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Política

Roberta Luchsinger afirma que não recebeu apoio do movimento feminista brasileiro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

Em declarações recentes, a escritora e ativista Roberta Luchsinger criticou a falta de apoio do feminismo mainstream no Brasil, reacendendo debates sobre interseccionalidade e representatividade no movimento.

**Lead**

A escritora e ativista Roberta Luchsinger, conhecida por sua defesa do feminismo interseccional e antirracista, declarou publicamente que não recebeu o apoio esperado do movimento feminista brasileiro ao longo de sua trajetória. A afirmação, feita em meio a discussões sobre os rumos do ativismo no país, expõe tensões históricas dentro do campo feminista, especialmente entre as correntes mais tradicionais e as vozes periféricas e negras. A declaração repercutiu nas redes sociais e entre coletivos feministas, levantando questões sobre alianças, solidariedade e as prioridades do movimento.

**Contexto**

Roberta Luchsinger é uma figura proeminente no ativismo brasileiro, autora de livros que abordam racismo, gênero e classe. Ela sempre defendeu que o feminismo precisa considerar as múltiplas opressões que afetam mulheres negras, indígenas, periféricas e LGBTQIA+. Sua crítica ao feminismo hegemônico não é nova: em diversas ocasiões, ela apontou que a pauta de gênero frequentemente ignora desigualdades raciais e econômicas. No entanto, a recente afirmação de que não teve suporte do movimento feminista como um todo – inclusive em momentos de ataques pessoais e difamação – trouxe à tona um sentimento compartilhado por muitas ativistas que atuam nas margens.

O movimento feminista brasileiro é plural, com diferentes vertentes: o feminismo liberal, o radical, o interseccional e o de base comunitária. Desde a redemocratização, houve avanços significativos, como a Lei Maria da Penha e a criminalização do feminicídio. No entanto, a falta de coesão e as disputas por recursos e visibilidade são recorrentes. Críticas semelhantes já foram feitas por outras lideranças negras, como a filósofa Djamila Ribeiro, que também já apontou a resistência do feminismo branco em abraçar pautas raciais. A declaração de Luchsinger se insere nesse contexto de questionamento sobre quem verdadeiramente é acolhido pelo guarda-chuva feminista.

**Análise**

A fala de Roberta Luchsinger não é apenas um desabafo pessoal, mas um indicador de um fenômeno mais amplo: a dificuldade do feminismo mainstream em incorporar plenamente a interseccionalidade. Embora o conceito tenha sido popularizado pela jurista Kimberlé Crenshaw nos anos 1990, sua aplicação prática ainda enfrenta resistências. No Brasil, onde o racismo estrutural e a desigualdade social são profundos, a ausência de apoio a ativistas negras e periféricas enfraquece a luta coletiva. Luchsinger, ao denunciar essa falta de suporte, joga luz sobre a necessidade de o feminismo repensar suas alianças e práticas de solidariedade.

Do ponto de vista político, o episódio pode aprofundar o debate sobre representatividade dentro dos partidos e organizações feministas. Nos últimos anos, movimentos como o Mulheres Negras Decidem e a Marcha das Mulheres Negras ganharam força, mas ainda enfrentam barreiras para acessar financiamento e espaços de decisão. A declaração de Luchsinger pode servir como catalisadora para uma autocrítica necessária, especialmente em um ano eleitoral onde pautas de gênero e raça estarão em destaque. Se as feministas não conseguirem construir pontes internas, correm o risco de fragmentar ainda mais a luta por direitos.

Outro ponto relevante é o impacto na percepção pública do feminismo. Quando figuras como Roberta Luchsinger afirmam não ter apoio de suas próprias companheiras de movimento, a credibilidade do ativismo pode ser abalada. Críticos externos, já tendentes a desqualificar o feminismo como dividido ou incoerente, podem usar essas falas para enfraquecer a agenda de gênero. Por outro lado, a transparência sobre essas tensões também pode fortalecer o movimento ao obrigá-lo a enfrentar suas contradições e evoluir.

**Fontes**

Declarações públicas de Roberta Luchsinger em suas redes sociais e entrevistas recentes. Artigos e análises de veículos de imprensa como Gênero e Número, Revista AzMina e portal Alma Preta. Histórico de debates sobre interseccionalidade no feminismo brasileiro, disponível em publicações acadêmicas e em relatórios de organizações como o Observatório de Gênero.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.