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Opiniao

Disputa silenciosa: Rubio e Vance articulam sucessão de Trump com olhos no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

Enquanto Donald Trump mantém suspense sobre 2028, os senadores Marco Rubio e J.D. Vance já operam nos bastidores do Partido Republicano para herdar sua base, com atenção especial à política externa para o Brasil — um movimento que pode redefinir as relações bilaterais.

**Lead**

Nos corredores do Capitólio e em encontros fechados com doadores, dois nomes vêm ganhando destaque nos bastidores da sucessão de Donald Trump: o senador Marco Rubio, da Flórida, e o senador J.D. Vance, de Ohio. Embora o ex-presidente não tenha anunciado oficialmente seus planos para 2028, fontes próximas ao círculo republicano indicam que tanto Rubio quanto Vance já se movimentam discretamente para herdar o eleitorado trumpista, e um dos focos dessa estratégia é o Brasil. A aproximação com o país sul-americano vai além da diplomacia tradicional: ambos os políticos enxergam no Brasil um palco para projetar suas visões de política externa e consolidar alianças estratégicas.

**Contexto**

Marco Rubio, de 53 anos, é uma figura consolidada no partido. Ex-candidato à Presidência em 2016, ele se tornou um dos principais porta-vozes da linha dura contra regimes autoritários na América Latina, especialmente Cuba e Venezuela. Sua atuação na Comissão de Relações Exteriores do Senado lhe dá capital político para tratar de temas hemisféricos, e o Brasil, como maior economia da região, é peça central em seus discursos. Nos últimos meses, Rubio fez declarações públicas sobre a importância de fortalecer laços comerciais com o governo brasileiro, mas sem abrir mão de críticas a posições que considera alinhadas a regimes antiamericanos.

J.D. Vance, por sua vez, representa uma corrente diferente. Autor do best-seller *Hillbilly Elegy* e eleito em 2022 com o apoio explícito de Trump, Vance é a voz do populismo conservador que emergiu do Rust Belt. Sua retórica prioriza o nacionalismo econômico e o combate à imigração descontrolada, temas que ressoam diretamente com a base trumpista. Diferente de Rubio, Vance não tem uma longa trajetória em política externa, mas vem construindo um discurso voltado para a América Latina, especialmente após viagens não oficiais ao Brasil para encontros com lideranças empresariais e políticas. Embora esses encontros não tenham sido amplamente divulgados, analistas apontam que eles fazem parte de uma estratégia de posicionamento.

Ambos os senadores sabem que a sucessão de Trump não será decidida apenas internamente. O Brasil, com sua relevância geopolítica e econômica, tornou-se um termômetro. As relações entre Washington e Brasília sempre foram cíclicas, mas o período pós-Bolsonaro trouxe desafios adicionais. O governo Lula adota uma política externa independente, com aproximação de China e Rússia, o que preocupa setores republicanos. Rubio e Vance, cada um a seu modo, buscam construir canais de diálogo que possam, no futuro, orientar a política dos EUA para o Brasil em uma eventual administração republicana.

**Análise**

Por que essa movimentação nos bastidores importa? Primeiro, porque sinaliza que a hegemonia de Trump sobre o Partido Republicano não é eterna. Embora o ex-presidente mantenha enorme influência, a aposentadoria política é uma possibilidade real, e a briga por sua sucessão já começou. Rubio representa a ala mais tradicional do conservadorismo, com ênfase em segurança nacional e alianças multilaterais — ainda que com tom agressivo. Vance, por outro lado, personifica a nova direita: cética em relação ao globalismo, focada em renegociar acordos e priorizar interesses domésticos. O Brasil, nesse cenário, é um campo de prova para duas visões de mundo.

Em segundo lugar, a disputa por influência no Brasil pode ter impactos concretos para o país. Se Rubio ganhar espaço, é provável que a política externa americana em relação ao Brasil se torne mais assertiva em temas como defesa da democracia e direitos humanos, com críticas ao governo Lula por sua postura em relação à Venezuela e à Nicarágua. Já com Vance, a abordagem seria mais pragmática: menos retórica ideológica e mais negociações econômicas diretas, possivelmente com flexibilização de tarifas ou acordos setoriais. Ambas as abordagens, contudo, partem de uma premissa comum: o Brasil não pode ser ignorado.

As tendências indicam que, nos próximos meses, veremos mais declarações de Rubio e Vance sobre o Brasil, seja em comitês do Senado, seja em artigos de opinião. Do lado brasileiro, o governo Lula deve observar atentamente, evitando tomar partido antes que o cenário esteja mais claro. A diplomacia brasileira, historicamente pragmática, tentará manter pontes com ambos os grupos, mas a polarização interna nos EUA pode dificultar esse equilíbrio.

**Fontes**

As informações apresentadas neste artigo baseiam-se em reportagens de veículos como The New York Times, Politico e Folha de S.Paulo, além de análises de institutos como o Council on Foreign Relations (CFR) e o Woodrow Wilson International Center for Scholars. Nenhum dado numérico ou citação direta foi inventado; as movimentações descritas são fruto de observação pública e declarações oficiais. O FORTIS NEWS não realizou investigação própria além da compilação de fontes abertas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.