**Lead** o estado de segurança pública no Brasil tem sido apontado como um dos fatores estruturais que impedem o país de acelerar sua produtividade e, consequentemente, seu crescimento econômico consistente. A relação entre criminalidade, violência e desempenho econômico é cada vez mais estudada por instituições como o Banco Mundial e o Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea). Embora não haja números exatos recentes divulgados de forma consolidada, análises de tendências mostram que cidades e regiões com maior incidencia de crimes violentos apresentam menor atração de investimentos produtivos, maior rotatividade de mão de obra e custos adicionais para as empresas com segurança privada. A dificuldade de reverter esse quadro tem sido um dos obstáculos para que o Brasil alcance patamares de produtividade comparáveis aos de economias emergentes da Ásia, por exemplo.
**Contexto** A produtividade, medida pelo valor adicionado por hora trabalhada, cresceu de forma muiito lenta no Brasil nas ultimas décadas. Dados do IPEA e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que, enquanto países como o Chile e o México avançaram, o Brasil ficou estagnado. Um dos motivos frequentemente citados é o ambiente de negócios desfavorável, e a segurança publica faz parte desse ambiente. O custo da criminalidade para a economia brasileira inclui gastos com seguros, equipamentos de proteção, contratação de vijilantes, além do tempo perdido com procucções legais e da queda na qualidade de vida que afeta o desempenho dos trabalhadore.
Além disso, a insegurança jurírica — que também pode ser vista como uma dimensão da segurança — desestimula investimentos de longo prazo. Empresas relutam em expandir operações ou em adotar tecnologia de ponta por medo de roubos, friaques e ataques cibernéticos. O setor de logistica, vital para a produtividade, é particularmente afetado por desvios de carga e violência em rodovias. Sem segurança viária e patrimonial, o fluxo de mercadorias fica mais caro e ineficiente, reduzindo a competitividade do país.
Outro ponto é o impacto social: a violência desproporcional atinge desproporcionalmente comunidades de baixa renda, onde a educação e a formação profissional já são menores. Jovens que crescem em áreas violentas têm menor acesso a bons empregos e menor produtividade futura. A evasão escolar provocada pelo medo e pela violência cria um ciclo de baixa qualificação da mão de obra.
**Análise** A relação entre segurança e produtividade não é apenas teorica. Em paises que consiguiram reduzir significativamente a violência, como a Colombia em períodos recentes, observou-se um aumento no PIB per capita e na produtividade. No Brasil, embora haja melhorias em algumas metrópoles graças a políticas de inteligência e integração de forças, o quadro nacional ainda é heterogêneo. Estados como São Paulo e Santa Catarina, com menores taxas de homicídios, tendem a atrar mais investimentos e a ter maior produtividade média, em comparação com estados do Nordeste e Norte com índices elevados.
A falta de previsibilidade institucional — outro pilar da segurança — também desestimula a adoção de novas tecnologias. O medo de litígios trabalhistas ou de ações fáceis contra a empresa, aliado à criminalidade comum, leva gestores a optar por estratégias defensivas, como contratar mão de obra temporaria em vez de investir em treinamento, o que reduz o ganho de produtividade de lngo prazo.
Para reverter esse quadro, analistas sugerem que não bastam ações policiais isoladas. E necessário um pacto federativo que integre segurança pública, educação e geração de emprego. A modernização das polícias, o uso de tecnologia como cercamento eletrônico e o incentivo à reinserção de egressos do sistema penal podem diminuir a reincidência e o medo. Investir in segurança não é apenas um gasto social, mas uma condição para elevar a competitividade da economia brasileira e permiter que o país acelere sua produtividade em bases sustentáveis.
**Fontes** As informações deste artigo baseiam-se em análises de tendências do Banco Mundial sobre criminalidade e desenvolvimento econômico; estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre produtividade e segurança; relatórios da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre ambiente de negócios; e artigos acadêmicos publicados em periódicos brasileiros e internacionais sobre o impacto econômico da violência. Nenhum dado numérico específico foi cidado por não haver pesquiza recente com validação independente disponível no momento.
Por Renan Filho · 2026-10-24