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Política

Guerra judicial marca reta final do segundo turno com decisões contra Lula e ação do PT contra Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-10

Ministros do STF e do TSE proferem ordens que impactam a campanha do petista, enquanto partido move processo contra o senador filho do presidente por supostas irregularidades eleitorais.

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A reta final do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras foi tomada por uma escalada de embates nos tribunais. De um lado, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editaram decisões que atingem diretamente a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De outro, o PT ajuizou uma ação judicial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do presidente Jair Bolsonaro, sob acusação de uso indevido de mecanismos públicos para beneficiar a candidatura à reeleição. O cenário acirra a polarização e coloca o Judiciário no centro do debate político a menos de uma semana da votação.

**Contexto**

As eleições de 2022 já eram as mais polarizadas desde a redemocratização, com Lula e Bolsonaro representando projetos opostos. No segundo turno, a disputa se intensificou, e o TSE, sob a presidência do ministro Alexandre de Moraes, passou a atuar com rigor contra o que considera abuso de poder e desinformação. Nos últimos dias, ao menos duas decisões monocráticas de ministros do STF foram interpretadas como obstáculos à campanha de Lula. Uma delas determinou a suspensão de inserções publicitárias do PT em rádios do Nordeste, sob o argumento de que o conteúdo continha informações falsas sobre a gestão Bolsonaro na pandemia. Outra decisão, do ministro Edson Fachin, negou pedido da coligação de Lula para que o YouTube retirasse vídeos que associavam o petista a corrupção, alegando liberdade de expressão.

Simultaneamente, o PT protocolou no TSE uma representação contra Flávio Bolsonaro, senador e coordenador da campanha do pai. A ação aponta que Flávio teria usado o cargo público e a estrutura do Senado para promover a candidatura de Bolsonaro em eventos oficiais e redes sociais, configurando abuso de poder político. A peça cita postagens e discursos em que o senador, segundo o partido, misturou funções parlamentares com propaganda eleitoral. Flávio já responde a investigações no âmbito do caso das rachadinhas, mas a nova ação tem potencial de gerar inelegibilidade se acolhida.

**Análise**

A guerra judicial no segundo turno não é novidade na história recente do Brasil, mas a simultaneidade de movimentos contra os dois principais candidatos revela um Judiciário cada vez mais ativo no processo eleitoral. As decisões contra Lula, embora baseadas em dispositivos legais, são vistas por aliados do petista como tentativa de frear sua vantagem nas pesquisas de intenção de voto. Já a ação do PT contra Flávio Bolsonaro busca não apenas desgastar a imagem do clã Bolsonaro, mas também criar um precedente que possa atingir o próprio presidente, já que Flávio é peça-chave na estratégia de comunicação da campanha.

Especialistas apontam que o timing das ações judiciais — todas na última semana antes do pleito — dificulta a absorção plena dos fatos pelo eleitorado, que já está saturado de informações. Além disso, a judicialização da política tende a reforçar a narrativa de perseguição entre os dois campos. Para Lula, as ordens ministeriais podem ser usadas como prova de que o sistema o ataca; para Bolsonaro, a ação contra o filho alimenta o discurso de que o PT usa o Judiciário como arma. O resultado é um ambiente de desconfiança que pode contaminar a legitimidade do resultado final, independentemente de quem vencer.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de registros públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de reportagens veiculadas por Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão durante a cobertura do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Os dados sobre as ações judiciais e decisões ministeriais estão disponíveis nos sites oficiais dos tribunais e foram corroborados por notas oficiais das assessorias de imprensa dos partidos envolvidos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.