a economia continue relevante, a segurança — tanto a física quanto a institucional — ganhou peso decisivo na reta final.
**Contexto**
A pesquisa Datafolha, tradicionalmente usada como termômetro eleitoral, desta vez mergulhou em aspectos que vão além da intenção de voto tradicional. O questionário abordou diretamente a sensação de insegurança em relação ao processo democrático. Perguntados sobre a influência da máquina do governo na campanha, a maioria dos entrevistados afirmou perceber um uso intensificado de recursos públicos para alavancar candidaturas, o que inclui desde a distribuição de benefícios sociais em período proibido até a utilização de cargos comissionados para pressionar servidores. Esse fenômeno, embora não seja novo, ganhou contornos mais evidentes neste pleito, com denúncias de prefeituras e órgãos estaduais sendo usados como palanques.
Outro fator que emergiu com força é a chamada 'guerra santa' — uma polarização de cunho religioso que ultrapassa o debate teológico e se transformou em vetor de violência simbólica e, em alguns casos, física. O Datafolha registrou que, em comunidades onde lideranças religiosas assumiram posições políticas explícitas, houve aumento de relatos de intimidação e ameaças entre vizinhos e familiares. A segurança pública, nesse contexto, deixa de ser apenas um tema de políticas de Estado para se tornar uma questão de convivência comunitária, com impactos diretos na sensação de proteção dos cidadãos.
A memória dos eventos de 8 de janeiro de 2022, quando ocorreram atos de vandalismo contra as sedes dos Três Poderes em Brasília, também pesa na balança. O levantamento mostra que a lembrança daquela data ainda está viva em parcela significativa do eleitorado, especialmente entre os que consideram a democracia brasileira frágil. Esse grupo tende a valorizar candidatos que prometem maior rigor no combate a ataques institucionais, enquanto outro segmento, crítico à atuação das forças de segurança naquela ocasião, busca candidatos que defendam uma revisão das políticas de controle de multidões e uso da força.
**Análise**
A conjugação desses três elementos — máquina do governo, guerra santa e memória de 2022 — cria um cenário inédito na história recente do país. A segurança deixa de ser um tema exclusivamente técnico, discutido em comitês de polícia ou em planos de governo, e passa a ocupar o centro do debate eleitoral de forma emocional e direta. Isso obriga candidatos e partidos a posicionamentos claros, sob risco de perder fatias importantes do eleitorado. A pesquisa sugere que a máquina do governo, quando percebida como abusiva, gera rejeição espontânea, mas também pode consolidar bases de apoio entre eleitores que se beneficiam desses programas. O desafio para a segurança pública é que essa lógica de curto prazo pode comprometer investimentos de longo prazo em prevenção e inteligência.
Além disso, a 'guerra santa' expõe uma fragilidade no tecido social: a politização excessiva de igrejas e templos tem gerado conflitos que as polícias locais não sabem como mediar. Em várias cidades, as delegacias registraram aumento de ocorrências de desacato e ameaças entre membros de diferentes denominações religiosas. A ausência de uma política nacional de diálogo inter-religioso durante o período eleitoral é um vácuo que preocupa especialistas em segurança comunitária. A memória de 2022, por sua vez, serve como alerta sobre a capacidade do Estado de proteger suas instituições. O Datafolha detectou que a confiança nas forças de segurança, sobretudo a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, oscila conforme a percepção de atuação durante os atos de 8 de janeiro. Para muitos eleitores, a segurança democrática depende de uma atuação firme e imparcial, algo que ainda divide opiniões.
**Fontes**
Os dados analisados são provenientes da pesquisa Datafolha divulgada em outubro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais, registrada no Tribunal Superior Eleitoral. As análises contextuais baseiam-se em reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, além de boletins da ONU sobre violência política no Brasil. O artigo não utiliza entrevistas exclusivas ou citações não verificadas.
Por Renan Filho · 2026-10-02