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Politica

Segundo turno para governador em 2026: quais estados podem definir o pleito em outubro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

Com a proximidade do primeiro turno das eleições estaduais, a expectativa é que ao menos metade dos estados brasileiros realize segundo turno para governador. Entenda os critérios e os cenários prováveis.

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A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para o primeiro domingo de outubro, a atenção se volta para os estados que podem ter a disputa pelo governo decidida apenas no segundo turno. Conforme a legislação eleitoral brasileira, o segundo turno é obrigatório em estados com mais de 200 mil eleitores quando nenhum candidato atinge mais da metade dos votos válidos no primeiro turno. Em 2026, a expectativa é que entre 14 e 18 das 27 unidades da federação realizem nova votação no último domingo de outubro, repetindo o padrão observado em pleitos anteriores.

**Contexto**

O segundo turno para governador foi introduzido pela Constituição de 1988 e, desde então, tornou-se um mecanismo comum em estados populosos ou com forte fragmentação partidária. Em 2022, por exemplo, 13 estados tiveram segundo turno, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso e Santa Catarina. Em 2026, a tendência é que esse número se mantenha ou até aumente, dado o cenário de polarização nacional e a multiplicidade de candidaturas em várias regiões.

Entre os estados que historicamente exigem segundo turno estão aqueles com maior colégio eleitoral, como São Paulo (mais de 30 milhões de eleitores), Minas Gerais (cerca de 16 milhões), Rio de Janeiro (12 milhões) e Bahia (11 milhões). Nessas unidades, a fragmentação partidária e a presença de candidatos com forte apelo local dificultam a obtenção de maioria absoluta já no primeiro turno. Além disso, estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal, Amazonas e Pará também costumam ter disputas acirradas que se estendem ao segundo turno.

Em 2026, a legislação eleitoral mantém a regra de que apenas estados com mais de 200 mil eleitores podem realizar segundo turno. Isso exclui automaticamente estados menores, como Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo — embora alguns desses possam ter segundo turno se o número de eleitores ultrapassar o limite, o que não é o caso atualmente. No entanto, a regra não impede que, em estados com menos de 200 mil eleitores, haja segundo turno se a legislação local assim determinar, mas a Constituição federal não exige.

**Análise**

A realização do segundo turno em 2026 terá impacto direto na governabilidade e na formação de alianças nos estados. Historicamente, o segundo turno favorece candidatos com maior capacidade de articulação partidária e acesso a recursos de campanha, já que a disputa se concentra em um confronto direto entre os dois mais votados. Em estados onde a polarização nacional é mais intensa, como São Paulo e Rio de Janeiro, o segundo turno tende a reproduzir a lógica da eleição presidencial, com candidatos alinhados aos principais polos políticos do país.

Outro fator relevante é o calendário: o segundo turno ocorre no último domingo de outubro, duas semanas após o primeiro turno. Esse intervalo curto exige que as campanhas estejam preparadas para uma reta final intensa, com debates, inserções na TV e mobilização de cabos eleitorais. Em estados onde a diferença entre o primeiro e o segundo colocado é pequena, o segundo turno pode ser decidido por margens estreitas, aumentando a importância de alianças de última hora.

Para o eleitor, o segundo turno representa uma oportunidade de reavaliar as opções, especialmente quando o candidato mais votado no primeiro turno não atinge a maioria. Em 2026, a expectativa é que a participação eleitoral se mantenha alta, impulsionada pela obrigatoriedade do voto e pelo interesse em temas locais como segurança, saúde e educação. A definição dos estados que terão segundo turno só será conhecida após a apuração do primeiro turno, mas a análise prévia indica que a maioria dos grandes centros urbanos e estados com forte tradição de disputa acirrada devem repetir o cenário de 2022.

**Fontes**

- Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — legislação eleitoral e dados históricos de eleições. - Constituição Federal de 1988, artigos 28 e 77, que tratam do segundo turno para governador e presidente. - Histórico de eleições estaduais de 2018 e 2022, disponíveis no portal do TSE. - Análises de cientistas políticos especializados em eleições brasileiras, publicadas em veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.