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Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelaram que empresários vinculados ao grupo Rockbridge – uma das maiores gestoras de recursos do Brasil – prestaram consultoria e elaboraram relatórios econômicos para o parlamentar nos últimos meses. A informação, divulgada por veículos de imprensa como O Globo e UOL, aponta que os documentos tratavam de análises de mercado, projeções fiscais e estratégias de investimento, com foco em setores como energia, agronegócio e infraestrutura. A parceria, segundo as fontes, ocorreu de forma informal, sem contratos formais ou registros públicos, o que acendeu alertas sobre a transparência das relações entre o poder legislativo e o setor financeiro.
**Contexto**
O grupo Rockbridge, fundado na década de 1990, é conhecido por sua atuação em private equity e gestão de ativos, com forte presença em empresas de capital aberto e fechado. Seus executivos têm histórico de participação em conselhos de administração e de interlocução com agentes públicos, especialmente em temas regulatórios. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é senador desde 2019 e tem se posicionado como uma voz influente em pautas econômicas no Congresso, como a reforma tributária e a autonomia do Banco Central. A revelação de que ele teria recebido consultoria privada de um grupo com interesses diretos em políticas econômicas levanta dúvidas sobre a separação entre interesses privados e públicos.
De acordo com os aliados ouvidos pela imprensa, os relatórios incluíam análises detalhadas sobre o impacto de projetos de lei em setores específicos, como o mercado de crédito de carbono e a desburocratização de licenças ambientais. Os empresários do Rockbridge também teriam sugerido ajustes em propostas legislativas em tramitação, o que, se confirmado, caracterizaria uma atuação de lobby não registrada. Até o momento, nem o senador nem o grupo Rockbridge se pronunciaram oficialmente sobre o caso. A assessoria de Flávio Bolsonaro limitou-se a dizer que “o senador mantém diálogo com diversos setores da economia, como é natural em seu mandato”.
**Análise**
A situação expõe uma zona cinzenta nas relações entre parlamentares e agentes econômicos. Embora não haja ilegalidade em receber consultoria de especialistas, a ausência de formalização e de registro público levanta suspeitas de que o acesso privilegiado a informações e a influência sobre decisões legislativas possam ter sido exercidos sem os devidos controles. Para especialistas em direito público ouvidos pela reportagem, a prática pode configurar conflito de interesses, especialmente se os relatórios forem usados para beneficiar setores onde o Rockbridge possui investimentos. A Lei de Improbidade Administrativa e o Código de Ética do Senado preveem sanções para casos em que parlamentares utilizem informações privilegiadas obtidas de forma privada.
Do ponto de vista econômico, a consultoria privada a um senador com poder de agenda pode distorcer a formulação de políticas públicas. Se os relatórios forem orientados para favorecer determinados mercados, o resultado pode ser a aprovação de leis que beneficiem grupos específicos em detrimento do interesse coletivo. O episódio também reacende o debate sobre a necessidade de maior transparência no lobby no Brasil, onde não há uma regulamentação específica que obrigue o registro de reuniões e consultorias entre agentes públicos e privados. A ausência de regras claras permite que influências informais, como a descrita, ocorram sem escrutínio.
**Fontes**
A informação foi originalmente publicada pelos jornais O Globo e UOL, que citaram fontes próximas ao senador Flávio Bolsonaro e ao grupo Rockbridge. As reportagens basearam-se em relatos de aliados do parlamentar que tiveram acesso aos relatórios e à dinâmica da consultoria. Até o fechamento desta edição, não houve manifestação oficial do senador ou da Rockbridge. O FORTIS NEWS buscou contato com ambas as partes, mas não obteve retorno.
Por Renan Filho · 2026-10-01