**Lead**
Em 1980, uma entrevista do técnico Oswaldo Brandão à rádio Jovem Pan trouxe à tona as memórias dos títulos do Corinthians conquistados em 1954 e 1977. Embora o foco fosse o esporte, o registro serve como ponto de partida para uma reflexão sobre a segurança nos estádios brasileiros naquela época e os avanços — e desafios — que persistem até os dias de hoje. A segurança do torcedor, que então era tratada com informalidade, tornou-se uma pauta central após tragédias e mudanças regulatórias nas últimas décadas.
**Contexto**
Na década de 1950 e 1970, as partidas de futebol no Brasil ocorriam em estádios com infraestrutura precária. As arquibancadas muitas vezes não possuíam assentos individualizados, a capacidade era frequentemente excedida e o controle de acesso era rudimentar. A entrevista de Brandão em 1980, ao relembrar os títulos de 1954 e 1977, remete a um período em que a segurança se resumia à presença de policiais militares nos portões e à ausência de planos de evacuação. Não havia sistemas de monitoramento por câmeras, nem brigadas de incêndio treinadas para grandes multidões.
Com o passar dos anos, eventos trágicos como a morte de dezenas de torcedores em estádios na América do Sul e na Europa forçaram governos e federações a adotar medidas mais rigorosas. No Brasil, a Lei Nº 10.671/2003 (Estatuto do Torcedor) estabeleceu direitos e obrigações, incluindo a necessidade de condições de segurança, higiene e conforto. A partir de 2014, com a Copa do Mundo, arenas modernas foram construídas ou reformadas, equipadas com catracas eletrônicas, sistemas de reconhecimento facial e saídas de emergência dimensionadas para o público máximo.
No entanto, a segurança nos estádios vai além da estrutura física. O comportamento das torcidas organizadas, o uso de álcool e drogas, e a violência entre grupos rivais continuam a ser desafios. Em 1980, a entrevista de Brandão não mencionava esses problemas — o foco era puramente esportivo. Mas, ao revisitar aquele momento, percebe-se como a percepção de segurança era diferente: torcedores iam ao estádio com pouca preocupação com riscos de desabamento, brigas generalizadas ou ataques com objetos.
**Análise**
A evolução da segurança em eventos esportivos no Brasil reflete uma mudança cultural e normativa. Atualmente, a responsabilidade é compartilhada entre clubes, federações, poder público e empresas privadas de segurança. A presença de seguranças particulares nos portões, a revista pessoal e o monitoramento por câmeras são práticas comuns. A tendência é que a tecnologia avance ainda mais, com o uso de inteligência artificial para identificar comportamentos suspeitos e drones para vigilância aérea.
Contudo, ainda persistem lacunas. Estádios mais antigos, que não passaram por reformas profundas, nem sempre atendem aos padrões mínimos. Além disso, a segurança das imediações — estacionamentos, vias de acesso e transportes públicos — muitas vezes fica a cargo das prefeituras, sem o mesmo nível de investimento. O legado de 1980, quando Brandão falava saudosamente dos títulos do Corinthians, serve como lembrete de que a segurança do torcedor não pode ser tratada como um detalhe secundário. Cada partida deve garantir que o espetáculo ocorra sem tragédias.
**Fontes**
A informação sobre a entrevista de Oswaldo Brandão à Jovem Pan em 1980 foi extraída de registros históricos do rádio brasileiro, disponíveis em acervos da própria emissora e em reportagens de veículos como o UOL Esporte e o Globo Esporte. As referências ao Estatuto do Torcedor e às exigências de segurança em estádios têm como base a legislação federal brasileira (Lei Nº 10.671/2003) e relatórios do Ministério do Esporte e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). As análises sobre tendências de segurança foram fundamentadas em artigos acadêmicos e matérias de segurança pública veiculadas por jornais como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.
Por Renan Filho · 2026-10-14