**Lead**
Sandro Filho, deputado estadual do Progressistas (PP), tornou-se uma das figuras mais comentadas da política baiana ao conciliar uma origem na periferia de Salvador com um discurso de direita focado em segurança pública. O fenômeno, observado nas últimas eleições municipais, sinaliza uma mudança no eleitorado de um estado historicamente dominado por partidos de esquerda, onde a criminalidade e a sensação de impunidade têm alimentado demandas por respostas mais duras.
**Contexto**
A Bahia registra há anos índices elevados de violência, com destaque para homicídios e roubos. Dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública do estado apontam que, apesar de flutuações, a taxa de crimes violentos permanece acima da média nacional. Em Salvador, bairros periféricos como os da região do Subúrbio Ferroviário e do Cabula concentram grande parte das ocorrências. É nesse cenário que Sandro Filho construiu sua base eleitoral. Nascido e criado em uma comunidade de baixa renda da capital, ele frequentemente menciona sua vivência pessoal com a violência para justificar propostas como o aumento do efetivo policial, a redução da maioridade penal e a criação de programas de recompensa por denúncias anônimas.
O Partido Progressistas, legenda de centro-direita com forte presença no Nordeste, viu em Sandro Filho uma oportunidade de expandir sua influência em um estado onde o PT e o PDT dominam o cenário político há décadas. Pesquisas eleitorais recentes, embora sem divulgação de números exatos, indicam crescimento consistente de sua popularidade entre eleitores jovens e moradores de áreas periféricas, tradicionalmente alinhados à esquerda. A estratégia de Sandro Filho combina linguagem direta, uso intenso de redes sociais e uma estética de “homem comum” que contrasta com o perfil mais institucional de seus adversários.
**Análise**
A ascensão de Sandro Filho reflete uma tendência nacional de direitização de parcelas do eleitorado nordestino, especialmente entre aqueles que se sentem desassistidos pelo poder público. Na segurança, seu discurso encontra eco em uma população cansada de promessas não cumpridas e de políticas que, na percepção popular, são lenientes com criminosos. Analistas políticos apontam que a origem periférica do deputado funciona como um trunfo: ele não é visto como um “político de gabinete”, mas como alguém que conhece a realidade das ruas. Isso lhe permite defender medidas como o policiamento ostensivo e a ampliação do sistema prisional sem ser acusado de elitismo.
Por outro lado, especialistas em segurança pública alertam para os riscos de uma abordagem exclusivamente punitivista. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o endurecimento penal, sem investimentos em prevenção e em políticas sociais, tende a gerar superlotação carcerária e não reduz a criminalidade de forma sustentável. A Bahia, que já enfrenta déficit de vagas no sistema prisional, pode ver o problema se agravar caso propostas como as de Sandro Filho avancem sem contrapartidas. O debate, portanto, não é apenas eleitoral: ele tem implicações diretas na vida de milhões de baianos.
**Fontes**
- Dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), referentes a taxas de criminalidade no estado. - Pesquisas eleitorais realizadas por institutos como Datafolha e Ipec, com tendências de intenção de voto na Bahia. - Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre políticas de segurança pública e encarceramento. - Análises de cientistas políticos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade de São Paulo (USP) sobre o fenômeno da direita no Nordeste.
Por Renan Filho · 2026-10-07