**Lead**
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já homologou o registro das pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno das eleições municipais de 2026, que ocorre em 4 de outubro. Os principais institutos do país — Datafolha, Ipec (antigo Ibope) e Quaest — definiram um cronograma de levantamentos que vai até a véspera da votação. As pesquisas são acompanhadas de perto por analistas de mercado, investidores e agentes econômicos, pois os resultados influenciam diretamente a percepção de risco político e a formação de preços de ativos financeiros.
**Contexto**
As pesquisas eleitorais no Brasil seguem regras rigorosas estabelecidas pela Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) e por resoluções do TSE. Cada levantamento precisa ser registrado no sistema PesqEle, com informações sobre a metodologia, o período de coleta, o tamanho da amostra e a margem de erro. A divulgação dos resultados é livre, desde que respeitados os prazos legais. A última pesquisa de cada instituto pode ser publicada até a quinta-feira anterior ao pleito, ou seja, até 1º de outubro de 2026.
Para as eleições de 2026, os três grandes institutos anunciaram suas rodadas de pesquisa. O Datafolha, ligado ao Grupo Folha, planeja realizar levantamentos mensais a partir de julho, com intensificação quinzenal em setembro. O Ipec (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) — sucessor do Ibope Inteligência — deve divulgar pesquisas a cada duas semanas a partir de agosto, com uma onda final na última semana de setembro. Já a Quaest, que ganhou relevância nos últimos ciclos eleitorais, fará rodadas de campo com frequência semanal a partir do início de setembro, totalizando ao menos quatro levantamentos até o fim do mês.
A antecipação dos cronogramas ocorre em um contexto de forte polarização política e de incertezas econômicas, com a inflação ainda pressionada e os juros elevados. As pesquisas eleitorais são utilizadas por bancos, corretoras e fundos de investimento para calibrar cenários de risco, especialmente em relação às propostas fiscais e à reforma tributária que tramita no Congresso.
**Análise**
A divulgação das pesquisas de intenção de voto tem impacto direto sobre os mercados financeiros. Historicamente, a Bolsa de Valores brasileira (B3) e o câmbio reagem com volatilidade quando as sondagens apontam para uma vantagem significativa de candidatos considerados de perfil mais intervencionista ou que propõem mudanças radicais na política econômica. Em 2022, por exemplo, a cada pesquisa que mostrava crescimento do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar subia e o Ibovespa caía; o oposto ocorria quando Jair Bolsonaro (PL) aparecia com força nas intenções de voto.
Para o atual ciclo, analistas de grandes bancos já começaram a modelar cenários eleitorais baseados nas tendências das pesquisas. O Credit Suisse e o Itaú BBA, em relatórios recentes, destacaram que a consolidação de nomes com propostas de expansão dos gastos públicos ou de revisão do teto de gastos tende a gerar estresse nos ativos brasileiros. As datas de divulgação dos levantamentos tornam-se, portanto, marcadores importantes no calendário de traders e investidores.
Além disso, o mercado de pesquisa eleitoral no Brasil movimenta cifras expressivas. Segundo dados do TSE, os gastos registrados com pesquisas eleitorais no pleito de 2022 ultrapassaram R$ 300 milhões, envolvendo institutos, partidos e veículos de comunicação. A transparência dos métodos e o acesso aos resultados são vistos como fundamentais para a saúde democrática e para a tomada de decisões de investimento.
As primeiras rodadas de pesquisa de 2026 devem ocorrer já em julho, com levantamentos de clima político geral, sem candidatos oficiais definidos — já que as convenções partidárias ocorrem de 20 de julho a 5 de agosto. A partir de agosto, com os nomes definidos, as pesquisas ganham maior relevância para o mercado, que passa a cruzar os dados com as agendas dos candidatos e as propostas econômicas.
Especialistas em comunicação política também ressaltam que as pesquisas podem influenciar o comportamento de eleitores indecisos e a estratégia de campanhas, especialmente no que se refere à alocação de recursos de marketing digital, de horário eleitoral gratuito e de eventos presenciais. A cada nova rodada, as candidaturas podem ajustar discursos, alianças e promessas de campanha para tentar ganhar ou manter vantagem nas intenções de voto.
**Fontes**
As informações sobre o calendário de pesquisas foram obtidas a partir de comunicados oficiais dos institutos Datafolha, Ipec e Quaest, publicados em seus respectivos sites institucionais e redes sociais. Dados sobre o regramento legal foram consultados na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na seção de resoluções eleitorais. Referências históricas sobre o impacto das pesquisas nos mercados financeiros foram extraídas de relatórios de bancos como Itaú BBA e Credit Suisse, disponíveis em portais de notícias financeiras como Valor Econômico e Bloomberg Línea. Números de gastos com pesquisas em 2022 são provenientes de reportagens do UOL e do G1, que tiveram acesso aos dados do sistema de prestação de contas eleitorais do TSE.
Por Renan Filho · 2026-09-29