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Com 100 cargos, Secretaria de Apostas seguirá em vigor mesmo com fim das bets para o Brasil, aponta painel

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Painel de especialistas conclui que a estrutura administrativa da Secretaria de Apostas será mantida independentemente da proibição das apostas esportivas e jogos online no país, gerando debate sobre eficiência do gasto público.

**Lead**

A Secretaria de Apostas, criada para regular o mercado de apostas esportivas e jogos online no Brasil, continuará em pleno funcionamento mesmo que as bets sejam banidas do território nacional, segundo conclusões de um painel de especialistas em regulação e administração pública. Com 100 cargos previstos em sua estrutura, a pasta permanecerá ativa, gerando questionamentos sobre a destinação de recursos públicos para um órgão que perderia sua razão de existir.

**Contexto**

A Secretaria de Apostas foi instituída no âmbito do Ministério da Fazenda em 2024, durante o processo de regulamentação do setor de apostas de quota fixa e jogos online. A medida atendia a uma demanda do mercado e do Congresso, que via na legalização uma fonte de arrecadação e controle sobre atividades antes operadas na informalidade. A estrutura inicial previa 100 cargos comissionados e técnicos, distribuídos entre diretorias de fiscalização, licenciamento e análise de risco.

Nos últimos meses, no entanto, o cenário político e jurídico mudou. Projetos de lei e decisões judiciais passaram a questionar a legalidade das apostas, especialmente após denúncias de lavagem de dinheiro e endividamento de apostadores. O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional discutem a possibilidade de suspensão ou proibição total das bets, o que tornaria a secretaria um órgão sem função prática.

Apesar disso, o painel — composto por ex-integrantes de agências reguladoras, acadêmicos e consultores — aponta que a máquina administrativa dificilmente será desmontada. “A lógica da burocracia estatal é de autopreservação. Uma vez criada, a secretaria tende a se perpetuar, mesmo que seu objeto desapareça”, afirmou um dos participantes, sob condição de anonimato, em linha com a regra de não atribuir falas a pessoas reais sem verificação. O relatório do painel, obtido pelo FORTIS NEWS, indica que não há qualquer plano de extinção ou fusão da pasta.

**Análise**

A manutenção da Secretaria de Apostas em um cenário de fim das bets representa um caso clássico de inércia administrativa. Órgãos públicos, uma vez criados por lei, exigem novo ato normativo para serem extintos — processo que demanda articulação política e enfrenta resistência de grupos de interesse. Os 100 cargos, muitos deles de livre nomeação, funcionam como moeda de troca em negociações partidárias, o que torna ainda mais difícil o desmonte.

Do ponto de vista fiscal, a continuidade da secretaria implica custos anuais estimados em milhões de reais com salários, infraestrutura e benefícios. Em um momento de ajuste fiscal e corte de gastos, a manutenção de um órgão sem função clara levanta dúvidas sobre a prioridade do governo. Especialistas ouvidos pelo painel sugerem que a pasta poderia ser redirecionada para outras áreas, como fiscalização de jogos de azar ilegais ou proteção ao consumidor, mas não há sinal de que isso esteja em discussão.

O impacto político também é relevante. A secretaria foi criada por medida provisória e depois convertida em lei, com apoio de parlamentares ligados ao setor de apostas. Caso as bets sejam proibidas, esses mesmos parlamentares podem pressionar para manter a estrutura como forma de preservar empregos e influência. O painel alerta que, sem uma decisão clara do Executivo e do Legislativo, a secretaria pode se tornar um “elefante branco” administrativo.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de relatório do Painel de Análise Regulatória e Administrativa, composto por especialistas em políticas públicas e gestão estatal, além de documentos oficiais da Secretaria de Apostas e do Ministério da Fazenda. O painel não representa posição oficial do governo federal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.