**Lead**
O general da reserva Carlos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo do presidente Jair Bolsonaro, criticou duramente a postura da família Bolsonaro em relação ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em declarações públicas nesta semana, Santos Cruz classificou a atitude como uma “submissão voluntária” e “vigarice” que compromete a soberania e a imagem do Brasil no cenário internacional. A fala ocorre em meio a um acirrado debate sobre a influência de Trump na política brasileira e a aproximação de membros do clã Bolsonaro com o magnata americano.
**Contexto**
A relação entre a família Bolsonaro e Donald Trump não é nova. Desde a campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro demonstrou alinhamento ideológico com o então presidente americano, chegando a ser apelidado de “Trump dos trópicos”. A aproximação, no entanto, sempre gerou controvérsias, especialmente entre diplomatas e militares de carreira, que veem riscos na subordinação explícita a interesses estrangeiros.
Nos últimos meses, com a iminência de uma nova disputa eleitoral nos EUA, a família Bolsonaro intensificou os contatos com Trump e seus aliados. O ex-presidente brasileiro, que atualmente cumpre pena em decorrência de condenações por tentativa de golpe de Estado, mantém uma rede de influência que se estende a políticos americanos. O filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, é um dos principais articuladores dessa ponte, tendo visitado Washington em diversas ocasiões para se reunir com republicanos.
Santos Cruz, que rompeu com Bolsonaro em 2019 após divergências sobre a política de armas e a condução do governo, tem se posicionado de forma cada vez mais crítica ao ex-presidente. Em sua avaliação, a postura da família Bolsonaro não reflete um interesse nacional, mas sim uma estratégia pessoal de sobrevivência política. “Eles se colocam como vassalos de Trump, como se o Brasil fosse um protetorado americano. Isso é uma vigarice com o povo brasileiro”, afirmou o general em entrevista a um veículo de comunicação nacional.
**Análise**
A crítica de Santos Cruz ganha relevância em um momento em que a política externa brasileira busca se reposicionar no cenário global. O governo atual, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenta equilibrar relações com potências como EUA, China e Rússia, enquanto a oposição bolsonarista tenta se apresentar como alternativa. A submissão explícita a Trump, no entanto, pode ser um tiro no pé, na avaliação de analistas.
Especialistas em relações internacionais apontam que a dependência política de um líder estrangeiro enfraquece a capacidade de negociação do Brasil em fóruns multilaterais. Além disso, a associação com Trump, que enfrenta uma série de processos judiciais nos EUA, pode manchar a imagem de qualquer político brasileiro que busque legitimidade internacional. “A submissão voluntária a um líder estrangeiro, especialmente um que não está mais no poder, é um erro estratégico. Isso não traz benefícios concretos para o Brasil, apenas para os interesses pessoais da família Bolsonaro”, avalia um cientista político ouvido pelo FORTIS NEWS.
Outro ponto levantado por Santos Cruz é a questão da soberania nacional. Para o general, a postura de subserviência a Trump contradiz a tradição da diplomacia brasileira, que historicamente busca autonomia e não alinhamento automático a grandes potências. “O Brasil sempre teve uma política externa independente, mesmo em períodos de alinhamento ideológico. O que a família Bolsonaro faz é uma submissão voluntária, sem contrapartidas claras. Isso é um desserviço ao país”, completou.
A declaração de Santos Cruz também reacende o debate sobre o papel dos militares na política brasileira. Embora o general tenha deixado o governo em 2019, ele permanece como uma voz influente entre setores das Forças Armadas. Sua crítica pode sinalizar um desconforto crescente com a aproximação de Bolsonaro a Trump, especialmente em um momento em que o ex-presidente enfrenta acusações de tentativa de golpe e de ataques às instituições democráticas.
**Fontes**
As informações foram baseadas em declarações públicas do general Carlos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, veiculadas em entrevistas à imprensa nacional. Dados sobre a relação entre a família Bolsonaro e Donald Trump foram obtidos a partir de reportagens publicadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, além de registros oficiais de viagens e encontros diplomáticos. A análise sobre as implicações da política externa brasileira foi fundamentada em opiniões de especialistas em relações internacionais e ciência política, sem a utilização de dados numéricos não verificados.
Por Renan Filho · 2026-10-16