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Ciencia

Rubio diz que Trump terá 60 dias para avaliar impactos de sanções contra Rússia para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-18

Secretário de Estado norte-americano afirmou que sanções impostas à Rússia podem afetar pesquisas espaciais e cooperação nuclear com o Brasil; prazo de 60 dias foi estipulado para revisão dos efeitos colaterais.

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta quinta-feira (17) que o presidente eleito Donald Trump terá um prazo de 60 dias, a partir da posse em janeiro de 2027, para avaliar os impactos das sanções econômicas e tecnológicas contra a Rússia sobre o Brasil. A declaração foi feita durante audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, em Washington, e repercutiu imediatamente nos meios científicos brasileiros, especialmente nas áreas de pesquisa espacial e energia nuclear.

**Contexto**

As sanções dos EUA contra a Rússia foram intensificadas a partir de 2022, após o início do conflito na Ucrânia. Elas abrangem restrições a exportações de tecnologia de ponta, componentes eletrônicos, insumos para foguetes e cooperação nuclear. O Brasil, embora não seja alvo direto das sanções, mantém parcerias científicas com a Rússia que dependem de equipamentos e autorizações de licenciamento norte-americanos.

Entre os programas mais afetados estão o lançamento de satélites brasileiros por foguetes russos e a cooperação no âmbito do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Empresas brasileiras que atuam na cadeia de fornecimento de componentes para o setor aeroespacial reportaram dificuldades para obter licenças de exportação dos EUA quando os componentes têm uso dual – civil e militar – e há suspeita de repasse tecnológico à Rússia.

No campo nuclear, a parceria entre a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul) e a russa Rosatom para o desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro também sofreu atrasos. Embora o governo brasileiro afirme que o projeto é soberano e não depende de autorização externa, equipamentos de controle e sensores de precisão são adquiridos de fornecedores americanos e europeus, sujeitos a restrições.

Rubio disse que o prazo de 60 dias permitirá que o governo Trump realize “uma auditoria completa dos efeitos colaterais não intencionais” das sanções sobre países terceiros que colaboram com a Rússia em projetos de interesse estratégico para os EUA. “Não queremos prejudicar aliados como o Brasil, mas também não podemos permitir que brechas tecnológicas fortaleçam o complexo militar-industrial russo”, afirmou o secretário, em trecho repercutido pela imprensa.

**Análise**

A declaração de Rubio sinaliza uma abordagem mais pragmática do próximo governo republicano em relação ao Brasil. Diferentemente da rigidez inicial do governo Biden, que impôs sanções amplas sem considerar impactos sobre aliados regionais, Trump já indicou que pretende revisar cada caso individualmente. O prazo de 60 dias, contudo, mantém a incerteza sobre projetos científicos que já estão em andamento.

Pesquisadores brasileiros ouvidos reservadamente por veículos especializados avaliam que o período de transição pode paralisar novos acordos de cooperação espacial com a Rússia, ao mesmo tempo que abre uma janela para que os EUA ofereçam alternativas tecnológicas ao Brasil. A Agência Espacial Brasileira (AEB) já sinalizou que prefere diversificar parceiros, incluindo a Índia e a Europa, mas reconhece que a dependência de componentes russos em satélites de sensoriamento remoto ainda é elevada.

Outro ponto sensível é o programa nuclear. O Brasil possui usinas nucleares operadas pela Eletronuclear (Angra 1, 2 e 3) e mantém com a Rússia acordos de fornecimento de urânio enriquecido e assistência técnica. Qualquer sanção que afete a Rosatom poderia comprometer o cronograma de Angra 3 e o ambicioso plano de construir um submarino de propulsão nuclear.

Para especialistas em geopolítica científica, o prazo de 60 dias também é um recado ao Congresso brasileiro: os EUA querem ver avanços na legislação de proteção de propriedade intelectual e no controle de tecnologia sensível no Brasil. Sem essas garantias, a revisão das sanções pode ser negativa.

**Fontes**

As informações foram baseadas em declarações públicas do secretário de Estado Marco Rubio durante audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA em 17 de outubro de 2026, repercutidas por agências de notícias internacionais como Reuters e Associated Press. Dados sobre a cooperação espacial e nuclear Brasil-Rússia foram obtidos de relatórios da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, disponíveis em seus portais oficiais. A posição de pesquisadores e técnicos foi extraída de entrevistas publicadas em veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, sem identificação de fontes anônimas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.