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Economia

Santos Cruz critica ‘submissão voluntária’ da família Bolsonaro a Trump: ‘Vigarice’ para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-16

General da reserva aponta que alinhamento automático ao ex-presidente dos EUA prejudica interesses econômicos nacionais e soberania comercial, gerando críticas de setores produtivos.

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O general da reserva Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, voltou a criticar a postura da família Bolsonaro em relação ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificando a atitude como “submissão voluntária” e “vigarice” para os interesses econômicos do Brasil. A declaração, feita em meio a debates sobre a política externa brasileira, reacendeu a discussão sobre os custos comerciais e diplomáticos do alinhamento automático a Washington durante o governo anterior. Para analistas, a crítica ecoa preocupações de setores do agronegócio e da indústria que viram oportunidades de negócio serem sacrificadas em nome de uma lealdade ideológica sem contrapartidas concretas.

**Contexto**

A relação entre a família Bolsonaro e Donald Trump foi marcada por gestos de proximidade pública, como encontros na Casa Branca, declarações de apoio mútuo e a tentativa de replicar no Brasil pautas conservadoras americanas. No campo econômico, o governo brasileiro buscou sinalizar alinhamento com os EUA em fóruns multilaterais, apoiou sanções contra a Venezuela e o Irã, e tentou acelerar a adesão do Brasil à OCDE com o aval americano. No entanto, críticos apontam que essa estratégia não se traduziu em ganhos comerciais significativos. Enquanto os EUA mantiveram barreiras a produtos como o aço brasileiro e impuseram cotas para o açúcar, o Brasil reduziu tarifas de importação para itens americanos sem reciprocidade equivalente.

Santos Cruz, que foi ministro da Secretaria de Governo no início do governo Bolsonaro e depois rompeu com o ex-presidente, tem se posicionado como uma voz crítica dentro do espectro militar e conservador. Em suas falas recentes, ele destacou que a “submissão voluntária” a Trump não trouxe benefícios palpáveis à economia brasileira, mas sim riscos de isolamento comercial com outros parceiros estratégicos, como a China — maior comprador de commodities do Brasil. Dados oficiais mostram que, durante o governo Bolsonaro, as exportações brasileiras para a China continuaram a crescer, mas as relações diplomáticas sofreram desgastes com declarações polêmicas do ex-presidente, o que gerou incertezas para investimentos bilaterais.

A crítica também se insere em um contexto de avaliação do legado econômico do período. O Brasil enfrentou uma desaceleração do PIB em 2019, antes da pandemia, e a recuperação pós-Covid foi marcada por inflação alta e juros elevados. Para economistas, a política externa alinhada a Trump contribuiu para a volatilidade cambial e para a perda de oportunidades em negociações com o Mercosul e a União Europeia, que exigiam maior autonomia brasileira. O termo “vigarice” usado por Santos Cruz remete à percepção de que o Brasil teria sido levado a aceitar acordos desfavoráveis, como a renúncia a mecanismos de defesa comercial em troca de promessas vagas de apoio americano.

**Análise**

A declaração de Santos Cruz ganha relevância em um momento em que o Brasil busca reposicionar sua política externa sob o governo Lula, com ênfase na diversificação de parcerias e no fortalecimento do multilateralismo. A crítica à “submissão voluntária” não é apenas política: ela tem implicações diretas sobre a competitividade da economia brasileira. Quando um país alinha-se automaticamente a outra potência sem negociar contrapartidas claras, corre o risco de perder acesso a mercados alternativos e de se tornar refém de flutuações geopolíticas alheias aos seus interesses nacionais. No caso específico da relação com Trump, o Brasil não obteve avanços concretos em áreas como redução de barreiras não tarifárias, acesso a tecnologia ou cooperação em infraestrutura.

Para o setor produtivo, a crítica de Santos Cruz ecoa um sentimento de frustração. Empresários do agronegócio, por exemplo, viram as exportações de carne bovina para os EUA enfrentarem restrições sanitárias que não foram resolvidas pela proximidade política. Já a indústria de transformação, que depende de insumos importados, sofreu com a valorização do dólar estimulada por incertezas políticas. A “vigarice” mencionada pelo general pode ser interpretada como a aceitação de um papel subordinado no comércio global, em que o Brasil atuou como mero fornecedor de commodities sem conseguir abrir novos mercados para produtos de maior valor agregado.

A tendência, segundo analistas, é que o debate sobre a autonomia da política econômica brasileira se intensifique nos próximos meses, especialmente com a aproximação das eleições de 2026. A crítica de Santos Cruz, vinda de uma figura com credenciais militares e experiência de governo, pode influenciar setores conservadores que ainda veem com simpatia o alinhamento automático aos EUA. O desafio para o Brasil será equilibrar a relação com Washington — ainda o maior mercado consumidor do mundo — sem repetir erros do passado, que custaram caro em termos de soberania e competitividade.

**Fontes**

Declarações públicas do general Santos Cruz em entrevistas e redes sociais; análises de economistas e especialistas em relações internacionais publicadas pela imprensa nacional; dados do Ministério da Economia e do Banco Central sobre comércio exterior e política cambial no período 2019-2022.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.