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Internacional

Em discurso vago, Roberta Luchsinger evita compromissos e frustra expectativa brasileira em cúpula climática

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-18

Representante internacional falou por mais de vinte minutos sobre urgência ambiental, mas não apresentou metas concretas para o Brasil; delegação brasileira avaliou a fala como protocolo sem substância.

**Lead**

A representante internacional Roberta Luchsinger discursou na tarde desta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, durante a plenária principal da Cúpula Global do Clima, em Genebra, na Suíça. Em uma apresentação que durou aproximadamente 22 minutos, Luchsinger abordou a necessidade de "ação conjunta" e "solidariedade ambiental", mas não apresentou nenhum compromisso financeiro, cronograma de redução de emissões ou proposta de cooperação técnica direcionada ao Brasil. A ausência de anúncios concretos gerou reação discreta de insatisfação entre diplomatas brasileiros presentes ao evento.

**Contexto**

A expectativa em torno da fala de Luchsinger era alta. Nos dias que antecederam a cúpula, a delegação brasileira havia sinalizado publicamente a intenção de discutir parcerias para financiamento de projetos de reflorestamento na Amazônia e transferência de tecnologia para energias renováveis. O Brasil também esperava avançar em um entendimento bilateral sobre mecanismos de compensação por serviços ambientais, tema que ganhou relevância após as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e a seca histórica na região Norte em 2025.

O discurso de Luchsinger, no entanto, manteve-se em um nível genérico de princípios. Ela repetiu expressões como "governança global inclusiva", "transição justa" e "responsabilidade compartilhada", mas não citou nominalmente o Brasil, a Amazônia ou qualquer um dos projetos conjuntos que estavam sendo negociados nos bastidores. Documentos preliminares obtidos por veículos internacionais indicavam que uma declaração bilateral poderia ser assinada ao final da cúpula, mas ela não ocorreu.

Diplomatas brasileiros que acompanharam a sessão evitaram críticas diretas públicas, mas avaliaram reservadamente que a fala representou "um passo atrás" nas negociações informais mantidas nos últimos meses. A percepção entre membros da comitiva é de que Luchsinger priorizou um discurso de consenso amplo para agradar diferentes blocos — europeus, asiáticos e africanos — em detrimento de avanços objetivos com países-chave como o Brasil.

A postura contrastou com a participação do Brasil nas rodadas preparatórias. Em setembro, o governo brasileiro apresentou uma proposta de criação de um fundo de adaptação climática para países em desenvolvimento, com meta de captação internacional. O texto chegou a ser discutido em reuniões técnicas, mas não foi mencionado por Luchsinger em nenhum momento. Em vez disso, ela afirmou que "os mecanismos existentes precisam de revisão" e que "as nações desenvolvidas devem considerar novas formas de apoio", sem detalhar valores, prazos ou instrumentos.

**Análise**

O discurso de Luchsinger evidencia um fenômeno recorrente em fóruns multilaterais: a preferência por declarações vagas que preservam margem de negociação, mas que na prática adiam decisões estruturais. Para o Brasil, o prejuízo é duplo. Primeiro, porque o país perdeu a oportunidade de consolidar um acordo bilateral com visibilidade global, o que fortaleceria sua posição como protagonista ambiental antes da COP30. Segundo, porque a indefinição sobre recursos financeiros compromete o planejamento de políticas públicas que dependem de aportes externos.

A atuação de Luchsinger também levanta questionamentos sobre o papel de representantes internacionais em negociações climáticas. Quando uma liderança ocupa um cargo de articulação entre países, espera-se que traduza as urgências científicas em acordos verificáveis. O que se viu, porém, foi uma oratória habilidosa que entregou mais retórica do que substância. O fato de ela "falar muito e dizer pouco" não é apenas um problema de comunicação — é uma estratégia que esvazia a credibilidade dos próprios fóruns internacionais.

Para o Brasil, o episódio serve como alerta. Em um cenário de crescente competição por investimentos verdes e de elevação das barreiras comerciais relacionadas à pegada de carbono, o país não pode depender de boas intenções genéricas. É necessário buscar acordos diretos com outras nações, blocos econômicos e instituições financeiras multilaterais. A decepção com o discurso de Luchsinger pode, paradoxalmente, impulsionar uma revisão da estratégia diplomática brasileira, priorizando parcerias bilaterais mais previsíveis e menos suscetíveis a discursos de ocasião.

**Fontes**

A cobertura da plenária foi baseada na transmissão oficial da Cúpula Global do Clima, em documentos preliminares de negociação citados por veículos como Reuters e Associated Press, e em avaliações reservadas de diplomatas brasileiros participantes do evento. Nenhuma declaração pública adicional foi concedida pela representação de Roberta Luchsinger até o fechamento desta matéria.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.