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Politica

Segundo colocado no primeiro turno: histórico mostra que reverter vantagem é raro no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

Desde a redemocratização, o candidato que lidera o primeiro turno venceu todas as disputas presidenciais. Exceções globais ocorrem, mas o sistema político brasileiro favorece o favorito.

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A pergunta ressurge a cada eleição: o segundo colocado no primeiro turno pode reverter o quadro e vencer a disputa presidencial? No Brasil, a resposta histórica é clara: desde a redemocratização, em 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda posição conseguiu virar o jogo no segundo turno. Embora reversões sejam possíveis em teoria e já tenham ocorrido em outros países, o padrão nacional mostra que o líder do primeiro turno mantém vantagem decisiva.

**Contexto**

O sistema eleitoral brasileiro adota o modelo de dois turnos para a Presidência da República. Se nenhum candidato obtém mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados disputam o segundo. Desde 1989, todas as eleições presidenciais foram decididas em segundo turno — com exceção de 1994, 1998 e 2006, quando o candidato líder já ultrapassava 50% dos votos válidos na primeira etapa.

Nas ocasiões em que houve segundo turno — 1989, 2002, 2010, 2014 e 2018 — o vencedor do primeiro turno foi sempre o mesmo que conquistou a Presidência. Em 1989, Fernando Collor obteve 30% dos votos no primeiro turno contra 17% de Luiz Inácio Lula da Silva, e venceu no segundo. Em 2002, Lula liderou com 46% contra 23% de José Serra, e venceu. Em 2010, Dilma Rousseff teve 47% contra 33% de José Serra, e venceu. Em 2014, Dilma obteve 42% contra 34% de Aécio Neves, e venceu. Em 2018, Jair Bolsonaro teve 46% contra 29% de Fernando Haddad, e venceu. A vantagem do primeiro colocado nunca foi superada.

**Análise**

A dificuldade de reverter o resultado no segundo turno tem explicações estruturais. O candidato que lidera no primeiro turno geralmente chega com maior capital político, tempo de TV e exposição na reta final. Além disso, o segundo turno costuma polarizar ainda mais o eleitorado, e os eleitores dos candidatos eliminados tendem a migrar para o líder — especialmente quando este representa o campo ideológico mais amplo. No Brasil, a formação de coalizões e o apoio de partidos derrotados no primeiro turno são determinantes, e raramente o segundo colocado consegue agregar mais apoios do que o primeiro.

Há exemplos internacionais de reversão, como nas eleições presidenciais francesas de 1995, quando Jacques Chirac, segundo no primeiro turno, venceu Lionel Jospin no segundo. Mas o Brasil não seguiu esse caminho. A estrutura do sistema partidário brasileiro, com fragmentação e coligações, favorece o candidato que já sai na frente. Pesquisas de intenção de voto ao longo dos segundos turnos históricos mostram que, mesmo quando há redução da diferença, o líder raramente perde a dianteira.

Para 2026, o cenário ainda é incerto. Nomes potenciais como Lula, Bolsonaro e outras lideranças disputam a preferência do eleitorado, mas a experiência passada sugere que o primeiro colocado no primeiro turno parte com forte vantagem. A campanha do segundo colocado precisaria não apenas de uma virada eleitoral, mas de uma mudança drástica no humor do eleitorado — algo que não ocorreu em nenhuma eleição brasileira recente.

**Fontes**

- Dados históricos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre resultados de eleições presidenciais brasileiras. - Estudos acadêmicos sobre comportamento eleitoral e sistema de dois turnos, como os publicados pelo Centro de Política e Economia do Setor Público (FGV). - Análises de institutos de pesquisa como Datafolha e Ibope, que acompanham a evolução da vantagem entre primeiro e segundo turno.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.