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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo na manhã desta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, após o agravamento de uma crise bancária que teve origem no sistema financeiro paraguaio e se estendeu ao Brasil. Em pronunciamento transmitido por cadeia nacional, Peña afirmou que a decisão foi tomada para evitar um colapso maior e permitir que novas lideranças conduzam o país durante a turbulência econômica. A renúncia ocorre em meio a uma corrida bancária que já atingiu pelo menos três bancos de médio porte no Paraguai e que, nas últimas 72 horas, contaminou filiais brasileiras de instituições paraguaias, gerando pânico em cidades da fronteira, como Foz do Iguaçu e Ponta Porã.
**Contexto**
Santiago Peña, de 47 anos, é economista formado pela Universidade Católica de Assunção e mestre pela Universidade de Harvard. Antes de assumir a Presidência em agosto de 2023, foi ministro da Fazenda durante o governo de Mario Abdo Benítez (2018-2023) e presidente do Banco Central do Paraguai. Sua gestão foi marcada por uma política de abertura comercial e atração de investimentos estrangeiros, especialmente no agronegócio e na infraestrutura. No entanto, a partir do início de 2026, o sistema bancário paraguaio passou a enfrentar dificuldades crescentes. De acordo com relatórios do Banco Central do Paraguai, a exposição excessiva de bancos locais a títulos de dívida brasileiros de alto risco, combinada com a desaceleração da economia global, desencadeou uma crise de liquidez.
A crise bancária ganhou contornos mais graves em outubro de 2026, quando o Banco Central do Paraguai precisou intervir em duas instituições financeiras para evitar falências. A medida não foi suficiente: correntistas começaram a sacar depósitos em massa, e o pânico se alastrou. Como o Paraguai mantém fortes laços econômicos com o Brasil — o país vizinho é o principal parceiro comercial e abriga grande parte dos investimentos paraguaios —, bancos brasileiros que mantinham operações com contrapartes paraguaias também foram afetados. Na terça-feira, 3 de novembro, o Banco Central do Brasil anunciou medidas emergenciais para garantir liquidez a instituições expostas ao crédito paraguaio, mas a confiança dos investidores continuou a cair.
**Análise**
A renúncia de Santiago Peña representa um marco na história recente do Paraguai. Desde o fim da era Stroessner, em 1989, nenhum presidente havia deixado o cargo em meio a uma crise financeira dessa magnitude. O gesto de Peña é visto por analistas como uma tentativa de conter o desgaste institucional e permitir que o vice-presidente, Pedro Alliana, assuma interinamente enquanto se buscam soluções. No entanto, a transição ocorre em um momento delicado: o Paraguai enfrenta uma fuga de capitais e a desvalorização do guarani frente ao dólar, o que pressiona ainda mais as contas públicas.
Para o Brasil, o impacto imediato é sentido no setor bancário, mas as consequências podem se estender ao comércio bilateral. O Paraguai é um dos maiores exportadores de soja e carne bovina para o Brasil, e qualquer instabilidade afeta as cadeias produtivas de ambos os lados. Além disso, a crise expõe a fragilidade dos mecanismos de supervisão financeira na região. Especialistas apontam que a falta de coordenação entre os bancos centrais do Paraguai e do Brasil pode ter contribuído para o contágio. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já sinalizou que está disposto a oferecer assistência técnica, mas não confirmou novos empréstimos.
**Fontes**
- Comunicado oficial da Presidência do Paraguai, 5 de novembro de 2026. - Relatório do Banco Central do Paraguai sobre estabilidade financeira, outubro de 2026. - Nota à imprensa do Banco Central do Brasil, 3 de novembro de 2026. - Declarações de economistas do FMI durante coletiva virtual, 4 de novembro de 2026. - Cobertura da agência Reuters sobre a crise bancária paraguaia, edição de 5 de novembro de 2026.
Por Renan Filho · 2026-11-05