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Em um cenário político marcado por polarização e novas formas de comunicação digital, o deputado estadual Sandro Filho (PP-BA) tornou-se a surpresa da Bahia ao articular uma base de apoio que mescla a vivência na periferia de Salvador com um discurso alinhado à direita conservadora. A ascensão do parlamentar, que começou sua trajetória como líder comunitário em bairros de baixa renda, agora o coloca como potencial nome para uma candidatura ao Congresso Nacional em 2026, utilizando a tecnologia como principal ferramenta de mobilização e propaganda.
**Contexto**
Sandro Filho, filiado ao Progressistas (PP), construiu sua carreira política a partir de uma atuação local em bairros como Periperi e Plataforma, na periferia de Salvador. Sua origem humilde e a capacidade de dialogar com eleitores de baixa renda o diferenciam de outros políticos de direita no estado, tradicionalmente associados a elites econômicas ou a setores do agronegócio. Em 2022, foi eleito deputado estadual com uma votação expressiva para um estreante, superando candidatos com mais tempo de mandato.
O diferencial de Sandro Filho está no uso intensivo de plataformas digitais. Ele mantém uma presença ativa em redes sociais como TikTok, Instagram e YouTube, onde publica vídeos curtos com linguagem acessível, críticas ao que chama de "velha política" e defesa de pautas como segurança pública, redução de impostos e combate à ideologia de gênero nas escolas. Essa estratégia, comum a políticos de direita em todo o Brasil, ganha contornos únicos na Bahia, estado governado pelo PT há duas décadas.
A tecnologia, nesse contexto, não é apenas um meio de comunicação, mas um pilar da estratégia política. Sandro Filho utiliza ferramentas de geolocalização para segmentar anúncios, aplicativos de mensageria para coordenar grupos de apoiadores e algoritmos de recomendação para viralizar conteúdos. Esse uso intensivo de dados e plataformas digitais o aproxima de fenômenos como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, mas com um recorte periférico que amplia seu alcance.
**Análise**
A ascensão de Sandro Filho reflete uma tendência nacional: a direita brasileira tem encontrado na periferia um terreno fértil para expansão, especialmente entre jovens e trabalhadores informais que se sentem abandonados pelo Estado e desiludidos com partidos tradicionais. Na Bahia, onde o PT mantém hegemonia eleitoral, a figura de Sandro Filho representa uma ruptura. Ele não é um político de berço, mas um produto da periferia que usa a tecnologia para construir uma narrativa de superação e resistência ao establishment.
O impacto dessa estratégia vai além das eleições. A capacidade de Sandro Filho de mobilizar eleitores via redes sociais pressiona partidos de esquerda a repensarem suas próprias campanhas digitais. Enquanto o PT aposta em figuras consolidadas e no apoio de movimentos sociais organizados, a direita periférica usa algoritmos para alcançar quem não frequenta reuniões de associação de bairro ou sindicatos. Isso cria um novo campo de disputa política, onde a tecnologia é tanto ferramenta quanto arena.
Especialistas em comunicação política apontam que o fenômeno Sandro Filho não é isolado. Em outros estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, políticos de direita com origem periférica também ganham destaque, mas a Bahia oferece um contraste mais nítido por ser um reduto petista. Se Sandro Filho conseguir consolidar uma candidatura nacional em 2026, poderá se tornar um símbolo da nova direita brasileira, que combina pautas conservadoras com uma estética e linguagem populares.
**Fontes**
As informações sobre a trajetória de Sandro Filho foram obtidas a partir de registros oficiais da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), reportagens de veículos como o jornal A Tarde e o portal Bahia Notícias, além de análises de cientistas políticos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Dados sobre o uso de tecnologia em campanhas eleitorais foram consultados em relatórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estudos do grupo de pesquisa Comunicação, Política e Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB).
Por Renan Filho · 2026-10-07